quarta-feira, 15 de setembro de 2021

É impossível fazer alguém ter consciência de classe ou bom senso

 Vivemos em um tempo distópico, em um país que não deu certo e desabou no barranco durante o trajeto do processo civilizatório (e obviamente não estou afirmando que isso é uma linha reta sem riscos de retrocessos graves). Afinal de contas, fomos o último país da América a abolir a escravidão e sofremos 10 golpes de estado (se você tiver um pingo de honestidade intelectual e admitir que o "impeachment" da Dilma Roussef foi um golpe parlamentarista)
https://brasilescola.uol.com.br/historia/quantos-golpes-estado-houve-no-brasil-desde-independencia.htm
Os trabalhadores e a educação nunca foram valorizados. A política ainda continua sendo oligárquica, inclusive esse mesmo punhado de famílias que são donas de tudo e do poder político, monopolizam (oligopólios midiáticos) os meios de comunicação (que são concessões públicas) e estes veículos por sua vez produzem discurso defendendo o que é do interesse daquelas elites. 

O nosso país é majoritariamente católico e a igreja católica sempre fez a opção pelos ricos. Não é de se espantar que a população brasileira seja conservadora e sem consciência de classe. Bom, se você achava que essa instituição, que legitimou/apoiou a escravidão africana e indígena é ruim, é porque não está vendo o crescimento do fundamentalismo evangélico. Igrejas neopentecostais pipocam nas periferias, ocupam as ausências do Estado e fazem parte de um projeto de poder (exploram a ignorância e a fé e elegem pastores milionários e corruptos) que pode nos levar para a idade das cavernas.

Isso é tão óbvio e auto evidente, mas se você perguntar para o brasileiro médio sobre isso, duvido muito que faça a mínima ideia de quem os oprime. No contexto atual, você vai ouvir algum discurso delirante sobre comunismo, ideologia de gênero (sic) ou sobre como o PT inventou a corrupção e roubou um "zilhão" de reais. 
O mais irônico é que mesmo entre a classe média ou na mídia, o pobre geralmente é retratado como burro e digno de chacota ou pena. Entretanto, a classe média brasileira tem dinheiro para gastar com cultura e lazer, ou seja, mais acesso a bens culturais como: computador e internet, livro, cinema e teatro. Tem mais tempo livre para aproveitar essas coisas, mas é a primeira a apoiar as políticos e partidos que beneficiam as elites (ou seja, a classe média acha que é rica, é como o pobre soberbo).
Além disso, é quem faz parte da massa de manobra que apoia as aventuras golpistas de parte da elite financeira brasileira. Esse golpismo culminou com a chegada ao poder, através de uma campanha política imunda e repulsiva de notícias falsas e histeria moral, de um miliciano, corrupto (família inteira metida na política, rachadinhas, laranjal, Queiroz e cia), defensor da ditadura e dos carrascos (que mataram, torturaram e estupraram em nome desta) e um fascista imbecil que só pode ser fantoche de outros grupos, pois mal consegue articular um discurso coerente (talvez dando neurológico da época de garimpo ilegal? Ou de outra atividade que o fizeram ser expulso das FA?).

A classe média é quem merece ser alvo de chacota ao invés dos pobres. Entretanto, o pobre de direita pode ser um fenômeno compreensível ("o Brasil quer o IDH da Escandinávia, mas quer ter as leis da Indonésia ou das Filipinas"), mas eu acho muito difícil aceitar a relativização da responsabilidade de um adulto apoiador do fascismo e do discurso de ódio. 
Em pequenos avanços ou grandes retrocessos, não tenho nenhuma esperança no povo brasileiro e nesse país que nunca deixou de ser um latifúndio escravocrata. Que importância tem fazer faculdade e ser professor se algum imbecil financiado pela (extrema) direita, nacional ou estrangeira,  pode atingir milhões de jovens através de youtube e outras redes sociais?! Acho que a única coisa que faz sentido é viver a vida mais confortável que eu puder e o mais distante possível de fanatismo e fascismo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.