quarta-feira, 30 de agosto de 2023

as luzes dos prédios

 no terceiro andar vejo os prédios, em um bairro próximo, as luzes piscam. alguém terminou algo íntimo e que não me interessa gastar muito tempo pensando ou descrevendo: funções corporais?! sexo ruim e protocolar?!

elas piscam e eu queria poder me transformar me pássaro, escolher a cozinha mais limpa e cheia de apetrechos caros e limpos por empregadas domésticas e sair cagando pra tudo quanto é lado e derrubando tudo. entretanto, voltaria pro terceiro andar, observaria as luzes solitárias e saberia que mãos negras limpariam a minha mística e mitológica disenteria. então acho que voaria o mais alto que conseguisse. até achar outros pássaros que conseguissem fazer o mesmo ou até ser tragado pela turbina de um avião e virar patê de ganso.

*ler é preciso. é preciso ler. ao invés de uma máquina de senso comum e clichê, você se torna uma metralhadora de pedantismo, conceitos meio deformados que não foi capaz de compreender e plágio regurgitado com alguns pedaços de bobagem da sua cabeça.

quarta-feira, 23 de agosto de 2023

Alucinado e confuso, mas irritado demais pra ser blasé

 Alguém me empresta uma marreta. Vou derrubar os muros que separam as casas.Me dê uma borracha e vou apagar as fronteiras.

Insira reticências, pois todos estamos perdidos e confusos. Eu só não escondo isso tão bem quanto você.

Um dia um engenheiro norte-americano, descendente de indianos, me chamou pra exportar açaí e explorar a minha mão de obra. eu nem fui atrás. tantas escolhas. não me importo com futurologia ou passadologia. 

a vida sempre vai dar uma jeito de explodir na tua cara.
você fica velho e se importa menos que tua roupa tá apertada e não se ajusta bem no teu corpo, ou que os fundilhos e bolsos estão furados. o que é isso quando você gostaria de arrancar toda a sua pele e praticar 
uma lobotomia caseira.
não tem chá, aroma, textura, cor ou beijo, ou remédios, HAJA REMÉDIOS! que vão curar isso.

estamos meio sós e pelados. pelados e largados. com amarras e uma tonelada de clichês sobre nossas 

costas, mãos e pés. então não parece muito útil falar o que estou sentindo.

sexta-feira, 18 de agosto de 2023

A criança faz birra

 Não birra de maconha. Não mirra de rei mago.
Eu estava comportado e minha mãe chegava. Pronto. Começava a fazer um show.

Precisamos de atenção. Até pra ser palhaço ou filho da puta. Você precisa de um interlocutor pra vaiar ou aplaudir. E como o ódio é natural e ilimitado.

Por outro lado, prefiro cafeína e açúcar. E uma dose muito, mas muito limitada de contato humano.

Bebendo café e depois bebendo leite. Música, filme, série e livros me irritam. Que mato sem cachorro. Só com plateia cativa e silenciosa. Ao menos em Plateia os gregos venceram os persas. Ou foi salamina. Salame. Aleatoriedade. Random. Minha mente faz um monte de conexões aleatórias e "nonsensical".
Pegue seu elogio ou desprezo e guarde pra você. É isso.

Enquanto eles dormem

Regurgite pensamentos e intimidades
Bom, eles são o que exatamente. Uma turba manipuladora e manipulável. 
Preciso provar algo ou vencer alguém. Creio que não. Essa gente me causa nojo.
Monólogo cansado: se eu tivesse dinheiro, iam lamber minhas botas e bolas. É verdade. Até umas páginas do primeiro capítulo, quando me cansaria de viver uma mentira e de me sentir só.
Enquanto eles dormem, vou fazer café e jogar jogo de estratégia da minha adolescência.
Dormindo ou acordados. Olhos bem abertos ou bem fechados. Atropelados por um ônibus ou pela consciência de que vão ter que viver com o quanto são escrotos e repulsivos. Faz diferença. Creio que não. A minha cela é uma solitária. E se você tentar se aproximar, bom, consigo dar socos em parede, posso não quebrar teus ossos, mas definitivamente vou tentar, pois você é desleal, covarde e meu inimigo.

Isso é

 É o amor

É a felicidade

É a amizade

É o desejo e libido

Eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu

São ruídos. Nós somos gralhas e papagaios. 

Nós somos o cachorrinho irritante que late na porta de casa

Eu sou o gato que corre e quase é atropelado por alguma pessoa imbecil dirigindo uma máquina de produzir extinção humana em pequena escala

Quando beber café, vou te odiar

 É, cafeína vai entrar na minha corrente sanguínea. As lágrimas secam. O "coração" endurece mais que aço e vou lembrar de como você me traiu e me abandonou. Por que eu deveria te tratar como irmão quando você não me trata assim. Por que eu deveria ser respeitoso quando não existe respeito aqui. Ah e a tecla de interrogação, não sei como se usa. Sou meio boomer desse jeito.
Essas oscilações são escrotas, mas mais escrotos são vocês e as lembranças que tenho de vocês.

Os dois cães dentro de mim

Eu me vejo em você. Me vejo sim. Os homens deitados na rua.

Os homens e mulheres com adoecimento mental severo e sem ninguém para cuidar por eles. Me vejo em vocês. E toda vez que vejo meus semelhantes em situação tão degradante e de tanta dor, meu coração se aperta e me pergunto qual o sentido da vida.
Cada vez que eu vejo esse tipo de cena, fica mais difícil ignorar e continuar andando. Nunca senti fome de verdade. Nunca senti abandono de verdade, ao menos não da minha mãe.
Eu sei, políticas públicas e estado, mas em uma plutocracia não importa a dignidade humana. Quanto mais dos animais que o agronegócio tortura e mata.
Animal irracional, taí, talvez desde o início dos primeiros grupos humanos, alguém inventou um termo para segregar e justificar cometer o mal e a crueldade contra nossos semelhantes.
Sou apenas um homem. Falo palavrão. Me contradigo. Me sinto inútil e impotente. Não consigo enxergar sentido para a vida. Choro mesmo quando chorar não me faz sentir melhor, só mais triste e mais vazio.
Queria uma companheira e dois filhos. Queria cuidar da minha família. Queria estender a mão para o meu semelhante, pois fingir que eles não existem é fingir que toda essa dor que sinto não existe.
Queria abraçar minhas irmãs. Queria abraçar meu irmão e conhecer seu filho.
Amo a minha mãe, mas não sei se realmente sei amar. Eu não sei odiar, ou, ao menos, o ódio só me é cansativo e absurdo. Preferia substitui-lo por justiça e dignidade, talvez a minha tia pudesse me ajudar a entender isso.
Eu não preciso alimentar os cães dentro de mim, pois eles estão enlouquecidos e dilacerando minha carne. Não os culpo. Tanto tempo sem saber sentir. Tanto tempo no vazio do pensamento.