Escrever sobre minhas angústias, meus questionamentos e minha forma de enxergar o mundo me ajudam a organizar minhas ideias, a racionalizar todo esse caos fora e dentro de mim, a buscar soluções e esperanças, a me conectar com outras pessoas que valham a pena (acho que esse tipo de escrita é terapêutica para qualquer pessoa. Caso você seja mais reservad@ ou o tópico seja muito pessoal e sensível, é possível escrever e guardar o texto par si mesm@ e provavelmente vai continuar tendo o mesmo efeito).
As vezes sinto que passei uma década e meia (com pouquíssimos intervalos em que realmente decidi alguma coisa) como uma árvore cortada, descendo o rio, ao sabor da corrente. Olho pra trás e parece que tudo foi uma mentira, ou um erro e que não vivi absolutamente nada e que foi tudo uma grande estupidez e perda de tempo. Por outro lado, lembro quando era um garoto em alguma série no ensino fundamental (em uma escola particular de Belém. Não era nada barata, mas a qualidade deixava muito a desejar). Sempre tive dificuldade pra me concentrar. Nessa memória específica, procrastinei e não tinha conseguido estudar para a prova do dia seguinte. Quando me deitei, senti um terror absoluto antes de dormir.
A gente envelhece e sente menos medo ou se abala menos diante dos vários problemas que vão surgindo, mas, as vezes, a desesperança é até maior e pior do que o medo que as nossas mentes infantis ou juvenis eram capazes de sentir. É por isso que é tão tentador acreditar em divindades e ser místico, pois em um caminho tão longo, solitário, tortuoso e áspero, em que você mal consegue vislumbrar o final, a ideia de uma figura paterna benevolente deve ser reconfortante, só que sei que isso não é e nem nunca vai ser pra mim. Vou continuar caminhando sozinho até o outro lado, durante o trajeto, paro pra conversar com as pessoas e isso ajuda bastante e é o suficiente.
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