Andando por uma rua de noite, em um bairro central de Belém, pensei sobre os meus privilégios. Sendo um homem branco, heterossexual e de classe média, a pior coisa que pode acontecer comigo é o latrocínio. Nem todo mundo tem essa "sorte".
Se a cor da minha pele ou a minha classe social fossem diferentes, eu estaria sujeito a todo tipo de violência dos agentes armados do Estado. De fato, a probabilidade de eu chegar aos meus 28 anos seria bem menor, levando em conta que 70% dos jovens assassinados são negros.
Outro privilégio que possuo é o de quase sempre poder andar tranquilo na rua, sem ser incomodado por ninguém. Coisa que não se pode dizer de metade da população que possui o gênero errado para andar na rua sem ser assediada ou sofrer alguma violência física. Acontecem algumas vezes (felizmente não muitas), de uma mulher jovem desconhecida estar andando na minha direção e quando ela percebe que tem um homem vindo em sua direção, sua linguagem corporal se transformar completamente, ela fica tensa, olha pra baixo e sua expressão muda, tudo isso, obviamente é por que ela espera que eu fale alguma obscenidade ou só alguma cantada idiota que ela já ouviu mil vezes sem requisitar.
A única situação em que posso imaginar ter que conviver diariamente com isso, é quando era adolescente e sofria bullying. Tinha que ir todo dia para um ambiente hostil e cheio de gente que eu odiava. Realmente não sei como as mulheres lidam com isso. Fico pensando de que formas podemos ajudar a transformar essa mentalidade machista babaca. Acho que abordar gênero em sala de aula é um bom começo.