Uma psicóloga me disse: só você pode realmente avaliar a sua vida. Ela só pode fornecer a análise que a sua formação permite.
De fato, estou vivendo e sou quem realmente pode saber o que fazer com minhas certezas, dúvidas, instintos, pensamentos e sentimentos.
Estatisticamente, existem vários homens quase iguais a mim. Talvez eu faça parte de uma caricatura. Talvez seja mais complexo que isso.
De todo modo, é tão difícil encontrar qualquer narrativa que eu me identifique. Um doutor em História falou sobre como a gente não poderia ser amigos pois as pessoas são dividas em tribos (dentre outras coisas que não têm sentido expor, pois só é pertinente a uma amizade que não deu certo. Faz parte.
Não quero mais me aproximar de ninguém por um bom tempo. Que dor de cabeça somos nós e os outros, não acha? Podemos todos ser vários círculos do inferno. Essas são as nossas verdadeiras tribos. Os infernos em que vivemos ou que sujeitamos terceiros a viver
Caso o doutor fosse olhar os povos originários e suas culturas, talvez escolheria outro termo. Eu diria: não podemos ser amigos, pois além de visões de mundo muito diferentes e irrenconciliáveis, vivemos em um sistema capitalista. As pessoas têm diferentes valores mercadológicos e isso vale pra mim e para ele.
Não é meu papel, função ou direito oferecer redenção, ou impor condenação. Se tivesse tanto poder ou importância, teria gasto comigo e não com alguém que não passa de uma memória.
Esta cidade tem esses dias em que o céu e o vento parecem brincar com a gente. Te fazem acreditar por horas a fio que uma chuva torrencial está prestes a cair. Acho apropriado que seja assim hoje, enquanto reflita sobre transitoriedade, arbitrariedade e acaso. De todos os vários assentos livres, aquela mulher escolheu sentar ao meu lado e brincar de "inquisidora" (função que era de homens pequenos e mesquinhos).
As vezes a gente acha a pessoa, o livro, o filme, série ou jogo que nos entretém. Porém, as vezes me dá a incômoda sensação de que quando sou muito permissivo e faço essas escolhas.Opto por isto e não aquilo: estou enchendo a minha vida de um monte de nada e aqueles risadas de siticom gringos.
Até algum poema meloso que o algoritmo espião acredita que vai me comover. Não me comove. Me constrange e irrita. Especialmente o ato mecânico de curtir toda essa bobagem que não significa nada e que não importa. As vezes me dá a desconfiança que nem ele, tu, eu ou nós importamos. Tudo isso parece uma farsa cheia de bile, merda e desumanidade. Creio que é hora de eu escolher não engajar mais meu tempo e meus sentimentos nisso tudo que está aí. Seja lá como diabos queriam chamar e classificar essa insanidade.
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