Blog do Fernando Taveira naufragou sem o wilson e sem baleia
domingo, 1 de outubro de 2023
A fragilidade das coisas boas, a felicidade é realmente como o Tom Zé canta (e pra que diabos a gente têm que estar feliz o tempo todo?! Dá pra ajeitar a casa, limpar o quarto e lavar louça e se distanciar de qualquer coisa que te faz mal) e hoje sou um homem de 36 anos com dor nos joelhos, pois botou corrida na caminhada. E arnica é bom. Não curti bolsas de gelo. E este é o título do texto.
Simplesmente e sinceramente
Queria dizer que aprendi
sábado, 30 de setembro de 2023
A felicidade desabou sobre a humanidade e os homens
Que deusa cruel ela é. Sua corte é cheia de gigantes de nuvem, água e areia. Eles vão correndo em uma praia de água salgada na nossa mente. A praia não tem fim e nós vamos segurando alguns pedaços deles por alguns segundos. Ganhamos o poder e maldição de visão de coisas que já não voltam mais. De um milhão de condições e cacarecos que precisamos comprar com nosso tempo de vida para adentrarmos, em farrapos, no salão da Felicidade.
O salão é uma ampulheta. Ela chacoalha e escorregamos lá de dentro enquanto grãos de areia caem em sobre nós. Todas os condicionantes e cacarecos já estão em desuso. Precisamos substituir por mais lixo de plástico e metal.
Nossa vida é tão curta e não aprendi nada. Talvez é o que eu sinta às vezes, mas só por que foi mandado por Ilusão, a irmã de Felicidade: precisamos ter isso; viajar pra outro lado do mundo, mas as fronteiras foram feitas para as pessoas e não o dinheiro, li em algum lugar que não me lembro; ser praieiro e cheio de gente feliz, colorida e bebericando drinks e isso é ser feliz.
Sou massinha de modelar e queria ser um porco espinho.
quarta-feira, 27 de setembro de 2023
A bilionésima ou zilionésima pessoa a falar sobre desamor
Primeiro tenho que saber se o que eu senti foi paixão, amor, ou só um período de insanidade temporariamente renovada a mensalidade e estendida por uns 3 meses. Não estaria escrevendo e pensando obsessivamente nisso se não fosse no mínimo uma apaixonite ou amorzite.
Caramba, a mensalidade é bem melhor na matrícula. O veículo sai andando. E quando o fim chega, tipo a música do The Doors, uma bagunça meio inspirada por álcool ou outro entorpecente, eu fiquei zonzo e me sentindo um adolescente. Pensando insistentemente em algo que já acabou e que a pessoa não tem interesse de me dar o que quero, ainda que, na minha obsessão, eu daria um rim pra ela. Ou até a gente se conhecer melhor e passar o encanto.
Vi uma mulher na academia e era uma possível nova você, minha tinderela do inner circle. Que eu poderia usar os óculos da embriaguez de pseudo amor, tomar um LSD e exagerar as qualidades dela. Criar um monte de expectativas. Enfim, nada de muito original a dizer. Só que geralmente, existe a fala misógina sobre você estar bêbado o suficiente pra ficar com uma mulher feia. E que mala sem alça eu era pra falar uma babaquice dessa algum dia.
De todo modo, voltando da divagação, acho que é só isso. A gente quer afeto e exagera as qualidades e ignora os defeitos por tempo x. Aí dá o tempo x, as qualidades somem e o número y de defeitos se tornam intoleráveis, ou outra desculpa pra descartar a pessoa e o relacionamento logo surgem. Tudo é muito rápido e fajuto. Essa é a sensação que sinto.
A mulher da academia pode ser uma pessoa maravilhosa. Ainda por cima, poderia me ver, pensar o mesmo de mim e desejar me conhecer. Aí eu digo pro meu cérebro de macaco sem pelo: nem! Viu só como é fácil você criar fanfic ou buscar sarna pra se coçar. Academia é só pra eu poder continuar comendo como se eu fosse um hutt do Star Wars sem infartar ou ficar diabético. E soltar parte da radioatividade que ficou presa dentro de mim quando Chernobyl explodiu e você partiu. Ou talvez foi uma barragem que rompeu, ou o vulcão que destruiu Pompéia (Etna? Não, Vesúvio). Foi uma falha catastrófica que insisti em ignorar e lá vão as pessoas do leste Europeu do meu coração se desfazerem pós contaminação com radiação, só por que fui negligente e imaturo.
15 minutos de esteira. É o que eu preciso para suar como um suíno antes do abate e pra esquecer um pouco o ruído, ficar me torturando com música romântica* e mais um pouco de você que ficou dentro de mim. Um monte de baboseira que precisava (?) escrever. O bom de escrever: me sinto mais estúpido a cada texto novo. Em breve, vou ser um mineral e não vou ter mais essas angústias.
*Ou melhor, já estou cortando esse masoquismo. Alimentar minha mente com qualquer coisa, menos com essa forma juvenil de amar e se apaixonar
domingo, 24 de setembro de 2023
O super homem neoliberal
O ódio fugiu para um recanto profundo na minha mente. Sentimento escroto e covarde que não é realmente suficiente para sustentar um ser humano que caminha nu pelo inferno.
O que restou não foi o vazio. Quase isso. Um pouco de vergonha pela minha ingenuidade e estupidez, que um homem de 34 anos não deveria mais ter.
Dois amigos me falaram sobre como enxergam e lidam com a vida e suas dificuldades que são obrigados a enfrentar.
O primeiro amigo é professor. Então fez muito mais sentido pra mim o que ele disse.
O segundo amigo é um autônomo. Eu discordei completamente do que ele falou. Entretanto, não vou mais me expor ou ser sensível. E nem ter o queixo de contra argumentar quando eu estou me sentindo um completo idiota.
Nem deveria publicar esse lixo, mas ao menos substituí o ódio pelo quase nada, o cansaço e a sensação de que tudo isso é uma piada de mau gosto. 18/12/2020
Curto as músicas do Criolo
Especialmente o álbum "Convoque seu buda". Talvez você também goste, mas não se anime, pois vem o fatídico. "mas" pela frente.
Ele menciona a situação vexatória que é ser professor no Brasil, mas (viu, disse que estava vindo), lá pelas tantas faixas, ele fala sobre como "intelectual gosta mais de pobreza (ou pobre, não me lembro bem), mais que nutella. Um estereótipo bem batido. Estava ouvindo a música com tanto gosto, me sentindo vivo e sentindo tesão. Isso foi um puta tapa na cara.
Era de se esperar que uma pessoa tão talentosa, sensível e inteligente não desse essas pisadas na bola.
Amigão, que diabos você acha que um professor é (ou deveria tentar ser, caso não precisasse trabalhar 12h) pra sustentar os filhos?! Ah, me poupe e vá tomar no seu cu. Você não sabe sobre que diabos está falando!!!
Eu matei minha amizade
Uma vez li em um livro sobre bonsai, do Fabio Antakly Noronha, que as pessoas costumam dizer "a minha planta morreu", mas a frase correta é "eu matei a minha planta", pois você não dedicou 5 min do seu dia para suprir as necessidades delw, afinal de contas, é um ser vivo.
As pessoas costumam usar as agruras da vida adulta para negligenciar várias coisas, dentre elas, as amizades.
Eu costumava (ao menos espero ter superado essa parte do complexo de Peter Pan), que não existiam amizades na vida adulta, pois usava como padrão as relações construídas com colegas de universidade, quando éramos muito mais jovens, estávamos confinados na masmorra do aprendizado superior e as demandas, exigências da vida eram muito mais leves, especialmente para o jovem branco, hétero e de classe média (ou para os que faziam cosplay de pobre).
Hoje em dia, uma amiga me mostrou que eu estava errado. Não dá pra estar com seu amig@ a tira colo na vida adulta, mas você pode reservar uns minutos, ou até mais tempo para conversar, fofocar, rir juntos e se compadecer com o sofrimento do seu amig@, buscar apoiar ou só ouvir.
A falta de amizades verdadeiras é algo que te corrói por dentro, vagarosamente, e você pode sentir a podridão se alastrando. Entao, reserve um poouco de tempo e cuide das suas "plantas".
*O mesmo vale para família.
13/12/2020