segunda-feira, 23 de março de 2015
A farsa
A velha mídia me dando ânsia de vômito de novo. Sem querer soar governista, até por que o que mais me incomoda nessa capa é o fato de uns milhares de golpistas (impitiman ou golpe militar, como queira) paulistas virarem milhões. Essa massa de manobra esquizofrênica que protesta contra a Dilma por impor as medidas neoliberais que o Aécio faria. Além disso, a discrepância da cobertura dos protestos populares e a para o dos golpistas.
Quem se lembra das jornadas de junho de 2013 e a forma como a imprensa os retratou? Primeiro, fez o de sempre, tentou criminalizar movimentos sociais. Depois viu que ele se massificou e começou a entrar uma galerinha que nunca protestou, em boa parte de classe média, que carregava bandeira do Brasil e que queria expulsar os partidos do protesto (só os de esquerda). Aí a velha mídia entrou na disputa sobre a narrativa dos protestos. O que começou como protesto pelo passe livre e ganhou maior proporção depois que a classe média sentiu uma versão light do que a polícia faz na periferia (lá as balas não são de borracha) todo dia, se transformou em algo mais complexo e diverso, mas que apavorou governistas e a mídia. Esta tentou transformar os protestos em luta contra a "corrupção" (só a do PT) e inflação (e outras pautas que tiram o sono da classe média).
No decorrer dos protestos a polícia fez o que uma polícia militarizada (filhote da ditadura) é treinada pra fazer, descer o cacete em movimento popular. Só que aí a mídia tentou adaptar o discurso e repetiu como um mantra o bordão "minoria de vândalos", que caiu como uma luva para a classe média e os pobres de direita (que foram doutrinados por Família, Igreja e Mídia a se comportar bovinamente com os detentores de poder), aí essa multidão coxinha passou a caguetar os manifestantes que cometiam o crime hediondo de quebrar bancos, esses pobrezinhos que mal ganham o suficiente para sobreviver.
Voltando para 2015, esse contexto que vivemos já ganhou um ar de farsa: golpistas, integralistas e neonazistas engrossaram esse protesto, que a Globo chamou de "pacífico". Essa turba esquizofrênica branca e de classe média pedindo impitiman (ou chamemos de golpista light), lutando por menos direitos e uma sociedade mais desigual, ganha passe livre no metrô do governador tucano. A PM, desse mesmo tucano, incha o número de coxinhas para bilhões. A velha mídia faz o "carnacoxinha" e convida os "cidadãos de bem" de quarenta em quarenta minutos para esse teatro grotesco. Enfim, não deixa de ser irônico e apropriado que o estado que elegeu em primeiro turno o Alckmin, o cabeça da crise hídrica de SP, protestar contra as quimeras produzidas pela mídia. Não acredito em golpe, só tenho consciência de que essa peça é uma distração para a opinião pública não focar em pautas reais.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.