quarta-feira, 20 de julho de 2016

Quem sou eu?

Mais do que esse clichê batido de metamorfose ambulante. Acho que alguns traços da nossa personalidade são como pedras. Pedras expostas à chuva ácida e  sujeitas ao capricho de babuínos com marretas que, intencionalmente, tentam nos esmagar. A gente vai se moldando a esse mundo hostil, brutal e caótico ao nosso redor, podemos nadar contra a corrente e manter nossa humanidade e nossos ideais. Claro, conforme envelhecemos, vamos encontrando um meio termo entre a idealização e a prática.
Esse é o ponto mais assustador de entrar na vida adulta (se você tem um pingo de sensibilidade que seja e/ou é de esquerda), me encontro nesse lodaçal tortuoso, bastante tolkienesco, em que vários que caíram ao longo do caminho (ou nem sabiam que existia outro caminho, além de olhar para os seus pés presos na lama e esqueceram o céu, não algo bobagem religiosa, mas como um símbolo das possibilidades que podemos buscar e que por sermos sujeitos históricos, temos um potencial transformador, mesmo que, as vezes, não seja suficiente para alimentar a nossa megalomania) precisam nos segurar para se sentirem seguros em sua zona de conforto, na sua desistência em buscar o papel social do educador e na manutenção da utopia de um mundo mais justo, humano e fraterno.

Até certo ponto, a influência externa, as centenas de pequenos probleminhas nos vão deixando cansados, as pessoas que constroem barreiras para o nosso avanço profissional, os colegas (os poucos que respeitamos) que se entregaram a esse  conformismo, tudo isso é importante. Entretanto, aprendi há algum tempo que somos sujeitos da nossa própria vida, parece baboseira, mas foi o que me fez quebrar barreiras auto impostas, ou construídas por terceiros. Nós temos que assumir o protagonismo da nossa vida, não com complexo de super homem ou de deus. É mais sensato buscar a proximidade com pessoas que tem esses mesmos anseios e fortalecer propostas pedagógicas, as quais devem ser mais ligadas com a realidade dos nossos alunos, do país em que vivemos e do contexto histórico conturbado e de retrocesso pelo qual estamos passando.

Agora a parte que dos dados repetitivos e que não necessariamente revelam muita coisa: sou um jovem adulto de 29 anos (lá se vão meus 20), muita coisa aconteceu nesse tempo, uma dose cavalar de sofrimento e humilhação (bullying etc e tal, além de outras coisas muito pessoais). Eu gosto de dar aula, mas aquela aula em que os alunos são cativados, tentam participar e é algo prazeroso para nós. Eu gosto de ler. Historiografia prefiro os autores que não se acham importantes de mais e esqueceram completamente a objetividade do método científico, ou seja, não gosto de quem tem um ego inchado e escreve de forma chata e esotérica. Um dos últimos livros que me cativou foi "Caetana diz não", da Sandra Lauderdale (procurem aí).
Ando sem lenço, nem documento pelas ruas de Manaus, mas apesar: do povo mala (alguns eram gente boa) que me indispus; desse ser o meu primeiro ano; do choque cultural; da ausência de família e amigos; do isolamento, enfim, eu continuo de pé e nem um filho da puta vai me derrubar.