terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Já sou um velho rabugento. Ao menos não acredito em amigo imaginário de adulto

  • Perdi 2 horas da minha vida em um ônibus enquanto ele transitava ao longo do cocô quilométrico que o Duciomar e Zenaldo fizeram ao longo da Augusto Montenegro. Enquanto sentava lá, lembrei do que uma arquiteta pop disse: sobre a necessidade de grandes obras na cidade adotarem medidas para diminuir o impacto da construção, na região planejada. Antes disso, tinha lido uma pichação que reclamava ao Zenaldo e Jatene por mais asfalto. É sintomático da nossa cultura política, mesmo que você desconte o número significativo de gente que não acredita na "democracia" representativa burguesa, ainda assim, boa parte da população é reaça, alienada e apoiadora de projetos neoliberais. Prevejo que ano que vem esse cabeçudo playboy filhote da ditadura vai se reeleger, isso se não for o policial barra traficante. Depois vem um pastor fundamentalista que vai privatizar tudo. Entregar tudo pra iniciativa privada, por uma boa comissão para ele e seus correligionários, como fizeram FHC e Serra.
    O problema é que a única coisa é que não vai ser privatizada são os cus, ah não! Vão ser bem fiscalizados! Todo mundo sabe. É claro que quando os religiosos não estiverem ocupados batendo em suas mulheres, abusando e estuprando crianças e adolescentes ou difundindo discurso de ódio contra gays, religiões afro brasileiras ou o que der na telha de Malafaias alucinados e babões. A questão é que, e me desculpem por isso amiguinhos religiosos, eu tenho uma dificuldade enorme de diferenciar fundamentalismos de religiões monoteístas hegemônicas. Mesmo com um papa latino americano carismático, não limpa os bilhões toneladas de sangue que igreja Católica derramou e ainda vai derramar. Não é atoa que o hermano teve o desplante de afirmar "perdoa" as mulheres que abortaram. PQP.. Enquanto isso, aproveite e continue a proteger os sacerdotes pedófilos e pregar uma visão de sexo, família e mundo bastante ultrapassada. Enfim...divaguei. Feliz ano velho!

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Concurso SEDUC MA 2015

Me inscrevi pro concurso da SEDUC do MA, lá vai grana de inscrição, transporte, comida e estadia. Na correria de concursos, problemas, tretas e outras coisas mais, não me toquei que, de forma absolutamente injusta, metade dos pontos do concurso são pra títulos. Ou seja, se você tiver aguentado 2 anos, em uma faculdade fundo de quintal, de assédio moral e as bolas/vagina de um(a) orientador(a) na sua goela, e não se sair muito mal na prova objetiva, o cargo é seu.
Enquanto caminhava pela rua, isso me entristeceu e ia me deixando puto conforme caminhava e olhava as pessoas ao redor. Depois parei pra refletir sobre essa situação. Por que essa exigência descabida? Bom, não precisa ser um gênio pra sacar o porquê de você estar sendo espoliado, palavra bonita pra enrabamento sem ky, beijinho, carinho e preliminares, POLÍTICA: quando o governador for se reeleger, ele pode dizer, "meus queridos, entupi as salas de aula com mestres e doutores (não sei bem o que a academia prepara alguém para lecionar em uma escola, tendo em vista que saber escolar e acadêmico tem funções, intencionalidades e lógicas distintas) despreparados e infelizes, claro, quem não ficaria triste, aguentar 2 ou 6 anos de culhões ou pepekas megalomanas em sua goela e não poder retribuir isso em uma ambiente insano e irracional que é a nossa bela, elitista e racista academia?!".
Pois é, fiquei menos puto, talvez seja pela racionalização ou por que mais ou menos já tirei ou meu da reta. Vida que segue, como diz uma amiga velha chata.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Tradições pagãs europeias ocidentais


Depois da despedida com minha namorada no shopping C., procurei a direção do tobogã do Duciomar. Subi uma escada e perguntei onde ficava o dito cujo para um guarda, ele não me entendeu, então falei que era o troço para cruzar a br, ele me olhou com uma cara feia e me deu as direções, nossas vidas nunca mais vão se encontrar, eu acho.
Enquanto cruzava aquele monumento ao absurdo, pensei nos milhões desviados pelo Duciomar, PSDB e Cia. e lembrei de uma mulher grávida (ou com uma doença grave) dormia ou estava desfalecida na calçada. Agora penso no nosso poder público escroto e em nossa cultura política mais débil ainda (*calma, meu confrade classe média, porém bunda mole e reaça, o problema não são os impostos excessivos ou o Bolsa Família e muito menos as Cotas sociais e raciais) e me pergunto se o ônibus não deveria ter parado e nos não deveríamos ter ajudado um ser humano como nós? Me pergunto se o mundo não deveria ter parado naquele momento e se a humanidade não é um erro. Lembro que o comediante Louis C.K relatou que a 1° vez que uma parente dele visitou Nova York, ela se chocou com um morador de rua, sentado na calçada, se ajoelhou ao lado dele e disse “Senhor, o você precisa de ajuda?”, e ele contou bem ironicamente para a plateia como teve que explicar para ela que em metrópoles o modo correto de levar a vida é a apatia e a indiferença em relação aos nossos semelhantes.
Sabe de uma coisa coleguinhas, muita gente achar esse texto meloso ou coisa de petralha. Porém, sei que não estou só nessa indignação e espero nunca perdê-la. Em duas notas mais alegres para animar esse texto "downer": em um mundo opressor sempre existirão vozes dissonantes ou mesmo pessoas destemidas que darão suas vidas pela dignidade humana e em prol de uma de sociedadmais igualitária
Eu atravessei aquela ponte de sangue e sofrimento para adotar o Tucupi, meu gatinho.

P.s: Te amo Keylla Cileny Gomes da Paixão, você é uma das poucas pessoas me mantendo são nesse ano maldito.
P.s2: Enquanto escrevia isso, chovia, a água escorria dos telhados, o lixo escorria pela sarjeta como uma metáfora barata que eu sentia. Agora almocei o céu clareou, o vento bate, estou de estômago cheio, ia falar da hipocrisia dos cristãos, mas prefiro lembrar que pessoas de inúmeras origens estão cometendo crueldades agora. Nossos papeis que interpretamos para sobreviver ou para nos defender, pelo menos vamos tentar causar menor quantidade de danos ao longo do caminho.


















quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Alguns comentários sobre o filme Mysterious skins (Mistérios da carne)

O filme trabalha com alguns temas muito difíceis de serem abordados: pedofilia, prostituição, estupro e Aids. Entretanto, não é preciso de tanto preparo emocional para assisti-lo, acredito que seja pelo fato dos personagens não serem unidimensionais ou caricatos. Podemos conhecer ou intuir um pouco da personalidade de cada um, vemos a vida familiar, os anseios e frustrações, as suas amizades. Enfim, vemos eles na sua totalidade e não somente reduzidos como vítimas de uma violência abominável.
Duas questões do filme me tocaram bastante. A mais importante foi que a obra reconhece que as pessoas lidam de forma diferente com os traumas. Essa subjetividade é fundamental ao tentarmos compreender o outro em suas limitações e potencialidades, qualidades e defeitos, dessa forma, podemos orientar de forma podemos nos preservar, mas também ajudar quem merece nossa ajuda.
Outro fator importante foi uma cena em que um homem soropositivo paga o garoto para tocá-lo. Esse anseio por contato humano, por pertencer e por fazer parte de algo, por menor que seja, é algo que pode nos destruir se subitamente nos for negado.
Por fim, fico pensando se o filme não reforça uma visão abolicionista da prostituição. O que você acha? É algo a ser refletido e debatido. Até a próxima.

http://www.imdb.com/title/tt0370986/

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Textos que a gente lê porque o concurso nos obriga (mas esse é exceção e até que presta): "A guerra das narrativas", de Christian Laville.


O autor discute a questão de poder que envolve a determinação dos currículos de História. A intencionalidade que o ensino da disciplina costumava ter: formar cidadãos-súditos e reforçar/legitimar o ideário nacionalista e o paradoxo: essa é uma noção obsoleta e não é mais uma atribuição do ensino de História, mas diversos grupos, em diversos países tentam impor impingir esse tipo de conteúdo aos professores e alunos. Além disso, ele desconstrói a ideia de que a História (acho que em certos momentos de forma ingênua) realmente tenha esse poder de conquistar corações e almas ou interferir significativamente na visão de mundo de ninguém, porque as pessoas muitas vezes vão na contra mão do que se ensina em sala de aula e aquelas funções recairiam sobre a família e a toda poderosa mídia.
Bom, é bem contraditório essa parte final do discurso produzido pelo autor. Os alunos têm o poder de ressignificar, contestar e subverter os conteúdos de História (o que é bom até o ponto em que não descambe em negacionismo e fascismo), mas aceitam bovinamente as mensagens explícitas ou implícitas da mídia?! Não acredito que a maioria das pessoas engula o “mito da democracia racial” propalado pela rede Globo e suas congêneres, ou que a sociedade brasileira seja quase uma Noruega sul-americana, em que as elites brancas “refinadas” sofrem seus dramas em um Português engessado (como disse Marcos Bagno) e os negros sabem seu lugar: periferia e empregos subalternos.
Essa hipótese me parece absurda, especialmente em um contexto de conquistas do movimento negro e dos afro-brasileiros em geral. Além disso, pra bem ou pra mal, contamos com a internet (descontando o fato de que o autor escreveu seu texto em 99) que serve como um local de troca de ideias, ponto de encontro e espaço de visibilidade para quem não tem voz e vez na velha mídia.
Por fim, ele usa tanto o “raio relativizador” (apesar reconhecer explicitamente que o ensino de História é importante para o fortalecimento da democracia) que ao fim da leitura do texto uma pessoa mais vulnerável ou ingênua pode até pensar que o ensino de História é um exercício do absurdo e uma grande perda de tempo. Eu andei me questionando sobre isso, especialmente porque vivemos em um país dominado por latifundiários, fundamentalistas, fascistas e refém do grande capital. Se nutrirmos um complexo de deus, de fato vamos viver frustrados, mas creio que uma aula bem dada pode ser muito transformadora, formar seres humanos melhores e isso tem um potencial de irradiar a mudança. Então, sim, ser professor vale a pena e o ensino de História é fundamental.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Crianças de terno e gravata


Na frente de um prédio/falo público, várias crianças de terno e gravata se reuniam. Pareciam pavões ciscando, orgulhosos das suas penas, se bem que as penas das crianças eram tristes, um amontoado preto e cinza. Enfeites absurdos para o calor torrencial de Belém.
Essa é a hora em que alguém liga o raio relativizador: Elas precisam dessas fantasias para entrarem no prédio público e terem o direito de falar e serem ouvidas. Seus clientes podem até entrar sem esses enfeites. De fato, eu responderia, o terno marca quem fala e quem ouve, quem manda e quem obedece.
O patriarca é tão benevolente que deixa o peão entrar na Casa grande, é claro que de chapéu na mão e cabeça abaixada. Pode até pegar alguma migalha que caia da mesa. Eu sei disso, porque sempre estive na mesa. O problema é que essa mesa é muito comprida, se estende do pobre de direita, meu contemporâneo, até o escravo capataz e dono de escravos, ou, ainda, o capitão do mato encarregado de recapturar seus semelhantes, em nosso passado colonial.
A realidade e a sociedade são complicadas demais para serem encaixadas em maniqueísmos, reduzidas entre opressores e oprimidos, ou algozes e vítimas. Se fosse diferente, as mudanças não seriam tão lentas e acompanhariam os voos que a nossa imaginação pode empreender. As crianças não desejariam usar ternos e defender/gerenciar o latifúndio ou o pecúlio e a classe média não almejaria enriquecer (coisa que nunca vai conseguir fazer, a menos que explorem muito ou roubem mais ainda).
“As pessoas na sala de jantar estão preocupadas em nascer e morrer”, as crianças vão ter filhos, a quem também será incutida a ideia de usar ternos, consumir: “comprar coisas que não precisam, para agradar gente que não gostam”, vão andar maquiadas e com roupas caras no shopping e ter horror dos pobres que agora podem andar de avião.
Talvez esse texto seja um clichê, mas, de qualquer forma, sei que eu também sou/fui uma criança. Há muitos anos atrás, andava nu pelo quintal de casa, um dia tiraram uma foto em que eu segurava uma gaiola com um passarinho. Eu queria só que então já soubesse abstrair o conceito de liberdade e ter consciência que o passarinho deveria estar voando livre, sem trocadilho.

Por outro lado, não gostaria de ter absorvido tantas coisas opressoras que a sociedade nos impõe, de forma intencional ou não. Preferia ter amadurecido a minha liberdade e saber que é absurdo priorizar a opinião alheia para moldar a nossa conduta, ao invés de escutar o que a nossa voz interna nos diz, a partir de reflexão e diálogo com pessoas que realmente importam. “Nade deve parecer impossível de mudar”, ainda é tempo.    

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Animal raro na Amazônia e no mundo

Caminhando na rua, comecei a perceber um bicho esquisito. Tinha um jeito de se portar e um olhar diferente. Ia descendo uma rua do centro, impassível, entre belas jovens e mulheres, entretanto, em nenhum momento esse mamífero improvável disse alguma obscenidade, interpelou, ou atrapalhou de qualquer forma o trajeto dessas pessoas.
Fiquei tão intrigado que intensifiquei meu olhar e consegui decifrar os recantos mais íntimos da mente desse espécime. Ele nunca tentou manipular suas semelhantes para as fazer acreditar que era seu amigo. A ideia de tentar manipular outras pessoas para conseguir relacionamentos, companhia ou sexo lhe parecia absurda. Não entendia como um macho poderia fazer isso e, ao ser rejeitado, pensar que era um “cara legal” que foi injustiçado por uma “puta”, ou outro termo curioso que esses cérebros cheio de testosterona e excremento inventam.
Ele me olhou e naquele instante eu sabia que esse ser nunca se arrogaria direitos de proprietário sobre o corpo alheio: de namoradas, esposas ou ex-companheiras. Ele era belo e sensível demais para forçar o seu desejo sexual sobre uma pessoa vulnerável que não estava em condições de consentir (por ser menor de idade, por estar inconsciente ou embriagada; ou se aproveitar de qualquer outra relação de poder desigual, se utilizar da hierarquia para fazer valer impulsos vis e animalescos).
Estava andando ao lado desse ser brilhante e inspirador. Ele não era eu, talvez fosse o que o meu filho pode ser, ou mesmo, o filho dele. Espero dar alguns passos nessa trajetória e sobreviver nessa ideia, compartilhada por diversas pessoas. Talvez nós inspiremos outras gerações a superarem nossas limitações e barbárie.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Uma noite ruim e dois ovos podres

Tive uma noite meio ruim. É, esse blog tem tomado um tom de “querido diário”, já me adianto ao seu julgamento, ou o que eu penso que seria o seu suposto julgamento, querid@ leitor(a). Talvez, realmente, quem saiba, o meu conteúdo seja bem pubescente (será?). Acho que no futuro posso escrever sobre Baudelaire e literatura francesa do século XVIII e XIX (ou algum tema nessa linha Darntoniana*).
Pois é, depois de fazer toda essa divagação, tive uma noite meio ruim. Cheguei em casa e fui fazer um omelete de atum. Separei 3 ovos. Quebrei um ovo, tudo bem, depois quebrei o outro, só que ele estava podre. Enojado, joguei essa bagaça fora. Fiz o mesmo processo de novo, porém, aconteceu a mesma coisa, na mesma ordem. Eu poderia ser supersticioso, ter um pensamento mágico e relacionar os ovos podres com a minha noite ruim. Para botar de outra forma, poderia ser místico, ou, pra dizer o que eu realmente penso sobre essa categoria: pessoa ocidental, privilegiada e com nível superior, mas que tá cagando pro método científico e acredita em milagres, horóscopo ou em um deus pessoal que responde às suas orações, mas não tem muito tempo para resolver as atrocidades que os macacos sem pelo cometem.
Esse é o ponto da discussão/divagação que tenho que alertar que estou falando sobre religiões monoteístas hegemônicas. Eu sei que europeus, gringos e brancos se utilizam/ram da ciência para justificar colonialismo e opressão dos povos indígenas, africanos e asiáticos.  Eu sei que a produção científica não é neutra e que muitos intelectuais estão/estiveram do lado de impérios e legitimam/legitimaram inúmeras opressões.
Dito tudo isso, sei que tem, talvez, um milhão de pessoas que foram cozinhar ovos e tiveram o azar de quebrar ovos podres. Nesse universo, estou entre as pessoas que tiveram uma noite ruim. Talvez eu seja um cientificista e uma série de outras coisas escrotas, mas me lembrei que se você botar o ovo em um copo d’água e ele não boiar, então tá de boa, por que só ovos podres boiam, parece que as bactérias produzem metano e isso faz a podridão flutuar [insira uma metáfora bonitinha]. Segui esse conhecimento e, muito importante, passei um pouquinho de óleo na coisinha de fazer omeletes e ele não se despedaçou, aparentemente é uma falha de caráter se você deixa ele se despedaçar.


*Robert Darnton, historiador gringo.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

O aborto masculino


      O aborto masculino nunca é posto em evidência no debate público, o que diz muito sobre a nossa sociedade.Por isso aquela frase de protesto faz tanto sentido: anticoncepcional para não engravidar e aborto legalizado para não morrer.

     É impressionante que quando um pai solteiro cumpre a obrigação dele (se tanto), é um herói. Agora quando é uma mãe solteira, a coisa muda de figura, recaem uma série de preconceitos sobre ela, o seu caráter e seu direito de exercer sua sexualidade são policiados e escrutinados.
     Quando um pai aborta, isto é, se desobriga dos seus deveres, aí surgem teses filosóficas em defesa da negligência, egoísmo e irresponsabilidade masculinas. Se um dia eu tiver a sorte de ter filhos, espero criar um filho com a mesma noção de responsabilidade e cobrar dele as mesmas coisas que cobraria de uma filha.

http://www.geledes.org.br/a-safada-que-abandonou-seu-bebe/#gs.Gp5onxQ

Um beija-flor na janela

Saí do quarto e tinha um beija-flor na área aqui de cima. Me aproximei e olhei ele melhor. Estendi a mão devagar e abri a janela, ele voou e desapareceu no céu.
Só sei que foi uma boa forma de acordar, mágica de certa forma, e me senti bem.

Alguns comentários sobre Castaway On The Moon

Achei do caraleo esse filme. Os dois personagens principais: um homem que tenta se matar pulando de uma ponte, mas acaba em uma ilha no meio da cidade. Uma mulher que não sai do próprio quarto em 3 anos.
Curti a história de amor, mas para além do "amor heteronormativo redentor", o filme me tocou, porque ele fala (ou faz alguma alusão) sobre solidão, expectativas internas/externas de sucesso e a busca por aprovação e se encaixar em uma sociedade absurda e opressora. 
É muito empolgante ver o homem abrindo mão de documentos e, principalmente, cartões de crédito que restringiam a liberdade dele. Depois disso, a gente fica meio que ao lado dele, pensando como sobreviver com o mínimo possível.
Filme pra ver com a namorada ou ao menos um (a) amig@, pra você que é forever alone ( um(a) gato (a) também é uma boa companhia). Me lembrei de Little miss sunshine, que revi recentemente com a minha namorada.

https://www.youtube.com/watch?v=QrGvhwwWP8Q&feature=youtu.be

sábado, 3 de outubro de 2015

Um filme e um documentário que se complementam

https://www.youtube.com/watch?v=uiamX7iYdRE
"Labirinto de mentiras":Um filme bom sobre o julgamento dos nazistas no pós-guerra e a importância da preservação da memória para que a democracia possa amadurecer e formar uma sociedade mais justa. Algo que não ocorre com a memória da escravidão no Brasil e nem mesmo com a Ditadura civil-militar, porque torturadores foram anistiados.
Só destaco o documentário "Difamação", no qual o autor destrincha o uso do Holocausto, pela direita israelense, para dar carta branca ao governo israelense e silenciar as pessoas que se opõe ao colonialismo e ao apartheid imposto por Israel ao povo palestino.
A forma de tentar calar as pessoas:botar as pessoas que fazem críticas legítimas ao governo israelense, com neonazistas e outros tipos de grupos de ódio. Inclusive, um intelectual como  Norman Finkelstein (cujos pais são sobreviventes do Holocausto) já foi tachado de neonazista, barrado de entrar em Israel e teve sua carreira acadêmica sabota por grupos sionistas norte-americanos.
Para quem é professor, é bem interessante a reflexão que os  sobre a doutrinação que os educadores fazem com as crianças israelenses, ao incentivarem a crença do excepcionalismo do povo judeu e do genocídio perpetrado pelos nazistas. Além de incentivarem nos jovens um clima de medo e a crença de que o neonazismo ainda é muito proeminente no mundo.  
https://www.youtube.com/watch?v=KwVe0-yS3d0

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Masculinidade/ manhood

Não consigo chorar sem álcool. No máximo, choro em situações extremas ou em enterros, mas nem sempre. Geralmente presencio o sofrimento de pessoas próximas sem externar nada, mas compartilhando a dor e com a minha mente borbulhando.
Fui criado pela minha mãe, nunca fui tolhido por demonstrar meus sentimentos e ideias, muito pelo contrário. Acho que essa minha “constipação emocional” é algo cultural, algo que introjetei subconscientemente, dos meus parentes homens ou da nossa sociedade.
Já tive uma namorada chorona. Sempre invejei ela por ter essa válvula de escape. No meu caso, só posso chorar nas ocasiões supracitadas. Se falar questões desse meu universo interior e das minhas emoções, por álcool ou não, sinto vergonha.

É uma pena que sejamos tão retardados emocionais. Gostaria de poder demonstrar mais livremente o meu afeto e ser livre pra ser o que eu quisesse, isso é algo a ser construído. A questão toda é: provavelmente tem outros homens que se sintam como eu. Vamos fazer algo a respeito.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Meio sentimental e meio racional

Engraçado as substâncias que o nosso cérebro libera quando nos exercitamos. Não sei se foi só impressão minha e estou relacionando coisas sem relação. Os humanos costumam fazer isso, segundo um comediante falou. Cai um raio e as pessoas não sabem que é um rolo lá com eletricidade, então criam deuses e mitologia para explicar isso (para mim o monoteísmo também é isso, só para deixar claro).
Enfim, divaguei, estava voltando da caminhada. Passando pelo ponto que gosto, a Oliveira Belo com a Generalíssimo. Curto por causa das árvores da Oliveira; por causa da Santa Casa e da História que está impregnada ao nosso redor, mesmo que desconheçamos ainda; pelo bar Paladino e também por um relato, contado por um tiozão reaça, sobre como costumava ser a Generalíssimo. Por que isso me fez pensar no passado recente de Belém e da relação da minha família com ele, especialmente os que já se foram, mas também os que, felizmente, ainda estão presente e em todas as pequenas partículas de vida, com seus segredos, sonhos, pesares e alegrias, que fizeram parte da vida da minha mãe.

Durante a caminhada temos alguns momentos de clareza, momentos estáticos ou o que quer que seja, por olhar as pessoas ao redor, o céu e os detalhes da cidade. Bom, lá estava eu naquele ponto, limpando o suor dos olhos, cansado e esperando o sinal abrir. Quando me veio uma lembrança de quando era criança/pré-adolescente. Um garoto mais ou menos da minha idade, pardo ou negro, não me lembro, e provavelmente pobre, furtou a bolsa de uma mulher jovem. Eu voltava do colégio e presenciei o desfecho: um trabalhador braçal, também pardo ou negro, tinha agarrado o garoto e batia nele, enquanto a mulher aflita pedia para ele parar. No momento, não tive maturidade para fazer nenhuma reflexão além do susto e medo da situação. Agora, com alguns anos a mais de vivência e educação formal, já posso avaliar melhor a situação.

Agora é o ponto em que eu poderia discutir sobre o fenômeno do “pobre de direita/conservador”, do papel dos programas policialescos no desenvolvimento dessa mentalidade de turba linchadora, mas prefiro somente reconhecer os meus privilégios de classe, raça/etnia e gênero. Tive acesso à educação de qualidade (bom, ao menos instrumental para formar mão-de-obra qualificada); tenho uma família estruturada; nasci com a cor, gênero, orientação sexual e a classe social certas para meus direitos e dignidade serem reconhecidos. Me pergunto onde esse garoto, que cometeu um crime, mas que não perdeu sua humanidade e nem seus direitos humanos básicos e fundamentais, está hoje? Provavelmente morto ou preso. 
Acho que sou grato pelas oportunidades que me foram dadas e espero fazer algo, por menor que seja, para viver em um país menos desigual e que valorize a vida acima da propriedade privada. 

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

A liberdade plastificada e embalada para presente

Ontem assisti “A vida secreta de Walter Mitty”, é um filme divertido e, ao menos eu pensei, uma diversão descompromissada. Entretanto, ao longo do filme senti um incômodo com a mensagem. Esse tipo de desconforto que bate na nossa mente, mas que por mexer com coisas simples e fundamentais da nossa visão de mundo, não sabemos muito bem como botar em palavras esse sentimento.
Eu já tinha relacionado esse filme com “Benjamin Button”, logo depois de assistir, mas hoje acordei inquieto e consegui formular uma explicação. O que me incomoda disso é a mercantilização de buscas legítimas para compreender o mundo e a si mesmo, o esvaziamento do valor desse incômodo bem humano em uma mensagem idiotizante e conformista. Acho que não devo ser o único que já percebeu essa mensagem em filmes enlatados gringos: o pequeno burguês vive uma vida monótona e vazia, aí algo fora do comum (uma voz, uma doença, um amigo ou um evento) o leva a transformar a sua vida “radicalmente”. Em “Walter Mitty” a gente vê essa tentativa. Ele viaja o mundo em busca de uma foto e encontra coisas inesperadas que se encaixam magicamente (ah se esse gringo tivesse que passar pelo perrengue de esperar um dia numa cidadezinha por um ônibus...) para que ele alcance seu “auto descobrimento”, adrenalina, para tentar se sentir vivo nessa sua existência monótona e sem sentido, e a aprovação da mulher que ele quer conquistar. Acho que essa mercantilização distorce e empobrece essas buscas e curiosidades do ser humano. Por quê? Oras, por que o filme resume a questão em um hedonismo vazio ou no clichê do “amor heterossexual redentor”, como já me disseram uma vez.  Eles não questionam mais nada sobre si mesmos e o mundo ao seu redor. É uma espécie de camisa do Che Guevara em versão de longa metragem, uma versão fetichizada de algo real.
Esses tipos de aventuras, descritas nos filmes, geralmente só são possíveis para gringos yuppies. Não me entenda mal, sou um esquerdista, mas pequeno burguês também. Boa parte desses fetiches e ideais já foram introjetados por mim e tenho algumas crises que me fazem sentir culpado (mesmo não devendo), levando em conta que a grande maioria da população brasileira precisa se preocupar principalmente em sobreviver. Por outro lado, não é verdade que essas inquietações e liberdade para sonhar sejam monopólio de uma classe social, nação ou grupo qualquer. Em uma mochilagem pela Bolívia (não sou rico, o custo de vida é mais barato e o real vale quase quatro pesos, viaje também, vale a pena!), conheci um espanhol chamado Carlos, um cara gente boa e amigável, cabeludo e meio careca, sorridente e meio riponga, na faixa dos trinta, que trabalhou 2 anos como garçom, em Ibiza, para poder bancar 6 meses de viagem pelo mundo e para descobrir o que iria fazer da vida em seguida. Guardadas as proporções, afinal de contas o cara é europeu, não acho que essa empreitada é tão elitista assim, quando feita em moldes mais simples.

Não quero dar um tom inquisitorial para o texto. A minha visão de mundo é fruto de um contexto histórico e de uma série de fatores. Ela não é a balança para fazer julgamentos incontestáveis. Essa é uma tentativa de compartilhar um incômodo e incentivar a reflexão. Realmente acho que essas narrativas não dão conta das nossas inquietações e sonhos, essas tem um potencial muito maior. Elas podem ser muito mais libertárias e contestadoras. Se os nossos anseios e angústias nos levam, como foi o meu caso, em viagens pela América Latina: entramos em contato com culturas diferentes, mas com um passado colonial semelhante, como professor de História, isso não tem preço. Podemos perceber, como observadores externos, a vida e relevância do que estudamos nas pessoas que caminham ao nosso redor, em nossas diferenças e similitudes. Em um deserto de sal, sozinho em uma cachoeira ou percorrendo as ruas de Cartagena e vendo o por-do-sol em sua muralha, no silêncio com nós mesmos, podemos refletir sobre a nossa vida, nosso papel no mundo e na sociedade, mas de forma menos claustrofóbica e urgente do que no dia a dia e na repetição das nossas obrigações. Nem tudo é tão monástico e introspectivo assim, podemos comprar um litrão (cerveza, por favor!) de 3 pesos, bater um papo e gargalhar. Podemos nos sentir vivos e nos descobrir, mas também podemos pensar, de forma mais sóbria (sem trocadilho) e menos romântica, em utopias e desejar mudar o mundo. Isso para mim é mais humanístico e válido. E lá se vai o meu desejo de assistir algo sem pensar...







sábado, 8 de agosto de 2015

O que a gente diz e o que a gente faz

Nós temos uma herança escravista, patriarcal e oligárquica. Desde criancinha nos apresentam essa visão de mundo racista, machista, homofóbica e elitista. Quando crescemos e a universidade nos apresenta uma série de conhecimentos que desconstroem essa mentalidade, tentamos construir uma nova personalidade menos bovina e conservadora.
Um comediante chamado Louie C.K. afirma que se nos chamam de babaca, ou o que seja, e a gente dispensa essa crítica, é como se alguém falasse que temos um pedaço de espinafre nos dentes e nós nos recusássemos a aceitar isso. Acho que também é preciso fazer a ressalva que as pessoas são arbitrárias, tendenciosas e não armam fogueira para  amigos ou superiores na hierarquia.
De toda forma, como se manter coerente com o que a gente pensa e com nossas ações? Não é fácil, acho que é um processo contínuo de autocrítica até o fim da nossa vida adulta. Temos uma imagem mental nossa que não necessariamente corresponde à realidade. Eu pensava que era imune à manipulação, desprezava pessoas que se deixavam envolver em relacionamentos abusivos e pensava que tinha uma armadura que me fazia imune ao que a maioria das pessoas são afetadas, mas hoje vejo que sou tão carne e osso, cheio de contradições e vulnerabilidades quanto qualquer outr@.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Humanos

Eu andei pensando nas últimas coisas que fiz antes de perder pessoas próximas ou dias felizes que passamos juntos. Vendo tv enquanto alguém dava seus últimos suspiros; embriagado em um festival cultural; indo comprar cerveja para ver um jogo do Brasil; buscando alguém para um almoço em família.
Eu deveria dizer alguma merda requentada sobre a condição humana, mas não tenho estômago para botar os clichês de filmes e séries em escrito, ao menos não conscientemente. Sofremos, o tempo passa e esquecemos boa parte do sofrimento, reconstruimos uma rotina. Se bem que não sou tão cinzento assim, acho que parte desse sofrimento se transforma em algo da nossa escolha.
Condição humana, etc e tal, minha primeira namorada me fez pensar em como não controlamos nada e o quanto isso é assustador. Não vou ser uma dessas pessoas que diz não temer o porvir, mas ainda assim gosto de olhar as pessoas, suas expressões e tentar ler o que existe por trás de um sorriso cordial, talvez algum monstro se esconda por trás da cordialidade. Olho outra pessoa e imagino que aquelas rugas e olhar distante seja uma profundidade fruto de uma vida sobrevivendo à provações. Aí vi um menino tentando fazer uma maquina de café quebrada, eu sabia que estava quebrada, e isso me fez sorrir, não sei por que.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Andando por uma rua de noite, em um bairro central de Belém, pensei sobre os meus privilégios. Sendo um homem branco, heterossexual e de classe média, a pior coisa que pode acontecer comigo é o latrocínio. Nem todo mundo tem essa "sorte".
Se a cor da minha pele ou a minha classe social fossem diferentes, eu estaria sujeito a todo tipo de violência dos agentes armados do Estado. De fato, a probabilidade de eu chegar aos meus 28 anos seria bem menor, levando em conta que 70% dos jovens assassinados são negros.
Outro privilégio que possuo é o de quase sempre poder andar tranquilo na rua, sem ser incomodado por ninguém. Coisa que não se pode dizer de metade da população que possui o gênero errado para andar na rua sem ser assediada ou sofrer alguma violência física. Acontecem algumas vezes (felizmente não muitas), de uma mulher jovem desconhecida estar andando na minha direção e quando ela percebe que tem um homem vindo em sua direção, sua linguagem corporal se transformar completamente, ela fica tensa, olha pra baixo e sua expressão muda, tudo isso, obviamente é por que ela espera que eu fale alguma obscenidade ou só alguma cantada idiota que ela já ouviu mil vezes sem requisitar.
A única situação em que posso imaginar ter que conviver diariamente com isso, é quando era adolescente e sofria bullying. Tinha que ir todo dia para um ambiente hostil e cheio de gente que eu odiava. Realmente não sei como as mulheres lidam com isso. Fico pensando de que formas podemos ajudar a transformar essa mentalidade machista babaca. Acho que abordar gênero em sala de aula é um bom começo.

terça-feira, 31 de março de 2015

Os piores inimigos são os ex-amigos?

Sabe, é esquisito, a gente vai envelhecendo e as nossas prioridades mudam. Nós mudamos. Me lembro que era criança e parecia o fim do mundo quando não estudava para uma prova ou não fazia um trabalho, mas aí acabava me safando de alguma forma, ou ficava de recuperação. Ao longo do tempo as coisas mudam, mas o medo permanece: medo de não conseguir atingir as expectativas que nós ou os outros atribuíram pra gente (irrealisticamente ou não); medo de falhar ou ficar só; tantos medos que não tive vidas suficientes ou não sou velho o suficiente pra saber, mas não muda o fato do nosso funcionamento mudar bem pouco.
Acho que dos nossos constrangimentos diários, um dos mais chatos é ver um amigo de uma fase já superada. Tipo alguém do ensino médio. Você é de esquerda e a pessoa acha que "bandido bom é bandido morto" ou só é o constrangimento de dois desconhecidos se olhando nos olhos ou em outras direções. Esse tipo de coisa é bem comum quando a gente vive em uma capital pequena como Belém.
Uma coisa totalmente diferente é quando pessoas nos deletam da vida delas ou vice versa. Amizade ou relacionamentos amorosos.Eu ou você podemos nos excluir das nossas vidas. A diferença é que não é como antes, não estamos mais em fases diferentes e nem gostamos de coisas opostas, só temos que olhar no fundo dos olhos um do outro e perceber que fundamentalmente somos incompatíveis, como duas vidas baseadas em carbono que compartilharam um espaço, por algum tempo, mas que já passou.
Acho que o componente de medo dessa fase da vida (final dos vinte pros trinta), é que as coisas parecem mais definitivas. Amizades e relacionamentos evaporam e centenas de dias viram menos que merda. Talvez isso seja só uma outra forma de medo de se soltar e pular na água, é verdade, pode ter algum toco na água e podemos nos ferir, mas geralmente pulamos na água e nadamos até quase o fim do rio que corre perto da ilha do Combu. Entramos numa canoa. Olhamos os nossos amigos felizes, somos jovens e idiotas. Sempre vamos ser um pouco idiotas, mas aprendemos um pouco depois de cada ressaca.



















segunda-feira, 23 de março de 2015

A farsa


A velha mídia me dando ânsia de vômito de novo. Sem querer soar governista, até por que o que mais me incomoda nessa capa é o fato de uns milhares de golpistas (impitiman ou golpe militar, como queira) paulistas virarem milhões. Essa massa de manobra esquizofrênica que protesta contra a Dilma por impor as medidas neoliberais que o Aécio faria. Além disso, a discrepância da cobertura dos protestos populares e a para o dos golpistas.
Quem se lembra das jornadas de junho de 2013 e a forma como a imprensa os retratou? Primeiro, fez o de sempre, tentou criminalizar movimentos sociais. Depois viu que ele se massificou e começou a entrar uma galerinha que nunca protestou, em boa parte de classe média, que carregava bandeira do Brasil e que queria expulsar os  partidos do protesto (só os de esquerda). Aí a velha mídia entrou na disputa sobre a narrativa dos protestos. O que começou como protesto pelo passe livre e ganhou maior proporção depois que a classe média sentiu uma versão light do que a polícia faz na periferia (lá as balas não são de borracha) todo dia, se transformou em algo mais complexo e diverso, mas que apavorou governistas e a mídia. Esta tentou transformar os protestos em luta contra a "corrupção" (só a do PT) e inflação (e outras pautas que tiram o sono da classe média).
No decorrer dos protestos a polícia fez o que uma polícia militarizada (filhote da ditadura) é treinada pra fazer, descer o cacete em movimento popular. Só que aí a mídia tentou adaptar o discurso e repetiu como um mantra o bordão "minoria de vândalos", que caiu como uma luva para a classe média e os pobres de direita (que foram doutrinados por Família, Igreja e Mídia a se comportar bovinamente com os detentores de poder), aí essa multidão coxinha passou a caguetar os manifestantes que cometiam o crime hediondo de quebrar bancos, esses pobrezinhos que mal ganham o suficiente para sobreviver.
Voltando para 2015, esse contexto que vivemos já ganhou um ar de farsa: golpistas, integralistas e neonazistas engrossaram esse protesto, que a Globo chamou de "pacífico". Essa turba esquizofrênica branca e de classe média pedindo impitiman (ou chamemos de golpista light), lutando por menos direitos e uma sociedade mais desigual, ganha passe livre no metrô do governador tucano. A PM, desse mesmo tucano, incha o número de coxinhas para bilhões. A velha mídia faz o "carnacoxinha" e convida os "cidadãos de bem" de quarenta em quarenta minutos para esse teatro grotesco. Enfim, não deixa de ser irônico e apropriado que o estado que elegeu em primeiro turno o Alckmin, o cabeça da crise hídrica de SP, protestar contra as quimeras produzidas pela mídia. Não acredito em golpe, só tenho consciência de que essa peça é uma distração para a opinião pública não focar em pautas reais.