sábado, 27 de maio de 2023

Redes sociais e o desejao infantil por aprovação

 .Vou tentar ser objetivo: redes sociais são um vício como tal, obviamente causam mais mal do que bem.

Eu e qualquer outro anônimo entramos por motivos semelhantes: dopamina, desejo de atenção, de ser vistos e ouvidos, de comunidade, de mitigar a sensação de desesperança, isolamento e alienação. Conseguimos o que saímos em busca?! Nem preciso responder.

O que redes sociais fornecem de fato: padrão de beleza, consumo e sociabilidade inacessíveis para a maioria. Simplificando, fornecem um ataque diuturno ao nosso bem estar, auto estima e saúde mental.

Idiossincrasia (termo difícil para contradição): meu ódio pela disciplina Português e pela gramática, mas meu amor por ler, compreender, escrever e ser compreendido. Então, talvez seja o caso de reativar o meu blog pessoal e reservar/refinar certas ideias para lá, pois, felizmente, afeto, atenção e suporte já estou recebendo das pessoas mais importantes. Desejo o mesmo para você, especialmente se for merecedor(a), mas se não for, desejo que se torne, mesmo que depois de tortuosa e sofrida jornada.

Ninguém vai impedir o meu crescimento

 Já saí da beira e tô indo pro centro. De mim mesmo. As outras pessoas importam e ajudam, mas só a gente decidir parar de escavar o fundo do poço.

Reconstruir leva tempo e paciência. Exige coragem, um pouco de maleabilidade e proteger onde a esperança insiste em brotar.

Pesadelos não conseguem ser piores que a nossa realidade

 Sabe o que é engraçado? Acho que 90% do Spotify e das músicas em qualquer formato são sobre relacionamentos amorosos.

Tava eu pegando meu sol. Ouvindo Eye of the tiger. A música tema do Rocky. 

Aí passa pra I'm still standing. Interpretada pelo Elton John. Comecei a gostar etc e tal, pra quem não domina o inglês: significa que a pessoa ainda está de pé ou está resistindo, como queira.

O sujeito me vem com uma presepada sobre: apesar de ter levado um pé na bunda. Ri daquilo e troquei de música. Não tem problema sofrer. O luto faz parte. Só é um saco que a cultura pop se reduz a isso: amor, sexo, pé na bunda e cornitude.

Eu quero algo diferente. Gargalhar com uma expressão indecente que o meu primo me falou e eu não conhecia. Chorar, pois sinto outras dores do que simplesmente o meu universo interno se resumisse a obsessão por outra pessoa ou por outra muleta pra entorpecer esse vazio, desconexão e falta de sentido em uma vida onde o seu povo não têm liberdade. Onde a única liberdade é consumir. 

Ausência de dinheiro é uma merda. Especialmente pra quem já nasceu pobre, mas pra quem tem origem de classe média, é algo bom ter menos dinheiro. Você cozinha sua comida. Você limpa sua sujeira. Lava roupa. Aprende a consertar e construir. 

Acho que as coisas só precisam estar limpas e organizadas. Não ser vitima da ideologia dominante é fundamental: ser é mais importante do que ter.

É irônico. Ouvi de uma estudante de História. Uma jovem de origem pobre. Que queria ter empregada doméstica. Achei aquilo tão contraditório que a memória ficou na minha cabeça. 

Ah e não dispenso da coragem de ser honesto (a) e coerente. Somos humanos. As vezes estamos sobrecarregados. Você aí tem um monte de pratos no ar que precisa manter girando. Ou eles caem e dá merda. Não tem sentido expor minhas vulnerabilidades com desconhecidos e desafetos, mas quero ressaltar que as vezes a gente não consegue equilibrar todos os pratos.

Eu salvo quantos pratos posso e me preservo. No outro dia, amadureci um pouco. Vão ter vários dias difíceis, mas agora eu quero ver quão longe eu posso ir sem auto sabotagem ou gente ruim do meu lado me atrapalhando. Que tal uma canção: eu ainda estou de pé, pois eu importo, eu me amo, a minha família me ama. Eu ainda estou de pé pq sou mais forte, inteligente e criativo do que pensei. E ao invés de lutar com os paquidermes que vão aparecer, somente vou desviando e aprender a rir dessas criaturas desajeitadas e insensatas.

No momento adequado, você pode encontrar o amor, mas amor é recíproco e é saudável. Amor é compatível. Você cuida e a pessoa cuida de você. Não preciso de uma babá e nem de uma empregada doméstica. Quero uma companheira para compartilhar o imaterial.

Isso nem deveria ser nada demais, mas em nossas cultura, é um unicórnio. Você deve ter qualidades também, por mais que o sistema e pessoas escrotas queiram que você se se odeie. Como disse são Ru Paul: se você não consegue se amar, como vai conseguir amar outrem?! Auto ajuda boba, mas é verdade. 

Ah e pra ser injusto e nosso carrasco têm as outras pessoas. Pra que diabos eu vou facilitar o trabalho deles?! 

Tenho coisas boas a dizer. Como Tim Maia disse: quero dizer que aprendi. E posso dizer para a minha família.

Café preto, suco de polpa e não aquela porcaria de caixa. Frutas. Sol. E cada dia vou construindo uma base mais sólida. Não quero olhar as pessoas ruins de cima. Quero estar cercado de gente boa, diferente, inteligente e interessante. 

As coisas podem não sair exatamente como o planejado e você segue em frente. Apesar de um bando de gente e das minhas limitações, eu vou continuar insistindo, crescendo, me adaptando.

Desconhecidos não valem a pena o esforço, tempo e energia. Qualquer outra coisa é melhor.

A melhor companhia é você mesm@

 Uma psicóloga me disse: só você pode realmente avaliar a sua vida. Ela só pode fornecer a análise que a sua formação permite. 

De fato, estou vivendo e sou quem realmente pode saber o que fazer com minhas certezas, dúvidas, instintos, pensamentos e sentimentos.

Estatisticamente, existem vários homens quase iguais a mim. Talvez eu faça parte de uma caricatura. Talvez seja mais complexo que isso. 

De todo modo, é tão difícil encontrar qualquer narrativa que eu me identifique. Um doutor em História falou sobre como a gente não poderia ser amigos pois as pessoas são dividas em tribos (dentre outras coisas que não têm sentido expor, pois só é pertinente a uma amizade que não deu certo. Faz parte. 

Não quero mais me aproximar de ninguém por um bom tempo. Que dor de cabeça somos nós e os outros, não acha? Podemos todos ser vários círculos do inferno. Essas são as nossas verdadeiras tribos. Os infernos em que vivemos ou que sujeitamos terceiros a viver

Caso o doutor fosse olhar os povos originários e suas culturas, talvez escolheria outro termo. Eu diria: não podemos ser amigos, pois além de visões de mundo muito diferentes e irrenconciliáveis, vivemos em um sistema capitalista. As pessoas têm diferentes valores mercadológicos e isso vale pra mim e para ele.

Não é meu papel, função ou direito oferecer redenção, ou impor condenação. Se tivesse tanto poder ou importância, teria gasto comigo e não com alguém que não passa de uma memória.

Esta cidade tem esses dias em que o céu e o vento parecem brincar com a gente. Te fazem acreditar por horas a fio que uma chuva torrencial está prestes a cair. Acho apropriado que seja assim hoje, enquanto reflita sobre transitoriedade, arbitrariedade e acaso. De todos os vários assentos livres, aquela mulher escolheu sentar ao meu lado e brincar de "inquisidora" (função que era de homens pequenos e mesquinhos). 

As vezes a gente acha a pessoa, o livro, o filme, série ou jogo que nos entretém. Porém, as vezes me dá a incômoda sensação de que quando sou muito permissivo e faço essas escolhas.Opto por isto e não aquilo: estou enchendo a minha vida de um monte de nada e aqueles risadas de siticom gringos.  

Até algum poema meloso que o algoritmo espião acredita que vai me comover. Não me comove. Me constrange e irrita. Especialmente o ato mecânico de curtir toda essa bobagem que não significa nada e que não importa. As vezes me dá a desconfiança que nem ele, tu, eu ou nós importamos. Tudo isso parece uma farsa cheia de bile, merda e desumanidade. Creio que é hora de eu escolher não engajar mais meu tempo e meus sentimentos nisso tudo que está aí. Seja lá como diabos queriam chamar e classificar essa insanidade.



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Sobre "The whale"

 o personagem principal do filme é um homem com obesidade mórbida. passa seus últimos momentos da vida em isolamento, humilhação e tentando se convencer que a filha é uma boa pessoa. a cereja do bolo: um moleque cristão fica enchendo o saco dele para o converter. 

bônus: é um homofóbico.

a filha do prof filme o moleque fumando maconha e o grava confessando suas transgressões contra a igreja milenarista que ele frequenta e manda para os parentes dele (ele tinha roubado dinheiro e fugido). o tiro sai pela culatra e o pequeno jovem homofóbico é perdoado.

"as pessoas são maravilhosas. ela é uma boa pessoa. fez aquilo para ajudá-lo". tenta se convencer o prof antes de morrer.

chorei umas duas vezes vendo esse filme.

a pior parte do cristianismo não é nem que ele nos infantiliza. o pior é que justifica ou relativiza o sofrimento humano.

em The Whale, o professor gay de literatura diz várias vezes que as pessoas são maravilhosas. o companheiro dele cometeu suicídio pois o pai fundamentalista cristão não aceitava a orientação sexual do filho

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a solidão sem medo de ser o que não é

 a minha felicidade e infelicidade

são carregadas nas asas de um bem-ti-vi e bem ti vi 

o meu pesar é varrido 

escorrido, escarrado, mas não escorraçado

pelas minhas lágrimas que caem 

não tenho medo dessas pequenas gotas 

de memórias são feitas as sementes

o esquecimento é como um galho ressequido

algo começou a brotar

não sei o que será que eu vou derramar

os pedaços da construção do eu

cimento, vigas, concreto, cerâmica, barro, areia, água do meu sangue

lá no topo do muro tem uma planta

no topo da planta tem flores

no topo das flores tem minha solidão

e nada mais precisa ser dito

A borboleta e o beija-flor

 

Ontem, vi um inseto no chão, em frente a grade que estávamos lixando. As asas nuns tremeliques. Pensei que estava agonizando, uma mariposa fez isso perto de mim, há algum tempo atrás.

A prof de Biologia que mora comigo disse que aquilo era somente pois a borboleta estava bebendo a água da vala. Dito e feito, lá foi o inseto batendo suas asinhas e ascendendo, mas seguindo uma lógica diferente do que um ser humano faria. Se algum australopithecus tivesse cruzado com uma ave e o negócio tivesse dado certo.

Fato é que, infelizmente, ou felizmente (imagina o estrago que seres humanos iam fazer com mais membros e mais poder?!) não possuímos essas asinhas feitas de seda ou os ossos ocos das ave s. Imaginei soldados gringos voando e cometendo crimes contra a humanidade sem precisar do auxílio de transporte (acho que ia economizar bastante combustível para cada assassinato). 

No Brasil, pensei em samba nos céus, mas gente que perdeu as penas por inanição. Áreas no céu que seriam privatizadas. Uma boate cara de playboy, classe média alta (o que se esforça pra dar a ideia de que é) ou rico (tem tanto dinheiro ensanguentado, poder e privilégios que prefere ser mais discreto. Claro, existem exceções), mantida no ar com puro poder gravitacional da herança escravista, oligárquica e patriarcal.

A borboleta tem as e as usou para ascender em círculos ou o que me pareceu um padrão circular. A criaturinha seguiu sua vida. Nós seguimos a lixar o metal. 

Esqueci de mencionar um fato importante: a professora, previamente mencionada, nos contou que aquele inseto também se alimenta de excrementos, algumas espécies até mesmo utilizam nosso suor e sangue como parte de sua nutrição. Creio que se elas pudessem voltar lá na mesa de desenho da evolução das espécies, ia escolher fonte alimentar menos tóxica.

Não deu muito tempo e o namorado da professora disse que tinha um beija-flor no arbusto de Ixora. De fato, era. Filmei enquanto aquele passarinho mágico batia suas asas e se alimentava do néctar. 

Relembrei das curiosidades desgastadas: a velocidade das asas e do vôo e quantas vezes por segundo o coração daquele pequeno pássaro bate. Bom, o conhecimento científico não se resume a curiosidades. Exige muito mais leitura, experimentação, observação e mais um zilhão de coisas que englobam a totalidade do conhecimento humano até este exato momento. Não me apetece saber tanto assim sobre estas criaturas. Filmei e nem me lembro se a ave partiu ou eu que perdi o interesse antes dela encher sua barriguinha e seguir adiante. De minha parte, não lhe guardo ressentimentos e lhe desejo sorte e aos seus descendentes em uma área de crescente deflorestação para acomodar condomínios vazios rodeados de periferias lotadas.

Eu poderia continuar com jogos de metáforas ou tentar criar personagens e mundos impossíveis. O texto ficou cinzento. Eu não quero ser uma versão grotesca ou ridícula do Esopo. 

A idea inicial era simplesmente dizer: que engraçado. Duas criaturas coloridas e voadoras, mas uma se alimenta de merda e a outra de néctar. Uma é um inseto e outra é uma ave. Boa parte do que se fala, filma ou é gravado é sobre como eu sou um beija-flor e cicrano é uma borboleta. Sempre são os outros a borboletas. 

Bom, ocupem os dois papéis e pare de ser tão prepotentes e juvenis. Eu prefiro ser meu próprio paraíso e inferno. Meu próprio herói e vilão. As vezes você só quer uma baladeira e algo pra enxotar borboleta (inseticida mata. Deixa o inseto no seu triste papel de coprofagista). As vezes, muros, cerca elétrica e bolhas de redes sociais parecem não só necessárias, mas como o único modo de se viver.

O sol vai raiar e abrandar a amargura. Uma nova muda minha vai brotar. Vou criar mais e mais motivos pra sorrir e passar repelente (aí, viu, lembrei da palavra) de borboletas humanóides na minha pele. Trabalhar, estudar, comer e depois ouvir música e sonhar em ser um beija-flor. Algo lindo voando em torno de coisas lindas. Nutrindo-se delas e vice versa.


*Primeiro rascunho. Demorou um tempo pra botar isso em palavras e não estou com paciência de corrigir agora.

a mulher bonita e tatuada que vejo quando vou a médica

 a mulher bonita e tatuada que vejo quando vou a médica


eu vou torcer por todas meninas, moças e mulheres.

uma mulher me viu no elevador vazio e disse que estava descendo. obviamente, ela sabia que estava descendo, mas ficou com receio de ficar sozinha com um homem de 1,90m e tatuado num elevador. ou seja lá qual outro receio, trauma e quantas obscenidades ela já ouviu de homens. fiquei surpreso, mas com raiva dela.

posso até estar enganado. ela queria subir. queria ficar sozinha. ou qualquer outra coisa que não é da minha conta.

o elevador continuou a descer. em cada andar fui segurando a porta e foram entrando mulheres baixinhas e mais velhas que eu. 

contei o que houve para a primeira. ela disse o clássico "não se pode generalizar os homens", mas eu disse que existem muitos homens violentos, covardes e que dizem obscenidades para as mulheres (para meninas e as adolescentes também, mas isso, obviamente não ficou de fora).

até que, por fim, me encontrei cercado de pessoas do gênero oposto. pessoas cis. pessoas mais velhas. até uma idosa que precisava da ajuda de outras mulheres para se locomover.

na hora de sair, pensei que era o único a desembarcar dessas arapucas que são os elevadores. uma das idosas ia sair. ela aparentava estar com dor de cabeça ou algum outro incômodo. pedi perdão, segurei a porta. e disse até mais para as outras senhoras.

me sentei para chamar um motorista de app e voltar para os meus cães e para o meu lar.

escolhi ouvir "Relaxing Beethoven" e observei o fluxo de pessoas. de vez em quando, vejo uma mulher linda. as mulheres conseguem ser lindas e cativantes de tantas maneiras. essa tinha um rosto sério, usava óculos e talvez sua mente estivesse ocupada com as questões da vida adulta, talvez alguma irritação. eu acompanhei seu rosto. a completude dele. depois somente seus cabelos até que entrou, rapidamente, em um carro.

não acho que notou o meu olhar e espero que não. talvez confundisse meu desejo em olhar seu rosto e tatuagens e o desejo de encontra-la em um contexto apropriado para flertar. ela poderia esse olhar insistente, mesmo com a duração de segundos, em algo obsceno, feio ou perigoso.

de todo modo, mais pequenos momentos ocorreram. pequenas interações sociais. o que pode ser melhorado, espero melhorado. o que não é problemático, deixo pra algum arquivista negligente jogar em qualquer lugar da minha mente. pra ser devorado por traças, mofo ou vitimado por goteiras e umidade em excesso. é o problema do papel vagabundo feito hoje em dia, em comparação ao que era feito há séculos ou milênios atrás por artesãos mentais de papiro e registrado por escribas mentais.

tantas mulheres lindas e solteiras. de uma idade apropriada para a minha. tantas outras pessoas passando e seguindo com suas vidas. tento imaginar como são seus dias. 

espero que tenham ao menos café, sol e sossego. até mesmo para os homens que não são maus, covarde e obscenos com crianças e adolescentes. por que a nossa sociedade produz a nós homens tão limitados e que diabos deu de errado na vida de uma maldita criatura que faz esse tipo de coisa? 

esse é o tempo pra amar a mim mesmo. para plantar sementes abstratas e concretas. é tempo de cuidar do meu jardim e este é só concreto mesmo, pois sou megalomaníaco? pode ser, mas prefiro chamar de meu universo interno o todo que sou eu e que nem sempre é permitido botar em palavras.

a mulher tatuada, linda e de óculos seguiu sua vida. em um momento apropriado, o momento para amar, alguma mulher incrível vai compartilhar a vida dela comigo. e eu vou ser melhor por isso. até que seja o momento apropriado de amar esta etérea mulher. sigo meu caminho. tentando ser uma pessoa melhor. tentando ser coerente e consistente com a minha ética e a Minha moral.




um dia


vou acordar feliz, maduro, paciente e sereno

não por ato de prestidigitação

ou outra palavra complicada

pra dizer golpe, cilada, ilusão ou

enrolação. 

caminhei, chorei, lembrei e pensei

cai, levantei, sonhei e ousei 

fazer diferente. 

a gente contente se encontra no meio do caminho

o caminho do meio e nem precisa rimar

o menino dentro de mim sorri e quer errar

catar, pintar e bordar. pintar. bordar.

insistir em rimar, cantar mesmo sem tempo

o homem gostaria de escrever, plantar, viver e despretensiosamente ser feliz

tudo. 

ter uma casa para plantar uma árvore e não ser obrigado a cortar

fazer ou ver algo que seja belo, novo ou velho e poder ter pessoas com quem compartilhar

uma palavra que a gente desconhece é um sentimento que não sabemos explicar

ao menos, li isso em algum lugar.

quero te descrever cada cor, gosto, cheiro e textura para poder me encantar e valorizar a beleza das coisas simples e delicadas

no meio do caminho e no caminho do meio a gente pode se amar. posso até rimar se isso te fizer gargalhar. é o que quero compartilhar

um dia

a ou uma vida inteira 


a vida adulta e uma pia suja



lavando louças e ouvido a volta de secos e molhados e me lembrei disso: pra qualquer coisa piorar, a negligência já é o suficiente pra causar um estrago catastrófico.

a pia é sua e você escolhe o que faz com ela. deixar a pilha de sujeira acumular. quem dera que a melhor coisa que pudesse surgir disso fosse um ninho daquelas corujas peladas e estranhas.

viajei na estrada da morte da Bolívia para o Brasil. era uma história para contar e dar em cima de universitárias da minha idade. hoje, sou um homem de quase 37 anos. lembro disso e penso: que estrada perigosa eu percorri até agora. e já foi o bastante.

foi legal conversar com um indígena boliviano que sentou ao meu lado. falei num portunhol que até hoje me faz mais rir do que sentir vergonha. 

entretanto, se aquele ônibus tivesse derrapado na estrada de barro e caído pela ribanceira lá em baixo. teriam morrido várias pessoas. uma delas seria o eu de 20 e poucos anos. não odeio aquele jovem nem tudo o que pensou e sentiu, mas definitivamente que desperdício teria sido se a minha vida tivesse encerrado ali e varrida por aquele rio. eu costumava ser muito mais limitado do que sou hoje em dia.

hoje, posso fazer. depois recomeçar e melhor do que da última vez que ousei sonhar e ter esperança. então, basta de adrenalina para esse sistema nervoso sustentado por esse exoesqueleto de carne e sangue. estou curioso para o que o eu de amanhã pode fazer melhor do que o eu de hoje. e isso é o bastante. 

lágrimas e sorrisos


acordei e o choro preso lá no fundo não sai

queria que a minha dor e encanto fossem como os pássaros

eles são mais bonitos quando você tem a chance de os observar livremente

Não preciso de foto digital e descartável para lembrar


caminhando entre meus colegas professores que não estão acovardados por migalhas e nem traem a categoria por causa de cargo, favores (lícitos ou não).

andando pelo centro e entre aquela fila de pessoas. algo que todo ser humano precisa: pertencer. algo que todo trabalhador precisa fazer: fazer parte da luta coletiva da sua categoria.

queria mais dias como hoje.

queria poder pintar uma aquarela e desenhar aquela fila colorida de pessoas caminhando e encorajando mais professores a vencerem o medo da intimidação.

gostaria de me permitir ter esperança. é algo perigoso e assustador. talvez um dia eu tenha cabelos brancos e esses medos e aperto no meu coração seja uma lembrança que vou ter mais maturidade e bagagem pra relembrar sem tristeza ou arrependimento. 

catei umas sementes da praça do IEA. talvez um dia elas dêem frutos. talvez nossa luta dê frutos. 

talvez as minhas lágrimas e sorrisos façam sentido depois de algum tempo. tanta gente caminhando por aí e eu sou uma dessas pessoas. espero encontrar caminhos melhores, evitar poças e outras armadilhas. se eu cair, vou me levantar. e se você precisar de ajuda, eu te ajudo a se l

evantar.

O menino e o mar

 Um menino caminhando na beira do mar e brincando com as ondas que chegam peto dos pés dele. Coletando conchas. Correndo atrás das aves. Ouvindo o som do mar em conchas vazias. E coletando aquelas conchinhas.

No fim do dia, as costas queimadas. A pele descasca de forma meio úmida..

qual o sentido?


caminhei de tão longe

não construí nada

não fiz nenhuma diferença

qual o caralho do sentido!

não tenho nem poder sobre a minha vida

tudo deu errado. em breve vou fazer 40 anos

qual o sentido?!

uma mitologia? ideologia? alguma ambição medíocre? 

eu estou farto dessa vida miserável e absurda. 

mil reais de terapia que eu poderia ter gasto com puta


***Escrevi esse texto quando estava em extremo sofrimento. Não penso isso realmente.

Barbárie


Há alguns milhares de anos os seres humanos, esses primatas sem pelos e com cérebro grande demais e cheio de ansiedade e ódio, resolveram que: esse pedaço de terra é meu; essa menina ou mulher é propriedade do pai ou marido; essa pessoa é um bem móvel e pode ser comercializada.

Milhares de anos de genocídio e barbárie. Tanto faz se no Antigo Testamento do tirano divino, ou por Alexandre, o grande portador de daddy issues, ou outro assassino sociopata.

Avança pro século XXI, tem um presidente negro comandando o império norte-americano. Agora, os ataques de drones vão derrubar bombas contendo símbolos dos panteras negras e bandeiras lgbt; o saque, a pilhagem, os golpes de Estado, os assassinatos e os estupros vão ser cometidos de forma humanística. 

Arrasta mapa aqui pra Manaus e pro Brasil. O que é esse país: sempre foi uma colônia, um latifúndio escravocrata e controlado por oligarquias sanguinárias. 

Hoje em dia, chamamos de elite (sic) capitalista. Creio que Saqueadores, descendentes de escravistas e bilionários parasitas é um termo mais apropriado. Como disse Emicida, muito acertadamente, por sinal: elite significa os melhores. O que uma sociedade têm de melhor a oferecer. Os ricos são a escória e o dinheiro deles é cheio de sangue, sofrimento, opressão e barbárie imposta por séculos sobre nós que somos da classe trabalhadora. ATÉ QUANDO?! Conciliação de classes é uma propaganda para fazer a classe trabalhadora aceitar viver sob a ditadura e com a canga imposta pelos bilionários e seus lacaios tecnocratas.

Em breve, a Zona Norte vai ser transformada em condomínios vazios e periferias cheias de miseráveis e famélicos. As áreas verdes vão ser derrubadas para dar lugar a isso. Isso não te parece barbárie?! Bom, uma área verde que existe desde tempo imemorial vai dar lugar a sofrimento, abuso e exploração dos mais vulneráveis por essa escória burguesa!