O mais repulsivo do discurso neoliberal é que basicamente nós não vivemos em sociedade, o que existe na realidade são indivíduos (fala célebre da Margaret Thatcher), mas qualquer pessoa com um pingo de bom senso sabe que isso não se aplica para grandes bancos, especuladores e corporações, pois estes grupos recebem uma série de benesses do Estado (subsídios, isenção fiscal e perdão de dívidas ou empréstimo a juros baixíssimos).
terça-feira, 21 de setembro de 2021
Libertarianismo = pobre defendendo interesse de bilionário
sexta-feira, 17 de setembro de 2021
Quais clichês hollywoodianos têm mais apelo pra ti?
Talvez, para uma pessoa mais pretensiosa e desonesta, a resposta seja: nenhum (o que eu poderia acreditar, caso você fosse um grande intelectual de antes da invenção do cinema). A força e as ferramentas de publicidade que empresas multi bilionárias tem acesso são muito fortes e todos somos suscetíveis a elas (ao menos eu acho).
Não sei listar os lugares comuns mais comuns (pun intended) do cinema dos gringos imperialistas, mas acho que os que conseguiam ou ainda conseguem vender um ideal de vida para mim são esses:
1) O homem que por algum motivo, inusitado ou surreal, muda a própria vida radicalmente (geralmente motivado pelo amor heteronormativo). Acho que talvez seja por isso o fetiche tão forte por histórias, reais ou fictícias, de mafiosos ou serial killers (neste caso, algum motivo mais mórbido e macabro também, provavelmente).
Escolher uma vida não convencional é um privilégio para pouquíssimos. E se você não é rico e/ou famoso, provavelmente só sendo um criminoso para viver algo fora da curva.
Em Mais estranho que a ficção (Stranger than fiction), o personagem principal é um auditor fiscal que repentinamente começa a escutar uma narradora para a própria vida e acaba descobrindo que a morte dele é iminente.
https://www.imdb.com/title/tt0420223/?ref_=nv_sr_srsg_0
2) A pessoa de classe média alta ou rica que é traída/leva um pé na bunda (a única motivação para as pessoas fazerem qualquer coisa em 99% dos filmes da gringolândia é o amor romântico) e vai viajar ou viver em um país exótico e vende uma mensagem como se isso fosse realmente acessível a todos. Alguns exemplos: Benjamin Button e Comer, Amar e rezar.
É muito irônico que até o ideal de uma vida não convencional pode ser padronizado e mercantilizado. Algo em comum nos dois exemplos supracitados.
3) O "underdog" ou o Davi que vence Golias: Rudy ou Erin Brockovich. Nesse nicho, tem muito espaço para o salvador branco que resolve todos os problemas para as minorias e derrota, finalmente, o racismo, tipo o filme da Sandra Bullock sobre a branca rica que "adota" um jovem negro com potencial para o futebol americano.
4) "Mighty whitey" é um termo que conheci há algum tempo em uma crítica sobre Breaking Bad e discute o racismo inerente de algumas obras. Descreve basicamente o branco que super poderoso que consegue fazer tudo maior, melhor e mais rápido do que pessoas de outras cores ou etnia até mesmo no crime (a série que já citei, mas também Selvagens, do Oliver Stone).
De cabeça, lembro do O último samurai, com Tom Cruise. Um branco vai pro Japão no fim do domínio dos samurais sobre o país e vai ensinar o imperador sobre o que é ser um samurai. Algo de errado não está certo.
Outra peça de propaganda que só engana gringo, ou estrangeiros com pouca ou nenhuma escolaridade. As mensagens de que: eles são defensores da democracia e dos direitos humanos; o sonho americano é real e ainda existe uma robusta classe média, ou que a população de lá tem uma alta qualidade de vida; o Estado, as forças armadas e a polícia respeitam as leis e o direito internacional; eles são o melhor país do mundo e de toda a história humana e o "Excepcionalismo" norte americano (que justifica o imperialismo ianque) é justificado e positivo, pois eles são basicamente os donos do mundo inteiro e de todos os povos.
Ah e também teve e têm muita propaganda anti comunista, mas também muita propaganda contra movimentos sociais e sindicatos e qualquer coisa que questione o status quo e o domínio dos banqueiros, especuladores e plutocratas sobre as diversas nações do mundo.
Uber e ifood são as novas minas de carvão ou canaviais
Na pior em Paris e Londres (do George Orwell) foi lançado na primeira metade do século passado. E ele já mencionava com as mulheres de elite da Inglaterra ministravam cursos de economia doméstica para "ensinar" as mulheres pobres a administrar seus recursos, como se o problema fosse ignorância e não os salários de fome pagos então.
quarta-feira, 15 de setembro de 2021
É impossível fazer alguém ter consciência de classe ou bom senso
Vivemos em um tempo distópico, em um país que não deu certo e desabou no barranco durante o trajeto do processo civilizatório (e obviamente não estou afirmando que isso é uma linha reta sem riscos de retrocessos graves). Afinal de contas, fomos o último país da América a abolir a escravidão e sofremos 10 golpes de estado (se você tiver um pingo de honestidade intelectual e admitir que o "impeachment" da Dilma Roussef foi um golpe parlamentarista)
https://brasilescola.uol.com.br/historia/quantos-golpes-estado-houve-no-brasil-desde-independencia.htm
Os trabalhadores e a educação nunca foram valorizados. A política ainda continua sendo oligárquica, inclusive esse mesmo punhado de famílias que são donas de tudo e do poder político, monopolizam (oligopólios midiáticos) os meios de comunicação (que são concessões públicas) e estes veículos por sua vez produzem discurso defendendo o que é do interesse daquelas elites.
O nosso país é majoritariamente católico e a igreja católica sempre fez a opção pelos ricos. Não é de se espantar que a população brasileira seja conservadora e sem consciência de classe. Bom, se você achava que essa instituição, que legitimou/apoiou a escravidão africana e indígena é ruim, é porque não está vendo o crescimento do fundamentalismo evangélico. Igrejas neopentecostais pipocam nas periferias, ocupam as ausências do Estado e fazem parte de um projeto de poder (exploram a ignorância e a fé e elegem pastores milionários e corruptos) que pode nos levar para a idade das cavernas.
Isso é tão óbvio e auto evidente, mas se você perguntar para o brasileiro médio sobre isso, duvido muito que faça a mínima ideia de quem os oprime. No contexto atual, você vai ouvir algum discurso delirante sobre comunismo, ideologia de gênero (sic) ou sobre como o PT inventou a corrupção e roubou um "zilhão" de reais.
O mais irônico é que mesmo entre a classe média ou na mídia, o pobre geralmente é retratado como burro e digno de chacota ou pena. Entretanto, a classe média brasileira tem dinheiro para gastar com cultura e lazer, ou seja, mais acesso a bens culturais como: computador e internet, livro, cinema e teatro. Tem mais tempo livre para aproveitar essas coisas, mas é a primeira a apoiar as políticos e partidos que beneficiam as elites (ou seja, a classe média acha que é rica, é como o pobre soberbo).
Além disso, é quem faz parte da massa de manobra que apoia as aventuras golpistas de parte da elite financeira brasileira. Esse golpismo culminou com a chegada ao poder, através de uma campanha política imunda e repulsiva de notícias falsas e histeria moral, de um miliciano, corrupto (família inteira metida na política, rachadinhas, laranjal, Queiroz e cia), defensor da ditadura e dos carrascos (que mataram, torturaram e estupraram em nome desta) e um fascista imbecil que só pode ser fantoche de outros grupos, pois mal consegue articular um discurso coerente (talvez dando neurológico da época de garimpo ilegal? Ou de outra atividade que o fizeram ser expulso das FA?).
A classe média é quem merece ser alvo de chacota ao invés dos pobres. Entretanto, o pobre de direita pode ser um fenômeno compreensível ("o Brasil quer o IDH da Escandinávia, mas quer ter as leis da Indonésia ou das Filipinas"), mas eu acho muito difícil aceitar a relativização da responsabilidade de um adulto apoiador do fascismo e do discurso de ódio.
Em pequenos avanços ou grandes retrocessos, não tenho nenhuma esperança no povo brasileiro e nesse país que nunca deixou de ser um latifúndio escravocrata. Que importância tem fazer faculdade e ser professor se algum imbecil financiado pela (extrema) direita, nacional ou estrangeira, pode atingir milhões de jovens através de youtube e outras redes sociais?! Acho que a única coisa que faz sentido é viver a vida mais confortável que eu puder e o mais distante possível de fanatismo e fascismo.
segunda-feira, 13 de setembro de 2021
Escrever como forma de liberdade ou, ao menos, como uma válvula de escape
Escrever sobre minhas angústias, meus questionamentos e minha forma de enxergar o mundo me ajudam a organizar minhas ideias, a racionalizar todo esse caos fora e dentro de mim, a buscar soluções e esperanças, a me conectar com outras pessoas que valham a pena (acho que esse tipo de escrita é terapêutica para qualquer pessoa. Caso você seja mais reservad@ ou o tópico seja muito pessoal e sensível, é possível escrever e guardar o texto par si mesm@ e provavelmente vai continuar tendo o mesmo efeito).
As vezes sinto que passei uma década e meia (com pouquíssimos intervalos em que realmente decidi alguma coisa) como uma árvore cortada, descendo o rio, ao sabor da corrente. Olho pra trás e parece que tudo foi uma mentira, ou um erro e que não vivi absolutamente nada e que foi tudo uma grande estupidez e perda de tempo. Por outro lado, lembro quando era um garoto em alguma série no ensino fundamental (em uma escola particular de Belém. Não era nada barata, mas a qualidade deixava muito a desejar). Sempre tive dificuldade pra me concentrar. Nessa memória específica, procrastinei e não tinha conseguido estudar para a prova do dia seguinte. Quando me deitei, senti um terror absoluto antes de dormir.
A gente envelhece e sente menos medo ou se abala menos diante dos vários problemas que vão surgindo, mas, as vezes, a desesperança é até maior e pior do que o medo que as nossas mentes infantis ou juvenis eram capazes de sentir. É por isso que é tão tentador acreditar em divindades e ser místico, pois em um caminho tão longo, solitário, tortuoso e áspero, em que você mal consegue vislumbrar o final, a ideia de uma figura paterna benevolente deve ser reconfortante, só que sei que isso não é e nem nunca vai ser pra mim. Vou continuar caminhando sozinho até o outro lado, durante o trajeto, paro pra conversar com as pessoas e isso ajuda bastante e é o suficiente.
domingo, 12 de setembro de 2021
Rótulos
Provavelmente a sociedade e os indivíduos reduzem as pessoas a alguma característica delas como forma de poder e controle. Talvez seja mais fácil ter uma massa dócil, complacente e conformista se você as reduzir e impedir que elas questionem as coisas. Coisas fundamentais como eu sou livre? Eu tenho algum poder de decisão nessa sociedade? Os meus direitos básicos são respeitados? Acho que quanto mais gente miserável, infeliz e super explorada, mais meios de controle as elites capitalistas precisam inventar para evitar revoltas ou revoluções.
Acho que rótulos também servem para envergonhar, constranger e silenciar pessoas que são diferentes. Que não preenchem expectativas do que é considerado normal ou aceitável, mesmo quando normal e aceitável são absurdos, idiotizantes e opressores.
Tenho depressão e ansiedade. Trato o meu problema com álcool. Não devo me envergonhar disso e devo me manter consciente disso, pois algo que quase não falha é que as pessoas quase sempre vão tentar usar os rótulos contra você. Ademais, vale ressaltar que preciso tanto de mais rótulos, quanto os meus cachorros precisam de carrapatos (conseguimos resolver o problema comprando coleiras repelentes, quem dera que eu pudesse usar feromônio para atrair gente boa e repelente pra manter distante as pessoas tóxicas). Não quero fazer nenhum relativismo moral, somente não quero mais ser um alvo fácil para gente arrogante, covarde e repulsiva. E pra ser menos abstrato: conheça seus direitos e procure orientação jurídica se for necessário.
Dor de cabeça: insolação, estresse ou reviver memórias ruins? Não sei. Talvez eu revisite isso em outro momento. Talvez eu releia isso e me pareça a coisa mais imbecil que já escrevi.
Não gosto que riam de mim. Ou: fazer da minha fraqueza a minha força
Assisti a série Utopia há algum tempo atrás. Adorei, assisti quase todos os episódios em um ou dois dias.Uma personagem é a esposa de um cientista, mas a gente descobre que ela era uma agente infiltrada e parte do grande plano do vilão da série (que eu comecei a torcer por ele no final da série). Enfim, vá lá e assista a série se quiser. O importante é que quando o disfarce dela é revelado, ela fala para o "marido" sobre como era trabalhoso cuidar dele e que ele propagandeava as fraquezas e defeitos dele para o mundo. Isso ressoou na minha cabeça e ficou encrustado nela. Por quê?
Bom, nós vivemos na era digital e da informação e a esmagadora maioria das pessoas postam uma realidade formatada e feliz da vida. Gastam muito tempo, dinheiro e energia tentando mostrar como são felizes, bem sucedidas e realizadas seja lá no que diabos esteja em voga no momento. Entretanto, não acho que esses papéis e máscaras que as pessoas criam e interpretam seja algo novidade, só é potencializado pela internet e pela facilidade de monetizar bundas e músculos e vida luxuosa e inacessível pra grande maioria das pessoas. Nada disso que estou escrevendo é novidade pra você (eu acho. E é até dolorosa a a ideia que talvez seja impossível ter um pensamento original que seja e nós, ou mais provavelmente eu somente sou um papagaio regurgitando as ideias alheias e cultura pop, mais penoso ainda é saber que se eu usasse uma linguagem rebuscada e atribuísse esse pensamento a um grego pedófilo e xenófobo, ou a um europeu racista, misógino e colonialista, muitos idiotas iriam me aplaudir. Bom, precisaria conquistar alguma autoridade e legitimidade, ser pós doc em "pagagaiar" e comentar sobre os pensamentos de gente morta, em uma época com um caráter meio renascentista em que era possível dar uma explicação global para tudo).
Divagação gigantesca para dizer que tenho defeitos, frustrações, ressentimentos e rótulos negativos, antes os expunha mais na internet e era mais superficial nas minhas análises sobre eles, grande parte das outras pessoas gostam de fazer marketing pessoal o tempo inteiro e esse país e cidade (esta onde o bolsonarismo e o fundamentalismo evangélico se reproduzem como ervas daninhas) delirantes, surreais e deprimentes que estou inserido.
Talvez o tempo e o sofrimento não nos deixe mais sábios, somente mais amargos e pessimistas. Acho que se você for muito auto indulgente e não fizer nenhum esforço, provavelmente isso é verdade. Provavelmente não dá pra passar por muitas situações sem sofrer transformações e provavelmente amadurecer, mesmo que na marra.
Eu estava com uma frase na cabeça: fazer da minha fraqueza a minha força. Não sei de onde ela veio. O que significa para mim é que não sou o único perdido, defeituoso e cheio de insatisfações com esse mundo em que a única liberdade que você tem é sobre o que consumir, com a minha profissão, com a forma como as outras pessoas se portam. Não sou o único que um dia acorda se sentindo uma pessoa inteligente, especial, sensível e com coisas boas a fazer e a compartilhar com outras pessoas que pensem de forma semelhante a mim, mas aí no outro dia você acorda e sente que você é tão burro, egoísta, covarde e mesquinho quanto o resto da escória que tanto despreza.
Estaticamente (que termo sexy e instigante, né?), vivendo no ocidente, ter depressão, ansiedade e problema com vícios é a coisa mais comum do mundo, então não estou sozinho e não preciso sentir vergonha e nem inferior. Pelo contrário, ao menos busco ser autêntico e seguir a Regra de Ouro (não faça com os outros o que você não quer que façam com você). Posso não estar na vanguarda, mas ao menos não sou parte do gado, ou nem estaria fazendo essas perguntas.
sábado, 11 de setembro de 2021
Por que críticos existem? Ou, eles deveriam existir?
Estava me perguntando isso. Pensei que era muita petulância de algum bunda mole (e de fato é uma povinho mais com ego inflado, pessoas artificiais, cretinas e blasé) qualquer dizer o que as pessoas tem que pensar ou sentir ao experienciar a arte. Entretanto, me dei conta de que isso é senso comum, pois a arte foi feita para ser vista, apreciada e comentada. Quanto mais gente ciência, arte e educação e democratização ao acesso aos bens culturais, melhor.
Me dei conta do óbvio: anti-intelectualismo é horrível e perigoso, até mesmo um dos principais traços do fascismo. Então por que diabos eu deveria ficar reproduzindo isso?!
As próprias ciências humanas já foram alvo do obscurantismo e autoritarismo tecnocrata: no Japão, foram extintos de departamento de Humanas. Foi um fracasso e essa demagogia sem pé nem cabeça foi retificada e o governo teve que voltar atrás.
É como ouvi em um vídeo da Rita Von Hunty: as maiores universidades do mundo tem faculdades de Humanas, incluindo departamentos do tão temido e demonizado (pela extrema direita histérica) Departamentos de Estudo de Gênero.
Inspiração e tesão para viver
Li o livro 1 de História da sexualidade*, também li uns trechos de Vigiar e Punir (Michel Foucault), a escrita desse francês careca com cara de piroca é tão prazerosa de ler quanto extrair um dente sem anestesia. Troço mais floreado, rebuscado e nada objetivo, me parece o oposto do que um texto científico deveria ser.
A minha experiência com o alcoolismo
Postagem no facebook em 3 de Setembro de 2021
Curiosidade legítima: existe sociabilidade/lazer sem álcool, cigarro e outras drogas ilícitas? Que não seja frequentar igreja ou virar um adolescente?!
sexta-feira, 10 de setembro de 2021
O conceito de família e de amor e como se transformaram ao longo do tempo
A família do pobre, acredito que desde o período feudal, era uma forma de produzir mão de obra para cultivar as terras e no período colonial materialmente se aproximava das famílias escravas. Entretanto, falta bibliografia pra respaldar essas afirmações.
As famílias escravas e a as relações que os africanos escravizadas estabeleciam, eram uma forma de buscar a compra da liberdade, coisa que era muito restrita e estatisticamente, as mulheres eram quem mais conseguiam conquistá-la. Li alguns casos muito impactantes sobre o desejo por liberdade no livro Family and Frontier- Alida C. Metcalf. Por exemplo, um escravo destelhando uma prisão e tentando fugir, ou escravo de 60 anos tentando comprar sua liberdade para finalmente se ver livre da sua "dona".
A família das elites eram basicamente empresas e o dote era o investimento da dos pais da mulher nessa união. Algo interessante: na legislação portuguesa, a mulher poderia, em alguns casos, ser proprietária de terras (além de ser dona do próprio dote, então dependendo da influência da família da esposa, o marido pilantra que rapinasse o dote teria que responder por esse crime)*, coisa que a legislação inglesa só foi permitir lá pelo século XIX ( Curioso, em Costumes em comum, como Edward Thompson descreve os rituais de divórcio realizado pelos ingleses pobres). Lembro de uma professora de Estudos Sociais do "maternal" falando que se tivéssemos sido colonizados por ingleses ou franceses o Brasil teria dado certo, ou a gente teria olho verde ou azul, enfim, alguma estupidez colonizada e racista.
O amor e o casamento como a gente conhece hoje surgiram no século XIX com o romantismo e uma sociedade industrial cada vez mais individualista. Essas afirmações também estão sem bibliografia para terem algum lastro sequer, talvez eu remedeie isso no futuro.
O que realmente me interessa é sobre a nossa mentalidade e o nosso contexto histórico. A noção de monogamia e amor romântico e como isso se relaciona com o capitalismo tardio e as últimas décadas de existência da espécie humana. Por puro diletantismo mesmo, pois creio do fundo das minhas vísceras que o meio acadêmico é um mar de lixo tóxico e merda, além de coalhado de gente mesquinha, mau caráter e egocêntrica, assim como muitos outros espaços de poder e privilégio.
*O desaparecimento do dote- Muriel Nazzari
Faltou adicionar alguns pontos:
1) As mulheres de elite geralmente ficavam confinadas nas casas de suas famílias e (se não me engano) em seus aposentos caso estranhos visitassem a casa) , mas as mulheres pobres, livres ou escravas, sempre trabalharam. Lavando roupa nas fontes, como quitandeiras ou carregando tabuleiros vendendo quitutes, como costureiras (profissão listada nos sensos, mas que muitas vezes significava prostituição) e outros ofícios que mulheres pobres e miseráveis exerciam para sobreviver.
Outra estratégia de sobrevivência poderia ser inclusive, o concubinato, até mesmo com homens do clero.
2)como Family and frontier aborda o conceito de fronteira. É bem interessante, (mas o meu livro está em Belém, então nem tem como desenvolver mais nada sobre o conceito em si) pois o livro aborda a expansão da fronteira cafeeira. As elites paulistas e suas proles (pois a terra não dava pra manter todos os ricos como senhores, até mesmo pois raramente a coroa portuguesa fornecia títulos de nobreza para as elites daqui) levando o modelo de latifúndio escravocrata cafeeiro mais adiante.
3) era uma sociedade em constante tensão. Um barril de pólvora prestes a explorar (preciso dos meus livros pra listar o autor que menciona isso). Este autor, que me escapa o nome agora, postula a hipótese de que existia uma espécie de código ou lógica de dominação que os senhores de escravos acreditavam que todos deveriam respeitar. Um senhor de escravos mais brutal do que o comum, podia facilitar a revolta escrava e isso era mau visto e criticado pelos outros senhores, pois era um distúrbio do status quo, causava prejuízo financeiro e instabilidade.
Outro ponto interessante: senhores eram padrinhos dos filhos de escravos, mas geralmente dos escravos de outros senhores. Raramente um senhor realizava essa relação de compadrio com os filhos dos seus escravos.
Para os africanos escravizados, essa era uma estratégia de sobrevivência e proteção real ou imaginada (A Metcalf cita o caso de uma jovem escrava que recorre ao padrinho dela, um senhor, para impedir que ela fosse forçada a se casar com alguém que não era do seu interesse). Provavelmente não tão imaginada, pois existia uma hierarquia entre a população cativa. Alguns trabalhavam na casa grande e recebiam alguns benefícios do senhor, como uma casa e um pedaço de terra para fazer sua própria produção. Então estavam menos propensos a se rebelar.
4)Desviando um pouco de assunto, saindo do café e indo pro açúcar: acho interessante a diferença do escravo que trabalhava mantendo os canaviais e dos cativos mais qualificados que trabalhavam na produção do melaço e que estes poderiam ter mais chance de alcançar a alforria do que aqueles.
quinta-feira, 9 de setembro de 2021
Ética, Moral e como esses conceitos mudaram ao longo do tempo (não vou responder nada ainda)
Fiquei curioso como esses termos surgiram, o que significavam pros gregos e romanos antigos, como foram se transformando ao longo tempo. Talvez seja algo que valha a pena ler mais sobre isso. A gente ouve tanto na universidade sobre como tudo são construções humanas, mas temos um conhecimento rasteiro (se tanto) sobre a mentalidade e o contexto histórico em que estamos inseridos. Basta dizer neoliberalismo, precariado ou qualquer outro conceito e pronto, assunto encerrado e nos sentimos inteligentões. Gostaria de entender mais sobre essas coisas.
Uma vez ouvi que a moral de uma sociedade tende a mudar mais rápido do que a ética.
Outro ponto sem relação com isso, é que acho quando regimes autoritários/teocráticos chegam ao poder, uma das medidas mais comuns é restringir os direitos civis das mulheres, não me lembro bem se foi a Judith Butler quem disse isso, ou outra intelectual.
Alguém me disse que a raiva foi demonizada pela igreja católica. Faz sentido, ira é um dos sete pecados capitais (aposto que te veio Bradd Pitt e Seven na tua cabeça. E irônico que ira é um pecado, mas estupro não, que deus onisciente mais falho, não é, rapaz?! Até parece que a Bíblia é só um monte de baboseira escrita por homens primitivos pra controlar outras pessoas), mas é um sentimento humano natural, a gente tem que trabalhar ele e extravasá-lo de forma saudável e não negar que ela existe ou reprimi-la.
Algo a ser revisitado, livros a serem lidos e um discurso a ser melhor elaborado. Caso eu tenha saco pra fazer isso.
Ética no dicionário:
Definição de Moral no dicionário:
Uma manhã chuvosa e o meu jardim
Sentei e observei o me jardim como se fosse uma pintura. Pensei que poderia fazer vários textos a partir dessa imagem.
O primeiro, mais familiar, mas também mais banal e vazio, foi o da ótica da depressão: fazer uma verborragia sem sentido sobre todas as coisas ruins e que me entristecem ao olhar aquela imagem. Porém, já faz algum tempo que me cansei disso, é repetitivo e irritante pra mim, imagina para as outras pessoas que estão pouco se lixando com o problema dos outros. Ademais, não precisamos só de entretenimento ou diversão, ou seja, o texto não precisa ser divertido, ele só precisa capturar a tua atenção por alguns momentos.
O segundo, sentimental, meloso e choroso, eu poderia discorrer sobre como esse quintal é um reflexo da minha história de vida recente. Vá lá, mais interessante: peguei uma árvore (que pensei ser uma castanholeira) empoleirada no muro de uma loja de material de construção, plantei e agora ela é uma árvore que os passarinhos pousam (mas infelizmente ela é inadequada para fazer ninhos); plantei e vendi rosas do deserto e, mais recentemente, de forma bem sucedida, cobri o mato do meu quintal com sacos pretos, e agora não tem mais mato no meu quintal (ou, ao menos, reduziu significativamente a quantidade).
O terceiro, mais sóbrio, interessante e maduro, seria uma abordagem da palavra inglesa "wonder", me soa melhor que milagroso ou algo mágico. Não uso gratuitamente essa palavra, além de ter uma sonoridade bela, ela também é um sinônimo (se não estou enganado) de encantamento. E a natureza é encantadora. Gostaria de um dia compreender melhor, mesmo que superficialmente, como algumas coisas funcionam. Desde as plantas, ao comportamento de outros seres vivos.
Somos poeira estelar e frases grandiosas do tipo são legais, mas o que me inspirou hoje foram os caracóis, eles são uma praga (transmitem doenças e matam plantas) insistente e não tem predadores. Toda manhã vários deles sobem o muro em que a nossa composteira fica encostada. E nesses últimos dois dias eu tenho os coletado, faço um amontoado de scargot e jogo sal e os ouço esturricar.
Por que os caracóis sobem no muro e nas extremidades da composteira pela manhã? Não faço a mínima ideia. Gostaria de saber a resposta pra essa pergunta e pra muitas outras, gostaria de saber mais sobre Botânica e Psicologia, não pra arrotar conhecimento superficial de campos de estudo gigantescos, mas pra resgatar o sentimento de encantamento que perdemos quando deixamos de ser crianças, quando temos que nos encaixar, sem o nosso consentimento, em vários padrões. Quero ter a curiosidade, a felicidade e o encantamento de uma criança.
*Também gostaria de saber mais sobre a vida do Van Gogh e ver todas as pinturas originais dele. Quem sabe um dia.
quarta-feira, 8 de setembro de 2021
Hipóteses tiradas do cu e aleatoriedades que passavam pela minha cabeça enquanto mexia nas plantas
Tenho 34 anos e sou de esquerda, além disso sou professor de História, aí me encontro em uma posição engraçada: cansado dessas bobagens panfletárias/simplórias de esquerda, talvez as pessoas sejam muito burras mesmo e necessitem que certos conceitos sejam desenhados de forma grosseira, batida e reducionista. Por outro lado, sou preguiçoso demais (sem falar que não vejo sentido ou benefício em gastar meu tempo estudando pra argumentar com quem não respeito) pra ler mais sobre certos temas, por exemplo, tem o bordão: você não odeia as segundas feiras, você odeia o capitalismo. É uma forma simples de falar sobre a alienação dos meios de produção, um conceito que acho que o Marx criou (e pouco me importa se foi outro velho barbudo e cheio de hemorroidas que criou). Você só vende a sua mão de obra, ou seja, o pouco tempo de vida que tens nesse planeta, vendes pra algum burguês filho da puta.
Estava pegando o sol e plantando minhas rosas do deserto e refletindo sobre isso, me senti tão feliz e livre naquele momento, vi os passarinhos voando, cantando e pensei que quem dera que a gente vivesse em um sistema econômico que fosse centrado no bem estar e dignidade humanas e na preservação do meio ambiente. Você ter realmente liberdade pra decidir o que fazer do seu tempo, não ter chefe pra te infernizar e não querer ser chefe de ninguém pra explorar e infernizar os outros. Porém, vivemos em um sistema que visa o acúmulo ilimitado de capital na mão de uma elite minúscula de bilionários às custas da miséria de bilhões de pessoa e da destruição do meio ambiente.
Superficialidade é broxante e robotizante. Entretanto, também não me identifico com essa intelectualidade (real ou falsa, de esquerda de verdade, ou só mais um Fernando Gabeira pedindo pra acontecer) que regurgita cada maldito livro que lê, como se fosse algum grande feito, ou como se você fosse realmente capaz de compreender o sentido mais profundo do que alguns grandes intelectuais queriam dizer. E vá lá, vai que você seja um especialista no parasita do cu da formiga, parabéns pra você meu chapa, mas precisa ser tão prepotente, egocêntrico e mala?!
Ah sim, uma hipótese tirada do cu: os cariocas classe média alta/ricos que "criaram" a Bossanova estão para o Samba como os roqueiros britânicos estão para o Blues. Um bando de gente privilegiada e mau caráter que ganhou dinheiro roubando música da periferia. Dava pra ler mais sobre isso, me falta ânimo ou paciência. Eu tenho quase certeza que estou certo, só por esse povo sudestino bunda mole e pseudo intelectual gostar dessa bosta de bossanova. E de como o blues e rap viraram rapidamente coisa chique e de branco (sim, eu sei que sou branco, mas ao menos não participei da rapinagem da arte negra e periférica).
Por fim, já que esse texto começou no nada e vai pra lugar nenhum: o jazz não parece um monte de barulho feito por esquizofrênicos que precisavam de tratamento ao invés de instrumentos musicais? Parte da poesia também me parece isso, só um monte de baboseira aleatória e gourmetizada.
A felicidade é algo assustador e incômodo
Dentre os meus rótulos, um deles é a depressão. Se você não tem, eu provavelmente vivencio o mundo diferente de você. Poderia falar essa coisa batida e raivosa sobre como é difícil ter que gastar dinheiro com remédio e terapia simplesmente para tornar a vida suportável, mas prefiro falar sobre a felicidade.
Gosto muito de um trecho de uma música homônima do Tom Zé:
"A felicidade é como a pluma
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar
A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha
O ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
Pra tudo se acabar na quarta-feira"
Em um mundo de felicidade compulsória, é praticamente indecente expor nossos fracassos, defeitos e dores, mas vou fazer isso: a felicidade pra esse cara depressivo que está escrevendo isso assustador e incômodo, pois como você realmente sabe se ela é real? Quanto tempo ela vai durar? Quando essas substâncias "felicitosas" saírem do seu cérebro, quão grande vai ser a sua queda e como você vai se recompor?
Acho que escrevo isso pra mim e pra outras pessoas depressivas (e talvez, pois tudo isso é muito subjetivo e as pessoas não enxergam o mundo da mesma forma), talvez psicólog@s possam compreender realmente o que quero dizer, os neurotípicos na melhor das hipóteses vão ter ser empáticos, mas mais provavelmente vão falar bobagens.
Por fim, tentei ler O Demônio do Meio-Dia: Um Atlas da Depressão (do Andrem Solomon), não consegui ler todo. Ainda vou fazer esse esforço, não é uma leitura fácil, por motivos óbvios. De todo modo, o autor fala sobre tratamentos. Um deles é o exercício físico. Por exemplo, ele caminhava, mesmo que cada passo fosse como o peso de chumbo nos pés. Ontem me identifiquei com isso: acordei me sentindo muito deprimido e sem esperança, peguei meus cachorros e fui caminhar pelo condomínio e pegar sol. Depois ajeitei minhas plantas.
Uma parte tragicômica desse livro: resolvi pular para o capítulo Esperança (pois não é o que todo mundo precisa pra alimentar a vida?!), aí ele começa a conta a história de uma mulher depressiva e como uma amiga dela cometeu suicídio. Fechei o livro e pensei: é, talvez eu tente ler esse livro quando estiver mais saudável, pois ele tem coisas válidas e abrangentes a dizer sobre o assunto.
Honestamente não tenho como terminar esse texto sem escrever alguma coisa simplória ou genérica. Só vou tentar ser feliz, me humanizar e ter mais profundidade. Ser mais autêntico e sincero comigo mesmo. Espero que isso inspire quem quer que leia isso.
terça-feira, 7 de setembro de 2021
Energia positiva e good vibes
Fiz uma autocrítica (rs a palavra que todo esquerdomacho tem orgasmos ao usar) e vi que tô muito rabugento e reclamão. Tenho que me alinhar ao Zeitgeist (espírito do tempo) e aderir à felicidade compulsória. Então tive uma ideia simplesmente BRILHANTE!
segunda-feira, 6 de setembro de 2021
Guia para @ jovem que cogita fazer licenciatura
Você pode ter um parente que vai te arrumar uma vaga marota,, em concurso em alguma faculdade da universidade, então vá lá. Pro resto dos trouxas, ops, candidatos, acho que: bom, talvez você seja uma pessoa idealista, com algum complexo de deus, ou algum ídolo sacrificial pra entregar sua vida e que justificar o seu sofrimento. Afinal, ele vai valer a pena em algum futuro longínquo quando a tua carne já nem for mais cocô de verme.
A questão é que tem coisas chamadas: salário baixo; boletos; assédio moral; perseguição; colegas de trabalho que comem na mão d@ diretor@ e vão te jogar de baixo do ônibus, sem pestanejar, as vezes pela perspectiva de ganhar um dinheirinho extra, as vezes só por que são uns filhos da puta mesmo (já ouvi caso de uma professora incentivando uma mãe denunciar outra professora na Ouvidoria da SEDUC, pois esta chamou atenção do filho da responsável). Aí você vai começar a ficar velho e isso não vai mais ficando tão divertido.
Um ponto super especial e divertido pra quem trabalha em Manaus: além da Sede da SEDUC, existem umas mil coordenadorias, aí pra justificar toda essa gente fora de sala de aula fazendo sabe lá o que, inventam uma série de papeladas e burocracias para nós professores darmos conta, como se fôssemos o caralho de técnicos administrativos e como se pedagog@s não servissem pra caralho nenhum (ah e me esqueci que em Manaus não tem eleição, concurso e nem precisa ter pós graduação pra ser diretor(a) rs).
Por fim, o mais cômico é que as graduações em licenciatura são uma espécie de esquema de pirâmide, pois muitaaaa gente, mas muitaaaaa gente mesmo jura que vai virar professor universitário. Queridinh@, a menos que você seja parente de um ou esteja dando o seu rabo pra um professor universitário influente, ou tenha uma puta bagagem de conhecimento , pós graduações e de artigos escritos (e nem assim é certo), pode ir tirando seu cavalinho da chuva, pois você vai trabalhar em escola com o resto da ralé e comer o pão que o diabo cagou.
sexta-feira, 3 de setembro de 2021
Eulogy para Sísifo
De noite o terror de ficar sozinho com os meus pensamentos
De manhã, aos fins de semana, a ingenuidade e serenidade antes do peso do mundo cair sobre os meus ombros. Nos dias "úteis", uma tristeza monstruosa por ter que mastigar alguma coisa e sair apressado para repetir as mesmas tarefas banais e monótonas que repetei em outros cem dias anteriores e que sei que não tem sentido algum. Sem falar em engolir sapo de gente sem noção ou truculenta.
De dia, as horas vão levando pedaços de mim, até me sentir cada vez mais vazio e sozinho. Cada minuto que passa e isso é a minha vida. Não é a toa que as pessoas inventam deuses ou bebem até o fígado estourar. O absurdo e a loucura de reproduzirmos essa rotina como autômatos até que você surta, quebra ou morre.
