sábado, 11 de setembro de 2021

A minha experiência com o alcoolismo

Postagem no facebook em 3 de Setembro de 2021

 
Curiosidade legítima: existe sociabilidade/lazer sem álcool, cigarro e outras drogas ilícitas? Que não seja frequentar igreja ou virar um adolescente?!

A nossa sociedade associa alegria e liberdade com consumo de substâncias lícitas ou ilícitas. Aí fico imaginando como as pessoas que conseguem largar álcool, cigarro ou drogas ilícitas sem recorrerem a se tornarem uns evangélicos conservadores e paus no cu (redundância).
Bota pra tocar Zeca Pagodinho ou Pink Floyd e me diz que não vai dar uma vontade muito forte de encher a cara?! E é super brochante ficar perto de gente bêbada estando sóbrio. Além de chato pra caralho, pois bêbados são idiotas/malas e só estando bêbado pra estar no mesmo nível de idiotice e lerdeza.
Vou descobrir essa sociabilidade, pois não quero mais beber, mas também não quero virar um cuzão conservador e falso moralista depois de quase uma década bebendo.

Postagem no facebook hoje:
Respondendo a minha própria pergunta (existe sociabilidade sem álcool?): sim, acho que dá pra ir ao cinema, ao teatro, a sarais, a exposições, aos museus e prédios históricos. Ir em shows de música já é meio puxado, sentir aquele fedor de sovaco misturado com cerveja. Isso só era divertido pra mim por causa do álcool.
Vale mesmo escrever textos sobre essa nova sociabilidade e nova rede de amigos que espero construir ao longo do tempo sem álcool.
Provavelmente vai ser um caminho muito solitário, tortuoso, um esforço árduo, uma auto vigilância contínua, uma linha tênue que se eu cair, cada recomeço vai ser mais carregado de decepção comigo mesmo, culpa e vergonha (apesar destes dois últimos sentimentos serem praticamente inúteis, as pessoas dizem senti-los enquanto se preparam pra fazer a próxima coisa, mais escabrosa ainda. Vergonha é mais ridícula ainda, pois as outras pessoas não nos ajudam e não se compadecem com as nossas doenças e sofrimentos, então por que diabos deveríamos sentir qualquer coisa com relação à maioria delas?!).
As recompensas são parte da minha liberdade, a minha dignidade, a consolidação de uma mente adulta. Além disso, uma mente que respeite mais a minha saúde e os meus projetos de médio e longo prazo, não uma coisa frágil e medrosa que quebre e ceda ao primeiro sinal de dificuldade.
Esse compromisso é mais sério do que marcar a própria pele com um ferro em brasa pra se lembrar de que você não deve mais ser fraco (rs ou talvez fazer escrever NÃO VOLTAR ATRÁS e emoldurar em um lugar que eu possa ver todo dia, acho que seria menos extremo).

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