A
gente faz planos de médio e longo prazo. Sempre corremos o risco de, ao
conquistá-los, sentir aquele vazio que sentíamos quando ganhávamos um brinquedo
e ele só era algo sem sentido que a publicidade infantil inculcou na nossa
cabeça. Por outro lado, pode ser algo tão importante quanto, ao pular no Rio
Guamá, perceber que se caiu muito fundo e é preciso voltar pra superfície e
respirar. Ou, em termos mais claros, quebrar o ciclo ou uma estagnação
sufocante em que de tempos em tempos nos metemos.
Beber e ver uma cena artificial de alguma festa idiota em que mauriçocas brincam de ser pobres ou mauriçocas, ou lisos, brincan de ser mauriçocas (mas eu também, de certo modo, faço parte dessa baboseira de classe média). Ou mesmo algo real como conversar com um amigo e ouvir seu s anseios, ou ouvir uma música e ativar alguma memória auditiva/ emotiva, pra mim é Buena Vista Social club e a a travessia da fronteira. Isso faz a gente relembrar o por que de termos começado andar por um caminho e não outro. Esse tipo de coisa traz clareza e reforça a vontade sair do limbo e dessa placenta em que flutuamos enquanto nosso sonho e nós estamos em gestação.
Beber e ver uma cena artificial de alguma festa idiota em que mauriçocas brincam de ser pobres ou mauriçocas, ou lisos, brincan de ser mauriçocas (mas eu também, de certo modo, faço parte dessa baboseira de classe média). Ou mesmo algo real como conversar com um amigo e ouvir seu s anseios, ou ouvir uma música e ativar alguma memória auditiva/ emotiva, pra mim é Buena Vista Social club e a a travessia da fronteira. Isso faz a gente relembrar o por que de termos começado andar por um caminho e não outro. Esse tipo de coisa traz clareza e reforça a vontade sair do limbo e dessa placenta em que flutuamos enquanto nosso sonho e nós estamos em gestação.
Rompemos os casulos da zona de conforto e as barreiras que estavam na
nossa frente. Emergi no rio Guamá, era noite e eu estava assustado pela falta
de oxigênio, mas olhei pro céu e vi as estrelas, me senti vivo. Voltei pra
margem e recomecei o meu caminho. Algum
tempo depois pulei mais próximo da nascente do mesmo rio, em uma aldeia Tembé.
Moral da história: não sei, acho que é melhor se afastar da cidade e pular em
um lugar do rio em que não despejem o esgoto.
Ah , e mesmo nadando em placenta (ou em
um fluído corporal menos poético), é sempre possível não ser mais uma
galho ou folha na corrente e decidir o seu rumo. Ou algum outro lugar comum do
tipo, mas isso foi o que eu vivi até agora.