segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Um sonho

A gente faz planos de médio e longo prazo. Sempre corremos o risco de, ao conquistá-los, sentir aquele vazio que sentíamos quando ganhávamos um brinquedo e ele só era algo sem sentido que a publicidade infantil inculcou na nossa cabeça. Por outro lado, pode ser algo tão importante quanto, ao pular no Rio Guamá, perceber que se caiu muito fundo e é preciso voltar pra superfície e respirar. Ou, em termos mais claros, quebrar o ciclo ou uma estagnação sufocante em que de tempos em tempos nos metemos. 
Beber e ver uma cena artificial de alguma festa idiota em que mauriçocas brincam de ser pobres ou mauriçocas, ou lisos, brincan de ser mauriçocas (mas eu também, de certo modo,  faço parte dessa baboseira de classe média). Ou  mesmo algo real como conversar com um amigo e ouvir seu s anseios, ou ouvir uma música e ativar alguma memória auditiva/ emotiva, pra mim é Buena Vista Social club e a a travessia da fronteira. Isso faz a gente relembrar o por que de termos começado andar por um caminho e não outro. Esse tipo de coisa traz clareza e reforça a vontade sair do limbo e dessa placenta em que flutuamos enquanto nosso sonho e nós estamos em gestação. 
Rompemos os casulos da zona de conforto e as barreiras que estavam na nossa frente. Emergi no rio Guamá, era noite e eu estava assustado pela falta de oxigênio, mas olhei pro céu e vi as estrelas, me senti vivo. Voltei pra margem e recomecei  o meu caminho. Algum tempo depois pulei mais próximo da  nascente do mesmo rio, em uma aldeia Tembé. Moral da história: não sei, acho que é melhor se afastar da cidade e pular em um lugar do rio em que não despejem o esgoto.  Ah , e mesmo nadando em placenta (ou em  um fluído corporal menos poético), é sempre possível não ser mais uma galho ou folha na corrente e decidir o seu rumo. Ou algum outro lugar comum do tipo, mas isso foi o que eu vivi até agora.  

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