quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Humor, cinema e a homofobia: combater ou reforçar.

http://www.youtube.com/watch?v=VxN8PhKzZgY Por falar em homofobia sutil (ou nem tanto) nessa apresentação, num dos "bits", ele fala sobre como o filme Coração Valente," do fundamentalista cristão e racista, Mel Gibson", um dos vilões é o príncipe da Inglaterra e ele enfatiza bastante a homossexualidade e, de certa forma, parece que a opressão do povo é pior por que ele é gay ou ele é um tirano por ser gay ou a tirania é fruto da homossexualidade. Realmente, retratar gays como vilões é complicado de se fazer em um mundo ainda muito homofóbico. O diretor do filme ser um fundamentalista não ajuda em nada... Outro detalhe legal são os comentários dele sobre os erros históricos do filme (o William Wallace era nobre e rico; ele serviu como mercenário dos ingleses; a princesa da Inglaterra retratada no filme tinha 4 anos quando o Wallace morreu, esse cara é tão talentoso que ele faz rir com uma piada sobre pedofilia (!); o Robert the Bruce não era um traidor,isso eu tô me lembrando, mas não tenho certeza). Legal o jogo que ele faz com o preconceito da plateia, brincando que o William Wallace era gay e que ele "queria que a Inglaterra tivesse um herói medieval gay, mas só a Escócia tem um que DEFINITIVAMENTE era gay!". Ah e ele faz mais várias reflexões muito legais sobre homofobia e a irracionalidade e ignorância que geram o preconceito.

Para complementar a reflexão, recomendo o documentário "O outro lado de Hollywood" (The celluloid closet),http://www.imdb.com/title/tt0112651/ Ele aborda como o cinemão norte-americano retratou, ao longo da sua história, os homossexuais: em tom humorístico como alívio cômico; como vítimas condenadas a uma destino terrível; como seres imorais que viviam livremente sua sexualidade e que deveriam ser punidos por sua rebeldia; como vilões, como no caso de Leopold e Loeb (um caso muito interessante e que segundo o documentário, eram gays: http://pt.wikipedia.org/wiki/Leopold_e_Loeb); até, finalmente, serem retratados levando vidas felizes e com um forte sentimento de camaradagem entre amigos ou como um herói, no caso do protagonista de Filadélfia. 

Interessante  o retrato que documentário pinta sobre o puritanismo da sociedade norte-americana da década de 50 e de como ligas de moralistas buscavam censurar os filmes de acordo com experiência de roteiristas, atores, ativistas e historiadores gays que sofreram com essa repressão. Mais instigante ainda é que ele aborda os subterfúgios que os roteiristas lançavam mão para tapear os censores, como o caso de Gore Vidal, um ativista gay, que inseria insistentemente a temática nos filmes dele. Quem diria que o roteirista queria deixar subentendido que Ben Hur e o romano mantiveram um relacionamento homossexual na juventude! Melhor ainda, a cereja do bolo o Charlton Heston (aquele reaça da "vocês só vão tirar essa arma de mim por cima do meu cadáver!', depois da tragédia de Columbine) não sabia que a intenção era essa!
 É fundamental o papel que a arte tem para quebrar tabus e preconceitos, é uma pena que nós sejamos, atualmente, tão carentes, especialmente entre os humoristas, de ícones progressistas.

P.s.: Esse comediante tem um vídeo muito legal ironizando essa questão dos reaças e sua choradeira sobre o politicamente correto. Gostaria de traduzi-lo um dia....

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