Acho que um dos ossos do ofício de quem estuda História é ter que ser presenteado, de parentes e conhecidos bem intencionados, livros de jornalistas brincando de escrever história. Acho que tenho uns dois livros do Laurentino Gomes e um Breve História da tia Maricotinha.
É batata! É quase uma lei da física. Meio parecido com os outros ossos: acham que a gente é calendário/enciclopédia; alguma figurinha leu algum livro de jornalista diletante/brincante e quer compartilhar o seu vasto conhecimento historiográfico conosco; pensam que todo estudante de História é militante/maconheiro (o que nem é um rótulo ruim, mas é uma crença bem irônica devido a vasta fauna de reaças no curso. De qualquer forma, prefiro esse do que o rótulo de ser um curso cheio de gente alienada e reaça, como é o caso dos de Exatas ); ouvir em tom jocoso o comentário "conta uma história aí" (esse tem todo uma série de contextos e significados para quem é de classe média).
Caso você seja de classe média e se for de esquerda: finja que é pobre (ou brinque de ser) ou ostensivamente lance mão de símbolos regionais. Quanto mais bairrismo, melhor! Ou reforce a sua identidade mauriçoca e reproduza a mentalidade do ensino médio (feito em escola particular) na universidade e adquira um conhecimento instrumental e, francamente, vá pra PQP. Entretanto, se quiser achar o caminho entre as pedras: descubra um milhão de estratégias e encontre formas de criticar posturas reacionários da sua classe e do seu meio familiar sem ser odiado ou odiar, sem se excluir da convivência, mas, ao mesmo tempo, sem se anular. Escolha as batalhas que valem a pena serem travadas e as pessoas que querem questionar o senso comum e o discurso pronto da mídia. Não é uma receita de bolo e nem sempre funciona, quando você passa perto de alguém e escuta: "agora os negros estão na moda" e comentários congêneres, mas ainda assim vale a pena tentar encontra esse equilíbrio e amadurecer um pouco no processo.
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