Dentre os meus rótulos, um deles é a depressão. Se você não tem, eu provavelmente vivencio o mundo diferente de você. Poderia falar essa coisa batida e raivosa sobre como é difícil ter que gastar dinheiro com remédio e terapia simplesmente para tornar a vida suportável, mas prefiro falar sobre a felicidade.
Gosto muito de um trecho de uma música homônima do Tom Zé:
"A felicidade é como a pluma
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar
A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha
O ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
Pra tudo se acabar na quarta-feira"
Em um mundo de felicidade compulsória, é praticamente indecente expor nossos fracassos, defeitos e dores, mas vou fazer isso: a felicidade pra esse cara depressivo que está escrevendo isso assustador e incômodo, pois como você realmente sabe se ela é real? Quanto tempo ela vai durar? Quando essas substâncias "felicitosas" saírem do seu cérebro, quão grande vai ser a sua queda e como você vai se recompor?
Acho que escrevo isso pra mim e pra outras pessoas depressivas (e talvez, pois tudo isso é muito subjetivo e as pessoas não enxergam o mundo da mesma forma), talvez psicólog@s possam compreender realmente o que quero dizer, os neurotípicos na melhor das hipóteses vão ter ser empáticos, mas mais provavelmente vão falar bobagens.
Por fim, tentei ler O Demônio do Meio-Dia: Um Atlas da Depressão (do Andrem Solomon), não consegui ler todo. Ainda vou fazer esse esforço, não é uma leitura fácil, por motivos óbvios. De todo modo, o autor fala sobre tratamentos. Um deles é o exercício físico. Por exemplo, ele caminhava, mesmo que cada passo fosse como o peso de chumbo nos pés. Ontem me identifiquei com isso: acordei me sentindo muito deprimido e sem esperança, peguei meus cachorros e fui caminhar pelo condomínio e pegar sol. Depois ajeitei minhas plantas.
Uma parte tragicômica desse livro: resolvi pular para o capítulo Esperança (pois não é o que todo mundo precisa pra alimentar a vida?!), aí ele começa a conta a história de uma mulher depressiva e como uma amiga dela cometeu suicídio. Fechei o livro e pensei: é, talvez eu tente ler esse livro quando estiver mais saudável, pois ele tem coisas válidas e abrangentes a dizer sobre o assunto.
Honestamente não tenho como terminar esse texto sem escrever alguma coisa simplória ou genérica. Só vou tentar ser feliz, me humanizar e ter mais profundidade. Ser mais autêntico e sincero comigo mesmo. Espero que isso inspire quem quer que leia isso.
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