domingo, 1 de outubro de 2023

A fragilidade das coisas boas, a felicidade é realmente como o Tom Zé canta (e pra que diabos a gente têm que estar feliz o tempo todo?! Dá pra ajeitar a casa, limpar o quarto e lavar louça e se distanciar de qualquer coisa que te faz mal) e hoje sou um homem de 36 anos com dor nos joelhos, pois botou corrida na caminhada. E arnica é bom. Não curti bolsas de gelo. E este é o título do texto.

 

Atraente é estar bem consigo mesmo. E não ter ninguém enchendo o teu saco. Ou melhor, é possível reduzir o poder que você dá para as outras pessoas encherem seu saco.
Acho que isolamento, egocentrismo, impulsividade. E só falar e não ouvir é o que gera baixo auto estima (encarar esse pesadelo distópico que é o capitalismo tardio também não ajuda) e a infelicidade.
Precisamos ser completos. Ou ao menos , buscar isso. As pessoas se vão, ou caminhos divergem e deixam vazios gigantescos. Têm muita gente que parte e é um livramento. Espero nunca mais ser este tipo de pessoa. Tenho plena consciência que já fui.
Não tenho nada pronto e resolvido. Essas coisas que citei ajudam, mas a vida é complexa demais pra respostas simples.
Vários dias tomar café preto, pegar um sol e ouvir Mutantes ou Secos e Molhados me deixa mais feliz. Outros dias são mais difíceis. A teimosia de continuar vivendo de continuar aprendendo. Buscar soluções e ter a contra mola (fonte: Primavera nos dentes) pra resistir à essa coisa que se chama vida adulta.
Não ser uma pessoa escrota (desleal, covarde, infantil ou cruel), não me cercar desse tipo de gente. Desconhecidos são caixinhas de surpresa. E raramente são boas. Família que não é bolsonarista é top show bala. E a gente precisa se conectar e se nutrir de contato humano, mas não de qualquer porcaria que apareça (amizades ou relacionamentos amorosos).
Esse texto poderia virar um livro que eu não quero escrever e nem viver. Prefiro descrever a parte do final feliz. A justiça foi feita. Ou a falha de comunicação e presepadas de comédia romântica foram resolvidas. Ou os problemas da vida real forem amenizados.
Quero aprender cada regra idiota e colonizada da Gramática dos Saqueadores. Somente para depois errar propositalmente. Não usar mais letra maiúscula e brincar com as palavras como as crianças fazem antes de nos botarem um monte de camisas de força.
É engraçado como a vida sob essa ditadura capitalista pode te roubar o sorriso, os sonhos, a esperança e a cordialidade. Ser você mesmo se torna uma ousadia, subversivo até. E não estou falando de gente espalhafatosa, barulhenta e que precisa de atenção.
Escrever esse texto mesmo sabendo que várias pessoas não vão poder ter acesso a ele, não tornou menos prazeroso o ato de me permitir sonhar e de buscar botar em palavras sentimentos muito difíceis de explicar. Aquele desconforto de comida preso no dente é semelhante ao de quando a gente não consegue expressar como a gente enxerga o mundo e como ele nos faz sentir. Cada sentimento. Cada cor. Cada momento. Cada. Cada. Cada. Você não pode repetir a mesma palavra. Cada textura. Cada sensação na sua pele, até enfiar os pés na lama e a árvore que eu plantei anos atrás, mas agora fui obrigado a cortar. Foi agradável o exercício e pensar como o tempo passa rápido. Duro aceitar que se você não pode compartilhar palavras, lutas e sonhos com as pessoas que mais ama, eles perdem o sentido.
Não nego a imprudência, não usei óculos de proteção. Serrote é tão chato. Monótono quanto essa parte se tornou. Aí eu lembro que os passarinhos e eu fizemos mudas da árvore. Que vou cortar um pedaço dela e fazer uma nova árvore, ou, pra quem conhece:estaca/estaquia. Lembro que encerrei um ciclo e começo um novo. Que não posso controlar tudo, que a vida é efêmera, que o céu é azul e que blá blá blá. Quá quá quá. Insira a platitude que quiser. Nem tudo precisa ser a porra daquela chatura do Machado de Assis. Ou até mesmo autores que curto e são chiques de citar pra dar uma de culto ou inteligente (Saramago e Amado).
É engraçado: namorei uma garota e ela disse que achava que Chico Buarque era algo que gente burra ouvia pra se fazer de inteligente. E olha que tem um fundo de verdade. O que me faz sorrir é que ela era a sabe tudo personificada (coisa que me atraiu por ela pra começo de conversa) e ela tinha amigos muito, mas muitooooo malas, egocêntricos, puxa saco de quem estava mais alto na hierarquia e radioativos com seus pares.
Bom, acho que Construção é lindo (é prepotência se sentir no direito de dizer quem é burro ou inteligente), mas Cartola é melhor e realmente viveu o que e sobre o que cantou. O Buarque interpretou, botou em palavras e gravou. A classe média endeusa este. Até os direitistas, o que me faz rir é hilário, pois é uma contradição gigantesca: meu chapa, ele foi exilado e vota no PT. Vá ouvir Gustavo Lima que tá mais apropriado pra você. Na verdade, taí, faço uma concessão: você merece ouvir Bossa Nova a música ideal pra gente colonizada, conservadora e elitista.
Me perdi aí nesse monólogo, moças e moços.
Um dia eu era um menino de 6 anos e hoje sou um homem com 36. Agora não repeti a palavra só pq ou por que ou porque ou pôr quê ou por querer ser livre, amar e sorrir quando me der vontade.
O cara lá era exagerado. Eu sou verborrágico e falastrão. Deveria ser bonachão e diplomático. Sem álcool fica puxado. Focar em alegria, delicadeza, carinho e amor já tá de bom tamanho.
*** Importante ressaltar: aparência importa mais que a essência então vou dominar COMPLETAMENTE (ad nauseam) a norma culta e comprar as roupas que as pessoas acham adequadas. É divertido lembrar como as véia e outras caricaturas com carne humana te tratam melhor se você estiver usando camisa social. E têm vários outros recortes que vão dificultar a tua vida se você não se encaixar no que a sociedade te coage a ser.

29/ de abril

Simplesmente e sinceramente

 Queria dizer que aprendi

Que amei
Chorei
Pedi perdão. Não em busca de redenção, mas era o que o me disse o meu coração
Caí
Levantei
Sangrei e sarei
As cicatrizes deixam a pele mais áspera
As lembranças podem abrandar a mente e as palavras
Queria dizer que não desisti de sonhar e ter esperança
Abstrações e beleza só fazem sentido coletivamente
Lágrimas são sementes se você tiver um pouco de paciência
Algumas flores e borboletas perecem cedo demais. E o mundo fica pior por isso 22 de maio

sábado, 30 de setembro de 2023

A felicidade desabou sobre a humanidade e os homens

 Que deusa cruel ela é. Sua corte é cheia de gigantes de nuvem, água e areia. Eles vão correndo em uma praia de água salgada na nossa mente. A praia não tem fim e nós vamos segurando alguns pedaços deles por alguns segundos. Ganhamos o poder e maldição de visão de coisas que já não voltam mais. De um milhão de condições e cacarecos que precisamos comprar com nosso tempo de vida para adentrarmos, em farrapos, no salão da Felicidade. 

O salão é uma ampulheta. Ela chacoalha e escorregamos lá de dentro enquanto grãos de areia caem em sobre nós. Todas os condicionantes e cacarecos já estão em desuso. Precisamos substituir por mais lixo de plástico e metal. 

Nossa vida é tão curta e não aprendi nada. Talvez é o que eu sinta às vezes, mas só por que foi mandado por Ilusão, a irmã de Felicidade: precisamos ter isso; viajar pra outro lado do mundo, mas as fronteiras foram feitas para as pessoas e não o dinheiro, li em algum lugar que não me lembro; ser praieiro e cheio de gente feliz, colorida e bebericando drinks e isso é ser feliz.

Sou massinha de modelar e queria ser um porco espinho. 

quarta-feira, 27 de setembro de 2023

A bilionésima ou zilionésima pessoa a falar sobre desamor

 Primeiro tenho que saber se o que eu senti foi paixão, amor, ou só um período de insanidade temporariamente renovada a mensalidade e estendida por uns 3 meses. Não estaria escrevendo e pensando obsessivamente nisso se não fosse no mínimo uma apaixonite ou amorzite. 

Caramba, a mensalidade é bem melhor na matrícula. O veículo sai andando. E quando o fim chega, tipo a música do The Doors, uma bagunça meio inspirada por álcool ou outro entorpecente, eu fiquei zonzo e me sentindo um adolescente. Pensando insistentemente em algo que já acabou e que a pessoa não tem interesse de me dar o que quero, ainda que, na minha obsessão, eu daria um rim pra ela. Ou até a gente se conhecer melhor e passar o encanto. 

Vi uma mulher na academia e era uma possível nova você, minha tinderela do inner circle. Que eu poderia usar os óculos da embriaguez de pseudo amor, tomar um LSD e exagerar as qualidades dela. Criar um monte de expectativas. Enfim, nada de muito original a dizer. Só que geralmente, existe a fala misógina sobre você estar bêbado o suficiente pra ficar com uma mulher feia. E que mala sem alça eu era pra falar uma babaquice dessa algum dia. 

De todo modo, voltando da divagação, acho que é só isso. A gente quer afeto e exagera as qualidades e ignora os defeitos por tempo x. Aí dá o tempo x, as qualidades somem e o número y de defeitos se tornam intoleráveis, ou outra desculpa pra descartar a pessoa e o relacionamento logo surgem. Tudo é muito rápido e fajuto. Essa é a sensação que sinto.

A mulher da academia pode ser uma pessoa maravilhosa. Ainda por cima, poderia me ver, pensar o mesmo de mim e desejar me conhecer. Aí eu digo pro meu cérebro de macaco sem pelo: nem! Viu só como é fácil você criar fanfic ou buscar sarna pra se coçar. Academia é só pra eu poder continuar comendo como se eu fosse um hutt do Star Wars sem infartar ou ficar diabético. E soltar parte da radioatividade que ficou presa dentro de mim quando Chernobyl explodiu e você partiu. Ou talvez foi uma barragem que rompeu, ou o vulcão que destruiu Pompéia (Etna? Não, Vesúvio). Foi uma falha catastrófica que insisti em ignorar e lá vão as pessoas do leste Europeu do meu coração se desfazerem pós contaminação com radiação, só por que fui negligente e imaturo.

15 minutos de esteira. É o que eu preciso para suar como um suíno antes do abate e pra esquecer um pouco o ruído, ficar me torturando com música romântica* e mais um pouco de você que ficou dentro de mim. Um monte de baboseira que precisava (?) escrever. O bom de escrever: me sinto mais estúpido a cada texto novo. Em breve, vou ser um mineral e não vou ter mais essas angústias.

*Ou melhor, já estou cortando esse masoquismo. Alimentar minha mente com qualquer coisa, menos com essa forma juvenil de amar e se apaixonar

domingo, 24 de setembro de 2023

O super homem neoliberal

 O ódio fugiu para um recanto profundo na minha mente. Sentimento escroto e covarde que não é realmente suficiente para sustentar um ser humano que caminha nu pelo inferno.

O que restou não foi o vazio. Quase isso. Um pouco de vergonha pela minha ingenuidade e estupidez, que um homem de 34 anos não deveria mais ter.

Dois amigos me falaram sobre como enxergam e lidam com a vida e suas dificuldades que são obrigados a enfrentar.

O primeiro amigo é professor. Então fez muito mais sentido pra mim o que ele disse.

O segundo amigo é um autônomo. Eu discordei completamente do que ele falou. Entretanto, não vou mais me expor ou ser sensível. E nem ter o queixo de contra argumentar quando eu estou me sentindo um completo idiota.

Nem deveria publicar esse lixo, mas ao menos substituí o ódio pelo quase nada, o cansaço e a sensação de que tudo isso é uma piada de mau gosto. 18/12/2020


Curto as músicas do Criolo

 Especialmente o álbum "Convoque seu buda". Talvez você também goste, mas não se anime, pois vem o fatídico. "mas" pela frente. 

Ele menciona a situação vexatória que é ser professor no Brasil, mas (viu, disse que estava vindo), lá pelas tantas faixas, ele fala sobre como "intelectual gosta mais de pobreza (ou pobre, não me lembro bem), mais que nutella. Um estereótipo bem batido. Estava ouvindo a música com tanto gosto, me sentindo vivo e sentindo tesão. Isso foi um puta tapa na cara.

Era de se esperar que uma pessoa tão talentosa, sensível e inteligente não desse essas pisadas na bola.

Amigão, que diabos você acha que um professor é (ou deveria tentar ser, caso não precisasse trabalhar 12h) pra sustentar os filhos?! Ah, me poupe e vá tomar no seu cu. Você não sabe sobre que diabos está falando!!!


17/12/20

Eu matei minha amizade

 Uma vez li em um livro sobre bonsai, do Fabio Antakly Noronha, que as pessoas costumam dizer "a minha planta morreu", mas a frase correta é "eu matei a minha planta", pois você não dedicou 5 min do seu dia para suprir as necessidades delw, afinal de contas, é um ser vivo. 

As pessoas costumam usar as agruras da vida adulta para negligenciar várias coisas, dentre elas, as amizades. 

Eu costumava (ao menos espero ter superado essa parte do complexo de Peter Pan), que não existiam amizades na vida adulta, pois usava como padrão as relações construídas com colegas de universidade, quando éramos muito mais jovens, estávamos confinados na masmorra do aprendizado superior e as demandas, exigências da vida eram muito mais leves, especialmente para o jovem branco, hétero e de classe média (ou para os que faziam cosplay de pobre).

Hoje em dia, uma amiga me mostrou que eu estava errado. Não dá pra estar com seu amig@ a tira colo na vida adulta, mas você pode reservar uns minutos, ou até mais tempo para conversar, fofocar, rir juntos e se compadecer com o sofrimento do seu amig@, buscar apoiar ou só ouvir.

A falta de amizades verdadeiras é algo que te corrói por dentro, vagarosamente, e você pode sentir a podridão se alastrando. Entao, reserve um poouco de tempo e cuide das suas "plantas". 

*O mesmo vale para família.


13/12/2020