quarta-feira, 16 de outubro de 2013

O que restou das manifestações

Não é curioso que as manifestações já tem um nome: as "Jornadas de Junho"? E não é curioso pensar e sentir que toda a andança, debates, reflexões, dores de cabeça e bate bocas com reaças nacionalistas e direitistas incubados; medo de um possível golpe militar (rs) e asco de todos os lunáticos de extrema direita que rastejaram de baixo das pedras onde se escondiam; coquetéis molotov explodindo no palácio Antônio Lemos e pessoas se indignando mais com o dano ao patrimônio público e privado do que com o fato dos PMs terem assassinado a gari Cleonice Vieira, enfim, tudo isso vai ser discutido por historiadores, muito depois que os nossos ossos virarem pó? Nunca antes tinha me dado essa sensação de que a História é viva e eu sou um sujeito de sua transformação, antes era somente uma abstração e frase vazia de textos acadêmicos. 
De qualquer forma, mais importante do que divagações ou romantismo e passado o calor do momento em que pensei que fôssemos ter um movimento aos moldes do que ocorre no Rio de Janeiro e que conquistaríamos nossos objetivos imediatamente, é não deixar que isso seja uma tola lembrança da juventude, do período em que eu tinha preocupação em construir o meu engajamento. Não quero virar um coroa reaça (em maior ou menor dose e no âmbito dos costumes ou referente a políticas públicas) saudosista da sua experiência ao estilo "caras pintadas",  DE JEITO NENHUM! O compromisso com a construção de uma sociedade justa e igualitária é algo que tem que ser constante e permanente e não algo que pode ser concretizado em uma Jornada ou manifestação, não importa o mês ou com que nome que intelectuais e jornalistas resolvam rotular esse momento.