sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Absurdidade e repetições de sempre no Black Friday

Comentários clichês da galera "meio de esquerda e meio intelectual":
"Ontem os norte-americanos mandaram seus B-52 carregados de bombas, inclusive nucleares, ameaçar a China. Hoje usaram seus propostos na Síria ("terroristas" que a imprensa sustentada com o "ouro de Washington" chama de "insurgentes") para atacar com morteiros a embaixada da Rússia em Damasco."

"e viva a ciranda do consumismo supérfluo! Os vendedores escravizados enxergam nos consumidores as metas a serem batidas...e o bolso do patrão cada vez mais cheio...ah se soubessem o que é mais valia..."

"Sou mais black block do que black friday" Socialista Morena.

Sabe, isso tem um gosto daqueles comentários de gente que curte rock (geralmente meninos de apartamento e de classe média) sobre outros gêneros musicais comerciais, mas que são produzidos no Brasil, então, sabe como é? “No Brasil nada presta, por que só foi colonizado por bandido e desde então é só corrupção e eu li na Veja blá blá blá e quero ir pros EUA  flip burguers and live the american deam”... Esses clichês me dão uma sensação tão grande de banalidade. É sempre a mesma lenga lenga de gente que, muitas vezes, nem ao menos é engajada em movimentos sociais e nem vai pra manifestações. Mesmo que fossem, o único objetivo que esse discurso atinge com sucess, é que o interlocutor te ache um boçal que olha de cima todo mundo ao redor dele.
De qualquer forma, por falta de um argumento melhor, isso é a mesmice, é a rotina, é a mediocridade.  Acho que é tão ruim quanto o consumismo, alienação e compulsão, por que são as mesmas frases de um script que repetimos como autômatos, mas,, sabe, eu também não estou isento de repetir o mesmo roteiro velho de sempre, mas agora aos meus 27 anos, começo a reconhecer alguns padrões e eles fazem o fundo do meu crânio coçar e entristecem o meu estômago. Eu quero fugir deles, quero algo novo e autêntico.

Só sei que eu comprei os meus livros com um desconto bom. Sei que esse desconto pode ter (provavelmente tem)  um custo social e ambiental embutido, mas me pergunto qual é a alternativa e gostaria que essas pessoas altivas usando sapatos costurados por crianças asiáticas (por 1 centavo ao dia) me contem!  Por que no contexto de Belém, de manifestações pastoreadas pela PM, uma massa de despolitizados que caguetam outros manifestantes e aplaudem a PM assassina, inúmeros apartidários de direita que incitam o grito despolitizante “Sem partido!” e partidos de esquerda que não querem se indispor com essa massa conservadora e alienada, não parece que estejamos caminhando pra frente!
Eu sei que a mudança política e social é mais complexa e, muitas vezes, mais demorada do que os nossos anseios ou do que o tempo que a gente tem de vida. E sei desse caráter teleológico do engajamento (ídolo sacrificial?), mas sei que a minha cabeça tá doendo e eu deveria estar escrevendo a minha monografia. Algum outro dia eu penso melhor sobre isso. Até logo.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Ironias de se estudar História

Acho que um dos ossos do ofício de quem estuda História é ter que ser presenteado, de parentes e conhecidos bem intencionados, livros de jornalistas brincando de escrever história. Acho que tenho uns dois livros do Laurentino Gomes e um Breve História da tia Maricotinha.

É batata! É quase uma lei da física. Meio parecido com os outros ossos: acham que a gente é calendário/enciclopédia; alguma figurinha leu algum livro de jornalista diletante/brincante e quer compartilhar o seu vasto conhecimento historiográfico conosco; pensam que todo estudante de História é militante/maconheiro (o que nem é um rótulo ruim, mas é uma crença bem irônica devido a vasta fauna de reaças no curso. De qualquer forma, prefiro esse do que o rótulo de ser um curso cheio de gente alienada e reaça, como é o caso dos de Exatas );  ouvir em tom jocoso o comentário "conta uma história aí" (esse tem todo uma série de contextos e significados para quem é de classe média).

Caso você seja de classe média e se for de esquerda: finja que é pobre (ou brinque de ser) ou ostensivamente lance mão de símbolos regionais. Quanto mais bairrismo, melhor! Ou reforce  a sua identidade mauriçoca e reproduza a mentalidade do ensino médio (feito em escola particular) na universidade e adquira um conhecimento instrumental e, francamente, vá pra PQP. Entretanto, se quiser achar o caminho entre as pedras:  descubra um milhão de estratégias e encontre formas de criticar posturas reacionários da sua classe e do seu meio familiar sem ser odiado ou odiar, sem se excluir da convivência, mas, ao mesmo tempo, sem se anular. Escolha as batalhas que valem a pena serem travadas e as pessoas que querem questionar o senso comum e o discurso pronto da mídia. Não é uma receita de bolo e nem sempre funciona, quando você passa perto de alguém e escuta: "agora os negros estão na moda" e comentários congêneres, mas ainda assim vale a pena tentar encontra esse equilíbrio e amadurecer um pouco no processo.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Humor, cinema e a homofobia: combater ou reforçar.

http://www.youtube.com/watch?v=VxN8PhKzZgY Por falar em homofobia sutil (ou nem tanto) nessa apresentação, num dos "bits", ele fala sobre como o filme Coração Valente," do fundamentalista cristão e racista, Mel Gibson", um dos vilões é o príncipe da Inglaterra e ele enfatiza bastante a homossexualidade e, de certa forma, parece que a opressão do povo é pior por que ele é gay ou ele é um tirano por ser gay ou a tirania é fruto da homossexualidade. Realmente, retratar gays como vilões é complicado de se fazer em um mundo ainda muito homofóbico. O diretor do filme ser um fundamentalista não ajuda em nada... Outro detalhe legal são os comentários dele sobre os erros históricos do filme (o William Wallace era nobre e rico; ele serviu como mercenário dos ingleses; a princesa da Inglaterra retratada no filme tinha 4 anos quando o Wallace morreu, esse cara é tão talentoso que ele faz rir com uma piada sobre pedofilia (!); o Robert the Bruce não era um traidor,isso eu tô me lembrando, mas não tenho certeza). Legal o jogo que ele faz com o preconceito da plateia, brincando que o William Wallace era gay e que ele "queria que a Inglaterra tivesse um herói medieval gay, mas só a Escócia tem um que DEFINITIVAMENTE era gay!". Ah e ele faz mais várias reflexões muito legais sobre homofobia e a irracionalidade e ignorância que geram o preconceito.

Para complementar a reflexão, recomendo o documentário "O outro lado de Hollywood" (The celluloid closet),http://www.imdb.com/title/tt0112651/ Ele aborda como o cinemão norte-americano retratou, ao longo da sua história, os homossexuais: em tom humorístico como alívio cômico; como vítimas condenadas a uma destino terrível; como seres imorais que viviam livremente sua sexualidade e que deveriam ser punidos por sua rebeldia; como vilões, como no caso de Leopold e Loeb (um caso muito interessante e que segundo o documentário, eram gays: http://pt.wikipedia.org/wiki/Leopold_e_Loeb); até, finalmente, serem retratados levando vidas felizes e com um forte sentimento de camaradagem entre amigos ou como um herói, no caso do protagonista de Filadélfia. 

Interessante  o retrato que documentário pinta sobre o puritanismo da sociedade norte-americana da década de 50 e de como ligas de moralistas buscavam censurar os filmes de acordo com experiência de roteiristas, atores, ativistas e historiadores gays que sofreram com essa repressão. Mais instigante ainda é que ele aborda os subterfúgios que os roteiristas lançavam mão para tapear os censores, como o caso de Gore Vidal, um ativista gay, que inseria insistentemente a temática nos filmes dele. Quem diria que o roteirista queria deixar subentendido que Ben Hur e o romano mantiveram um relacionamento homossexual na juventude! Melhor ainda, a cereja do bolo o Charlton Heston (aquele reaça da "vocês só vão tirar essa arma de mim por cima do meu cadáver!', depois da tragédia de Columbine) não sabia que a intenção era essa!
 É fundamental o papel que a arte tem para quebrar tabus e preconceitos, é uma pena que nós sejamos, atualmente, tão carentes, especialmente entre os humoristas, de ícones progressistas.

P.s.: Esse comediante tem um vídeo muito legal ironizando essa questão dos reaças e sua choradeira sobre o politicamente correto. Gostaria de traduzi-lo um dia....