Talvez, para uma pessoa mais pretensiosa e desonesta, a resposta seja: nenhum (o que eu poderia acreditar, caso você fosse um grande intelectual de antes da invenção do cinema). A força e as ferramentas de publicidade que empresas multi bilionárias tem acesso são muito fortes e todos somos suscetíveis a elas (ao menos eu acho).
Não sei listar os lugares comuns mais comuns (pun intended) do cinema dos gringos imperialistas, mas acho que os que conseguiam ou ainda conseguem vender um ideal de vida para mim são esses:
1) O homem que por algum motivo, inusitado ou surreal, muda a própria vida radicalmente (geralmente motivado pelo amor heteronormativo). Acho que talvez seja por isso o fetiche tão forte por histórias, reais ou fictícias, de mafiosos ou serial killers (neste caso, algum motivo mais mórbido e macabro também, provavelmente).
Escolher uma vida não convencional é um privilégio para pouquíssimos. E se você não é rico e/ou famoso, provavelmente só sendo um criminoso para viver algo fora da curva.
Em Mais estranho que a ficção (Stranger than fiction), o personagem principal é um auditor fiscal que repentinamente começa a escutar uma narradora para a própria vida e acaba descobrindo que a morte dele é iminente.
https://www.imdb.com/title/tt0420223/?ref_=nv_sr_srsg_0
2) A pessoa de classe média alta ou rica que é traída/leva um pé na bunda (a única motivação para as pessoas fazerem qualquer coisa em 99% dos filmes da gringolândia é o amor romântico) e vai viajar ou viver em um país exótico e vende uma mensagem como se isso fosse realmente acessível a todos. Alguns exemplos: Benjamin Button e Comer, Amar e rezar.
É muito irônico que até o ideal de uma vida não convencional pode ser padronizado e mercantilizado. Algo em comum nos dois exemplos supracitados.
3) O "underdog" ou o Davi que vence Golias: Rudy ou Erin Brockovich. Nesse nicho, tem muito espaço para o salvador branco que resolve todos os problemas para as minorias e derrota, finalmente, o racismo, tipo o filme da Sandra Bullock sobre a branca rica que "adota" um jovem negro com potencial para o futebol americano.
4) "Mighty whitey" é um termo que conheci há algum tempo em uma crítica sobre Breaking Bad e discute o racismo inerente de algumas obras. Descreve basicamente o branco que super poderoso que consegue fazer tudo maior, melhor e mais rápido do que pessoas de outras cores ou etnia até mesmo no crime (a série que já citei, mas também Selvagens, do Oliver Stone).
De cabeça, lembro do O último samurai, com Tom Cruise. Um branco vai pro Japão no fim do domínio dos samurais sobre o país e vai ensinar o imperador sobre o que é ser um samurai. Algo de errado não está certo.
Outra peça de propaganda que só engana gringo, ou estrangeiros com pouca ou nenhuma escolaridade. As mensagens de que: eles são defensores da democracia e dos direitos humanos; o sonho americano é real e ainda existe uma robusta classe média, ou que a população de lá tem uma alta qualidade de vida; o Estado, as forças armadas e a polícia respeitam as leis e o direito internacional; eles são o melhor país do mundo e de toda a história humana e o "Excepcionalismo" norte americano (que justifica o imperialismo ianque) é justificado e positivo, pois eles são basicamente os donos do mundo inteiro e de todos os povos.
Ah e também teve e têm muita propaganda anti comunista, mas também muita propaganda contra movimentos sociais e sindicatos e qualquer coisa que questione o status quo e o domínio dos banqueiros, especuladores e plutocratas sobre as diversas nações do mundo.
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