Nós temos uma herança escravista, patriarcal e oligárquica. Desde criancinha nos apresentam essa visão de mundo racista, machista, homofóbica e elitista. Quando crescemos e a universidade nos apresenta uma série de conhecimentos que desconstroem essa mentalidade, tentamos construir uma nova personalidade menos bovina e conservadora.
Um comediante chamado Louie C.K. afirma que se nos chamam de babaca, ou o que seja, e a gente dispensa essa crítica, é como se alguém falasse que temos um pedaço de espinafre nos dentes e nós nos recusássemos a aceitar isso. Acho que também é preciso fazer a ressalva que as pessoas são arbitrárias, tendenciosas e não armam fogueira para amigos ou superiores na hierarquia.
De toda forma, como se manter coerente com o que a gente pensa e com nossas ações? Não é fácil, acho que é um processo contínuo de autocrítica até o fim da nossa vida adulta. Temos uma imagem mental nossa que não necessariamente corresponde à realidade. Eu pensava que era imune à manipulação, desprezava pessoas que se deixavam envolver em relacionamentos abusivos e pensava que tinha uma armadura que me fazia imune ao que a maioria das pessoas são afetadas, mas hoje vejo que sou tão carne e osso, cheio de contradições e vulnerabilidades quanto qualquer outr@.