O Anarquismo
"presume que
o ônus da prova para qualquer um em uma posição de poder e autoridade pesa
sobre eles" explica Chomsky.
O seguinte é o texto
adaptado de uma entrevista que apareceu primeiro na revista Modern Sucess.
Tantas coisas foram escritas sobre e discutidas pelo professor Chomsky, foi um
desafio pensar em qualquer coisa nova para perguntar a ele: com o avô que você não
consegue pensar em nada para dar de presente de Natal por que eles já têm tudo.
Então eu decidi ser um pouco egoísta e perguntar a ele o que eu sempre quis
perguntar. Como um anarquista franco, real e em carne e osso, eu queria saber
como ele pôde se alinhar com uma posição tão polêmica e marginal
Michael S. Wilson: Você
é, entre muitas outras coisas, um anarquista auto-descrito – um
anarcosindicalista especificamente. A maioria das pessoas pensa em anarquistas
como punks marginalizados atirando pedras em vidraças de lojas, ou homens
mascarados atirando bombas em formato de bolas em industriais gordos. Essa é
uma visão precisa? O que é a anarquia para você?
Noam Chomsky: Bom,
anarquismo é, aos meus olhos, basicamente um tipo de tendência no pensamento
humano, a qual se apresenta em diferentes formas, em diferentes circunstâncias
e tem algumas características principais. Primeiramente é uma tendência que
suspeita e é cética à dominação, autoridade e hierarquia. Ela busca estruturas
de hierarquia e dominação na vida humana sobre todos os âmbitos, se estendendo
de, digamos, famílias patriarcais para, digamos, sistemas imperiais e questiona
se esses sistemas são justificados. Ela presume que o ônus da prova para
qualquer um em uma posição de poder e autoridade pesa sobre eles. A sua autoridade
não é auto-justificável. Eles têm que dar uma razão para ela, uma
justificação. E se eles não podem justificar essa autoridade, poder e controle,
o que geralmente é o caso, então a autoridade deveria ser desmantelada e
substituída por algo mais livre e justo. E, como eu a compreende, anarquia é
somente essa tendência. Ela toma diferentes formas em tempos diferentes.
Anarco-sindicalismo é uma variedade particular de
anarquismo que se preocupava, primeiramente, mas não somente, mas primeiramente
com o controle sobre o trabalho, sobre o ambiente de trabalho e sobre a
produção. Ele tomava como certo (it took
for granted) que os trabalhadores deveriam controlar o seu próprio trabalho
e suas condições, que eles deveriam controlar as empresas em que trabalhavam,
junto com as comunidades, para que eles ficassem associados uns aos outros em
associações livres. Uma democracia desse tipo deveria representar os elementos
fundacionais de uma sociedade geral mais livre. E então, você sabe, ideias são
desenvolvidas sobre como exatamente isso deveria se manifestar, mas eu penso
que isso é o núcleo do pensamento anarco-sindicalista. Quer dizer, não tem nada
a ver com a imagem geral que você descreveu - pessoas correndo pelas ruas, você
sabe, quebrando vidraças de lojas- mas [o anarco-sindicalismo] é uma concepção
de uma sociedade muito organizada, mas organizada a partir de baixo por
participação direta em cada nível, com o mínimo de controle e dominação quanto
for possível, talvez nenhum.
Wilson: Com
o aparente declínio em andamento do estado capitalista, muitas pessoas estão
procurando por outras formas de serem
bem sucedidas, de seguirem com a vida delas e eu estava pensando o que
você diria que anarquia e sindicalismo
tem a oferecer, coisas que outras ideias - digamos, por exemplo, socialismo de
estado - falharam em oferecer? Por que nós deveríamos escolher anarquia, em
oposição a, digamos, libertarianismo?
Chomsky: Bom, o que é chamado de libertariano nos Estados Unidos, o
que é um fenômeno especial dos EUA, não existe realmente em nenhum outro lugar -
um pouco na Inglaterra- permite um nível muito alto de autoridade e dominação,
mas nas mãos do poder privado: então o poder privado deveria ser liberado para
fazer o que preferir. A suposição é que por algum tipo de mágica, poder privado
concentrado irá levar a uma sociedade mais livre e justa. Na verdade, isso já
foi acreditado no passado. Adam Smith por exemple, um dos principais argumentos
para os mercados era a alegação de que sob as condições de perfeita liberdade,
mercados iriam levar à perfeita igualdade. Bom, nós não temos que falar sobre
isso! Esse tipo de...
Wilson: Parece
ser uma disputa contínua hoje em dia...
Chomsky:
Sim, então, esse tipo de libertarianismo, aos meus olhos, no mundo atual, é só
um chamado para alguns dos piores tipos de tirania, nomeadamente tirania
privada sem limites ou responsabilidades (unaccountable). Anarquia é bem
diferente disso. Ela clama pela
eliminação da tirania, todos os tipos de tirania. Incluindo o tipo de tirania
que é interna à concentrações de poder privado. Então por que nós deveríamos
preferi-la? Bom, eu acho que por que liberdade é melhor que subordinação. É
melhor ser livre do que ser um escravo. É melhor ser capaz de fazer suas
próprias decisões do que ter alguém para fazê-las e forçar você a segui-las. Eu
quero dizer, eu não acho que você realmente
precisa de um argumento para isso. Parece ser...transparente. A coisa
que você precisa de um argumento para, e deveria dar um argumento para, é, qual
o melhor meio de avançarmos nessa direção? E tem muitos modos dentro da
sociedade atual. Um modo, incidentalmente, é através do uso do estado, na
medida em que ele é democraticamente controlado. Eu quero dizer ao longo prazo,
anarquistas gostariam de ver o estado eliminado. Mas ele existe, junto com o
poder privado e o estado está, ao menos até certo ponto, sob influência e
controle públicos – poderia estar muito mais. E ele fornece instrumentos para
restringir as muito mais perigosas forças do poder privado. Regras para
segurança e saúde no trabalho, por exemplo. Ou garantindo que as pessoas tenham
serviços de saúde decentes, digamos. Muitas outras coisas como isso. Eles não
vão surgir pela porta privada. Muito ao contrário. Mas eles podem surgir
através do uso do sistema estatal sob controle democrático limitado...para
levar adiante medidas reformistas. Eu acho que essas são coisas excelentes para
fazer. Eles deveriam estar esperando algo muito maior, muito além – nomeadamente
democratização verdadeira, em escala muito maior. E isso é possível de não
somente se pensar, mas de ser trabalhado. Então um dos principais pensadores
anarquistas, Bakunin no século XIX, destacou que é bem possível construir as
instituições de uma sociedade futura dentro da atual. E ele estava pensando
sobre sociedades muito mais autocráticas do que a nossa. E isso está sendo
feito. Então, por exemplo, empreendimentos controlados pelos trabalhadores e
pela comunidade são germes de uma sociedade futura dentro da atual. E esses não
somente podem ser desenvolvidos, mas estão sendo desenvolvidos. Existe um
trabalho importante sobre isso feito por Gar Alperovitz, que é envolvido em
sistemas empresariais a redor da área de Cleveand, os quais são controlados
pelos trabalhadores e pela comunidade. Existe muita discussão teórica, a partir
de várias fontes, sobre como isso poderia funcionar. Algumas das ideias mais
desenvolvidas estão no que se chamam “parecon”
– economias participativas- em literatura e discussões. E existem outras. Esses
são no nível de planejamento e de idealização. E no nível de implementação
prática, existem passos que podem ser tomados, enquanto também insistindo para
superar o pior...os maiores males...causados por...concentração de poder
privado através do uso do sistema estatal, enquanto o sistema atual existe.
Então não existe carência de meios para se investir. E sobre socialismo de
estado, depende do que alguém quer dizer pelo termo. Se for a tirania da
variedade Bolchevique (e seus descendentes), nós não precisamos continuar
nisso. Se for um estado social democrático mais expandido, então os comentários
acima se aplicam. Se outra coisa, então o que? Era irá colocar a tomada de
decisões nas mãos dos trabalhadores e das comunidades, ou nas mãos de alguma
autoridade? Se a última, então – mais uma vez – liberdade é melhor do que
subjugação e a última carrega um fardo muito pesado de justificação.
Wilson: Muitas
pessoas conhecem você por causa do desenvolvimento do Modelo de Propaganda, seu
e de Edward Herman. Você poderia descrever brevemente esse modelo e por que ele
poderia ser importante para estudantes universitários?
Chomsky: Bom,
primeiro olhe pra trás um pouco – um pouco de contextualização histórica - remontando ao fim do século XIX-, início do
XX, uma boa quantidade de liberdade tinha sido ganha em algumas sociedades. No
topo disso estavam, de fato, os EUA e a Inglaterra. De modo algum sociedades
livres, mas por padrões comparativos bem avançadas nesse aspecto. De fato tão
avançadas, que sistemas de poder – estatais e privados – começaram a reconhecer
que as coisas estavam chegando a um ponto em que eles não conseguem controlar a
população pela forção tão facilmente quanto antes, então eles vão ter que buscar outros meios de controle.
E esses outros meios de controle são controle de crenças e atitudes. E saído
disso cresceu a indústria das relações públicas, a qual naqueles dias se
descrevia honestamente como uma indústria de propaganda. O guru da indústria de
RP, Edward Bernays – incidentalmente, não um reacionário, mas um liberal
Wilson-Roosevelt-Kennedy – o primeiro manual da indústria de RP o qual ele
escreveu nos anos 1920 se chamava Propaganda. E nele, ele descrevia,
corretamente, que o objetivo da indústria. Ele disse: o nosso objetivo é
garantir que a “minoria inteligente” – e é claro que qualquer um que escreva
sobre essas coisas é parte dessa minoria inteligente por definição, por
estipulação, então nós, a minoria inteligente, somos as únicas pessoas capazes
de controlar as coisas. E existe aquela grande população lá fora, as “massas
não lavadas”, as quais, se deixadas sem supervisão irão simplesmente arrumar
problemas: então nós temos que, como ele disse, “fabricar o consenso deles”,
descobrir modos de garantir que eles consintam como o nosso governo e
dominação. E esse é o objetivo da
indústria de RP. E ele funciona de muitos modos. Seu compromisso primário é a
publicidade comercial. Aliás, Bernays fez seu nome logo naquele tempo - fim dos
anos 20 – fazendo uma campanha publicitária para convencer as mulheres a
fumarem cigarros: mulheres não estavam fumando cigarros, esse grande grupo de
pessoas que a indústria do tabaco não consegue matar. Então nós temos que fazer
algo sobre isso. E ele de forma muito bem sucedida lançou campanhas que
induziram mulheres a fumar cigarros: que seria, em termos modernos, a coisa
descolada de fazer, você sabe, esse é o modo que você consegue ser uma mulher
moderna e liberta. Foi muito bem sucedido -
Wilson: Existe
uma correlação entre aquela campanha e o que está acontecendo com a indústria
petrolífera atualmente e a mudança climática?
Chomsky: Existem
apenas alguns exemplos. Essas são as origens do que se tornou uma indústria
enorme de controle de atitudes e opiniões. Agora a indústria petrolífera
atualmente e o fato de que o mundo de negócios geralmente estão envolvidos em
campanhas comparáveis para tentar sabotar os esforços para lidar com um
problema que é ainda maior do que o homicídio em massa que foi causado pela
indústria do tabaco; e foi homicídio em massa. Nós estamos encarando uma
ameaça, uma ameaça séria de catastrófica mudança climática.E não é brincadeira.
E a [indústria petrolífera] está tentando impedir medidas para lidar com ela
pelos seus próprios interesses de lucro de curto prazo. E isso inclui não
somente a indústria do petróleo, mas a Câmara Americana de Comércio – o
principal lobby de negócios – e outros que declararam bastante abertamente que
eles estão conduzindo...eles não a chamam de propaganda...mas o que seria
equivalente a campanhas de propaganda para convencer as pessoas de que não
existe perigo real e que nós não deveríamos fazer realmente muita coisa sobre
isso e que nós deveríamos nos concentrar nas coisas que são realmente
importantes como o déficit e crescimento econômico – o que eles chamam de
“crescimento” – e não nos preocuparmos com o fato que a espécie humana está
marchando para um penhasco que poderia ser algo como a destruição da espécie
humana; ou no mínimo a destruição de uma possibilidade de vida decente para um
número enorme de pessoas. E existem muitas outras correlações. Na verdade, de
modo bem geral, publicidade comercial é fundamentalmente um esforço de sabotar
mercados. Nós deveríamos reconhecer isso. Se você fez um matéria de economia, você
sabe que mercados supostamente são baseados em consumidores informados fazendo
decisões racionais. Dê uma olhada no primeiro anúncio que você ver na televisão
e pergunte a si mesmo...isso é o propósito dele? Não, não é. É criar
consumidores desinformados fazendo escolhas irracionais. E essas mesmas
instituições lançam campanhas políticas. É maios ou menos o mesmo: você tem que
sabotar a democracia tentando fazer pessoas desinformadas fazerem escolhas
irracionais. E então esse é somente um aspecto da indústria de RP. O que Herman
e eu estávamos discutindo era outro aspecto de todo o sistema de propaganda que
foi desenvolvido aproximadamente nesse período e isso é a “fabricação do
consenso”, como era chamado, [consenso] para as decisões dos nossos líderes
políticos, ou os líderes da economia privada, para tentar garantir que as
pessoas tenham as crenças certas e não tentem compreender o modo como as
decisões estão sendo feitas por que isso não somente poderia machuca-las, mas
machucar muitos outros. Isto é propaganda no sentido normal. E então nós
estávamos falando sobre mídia de massas e a comunidade intelectual do mundo em
geral, a qual é, em larga medida, dedicada a isto. Não que as pessoas vejam
elas mesmas como propagandistas, mas...que elas são profundamente doutrinadas
nos princípios do sistema, o qual impede que elas percebam muitas coisas que
estão bem na superfície, [coisas] que seriam subversivas ao poder se
entendidas. Nós damos muitos exemplos lá e existem muitos mais que você pode
mencionar até o momento presente, alguns cruciais aliás. Isto é uma parte
grande de um sistema geral de doutrinação e controle que funciona paralelamente
do controle de atitudes e... compromissos consumistas, e outros instrumentos
para controlar as pessoas. Antes você mencionou os estudantes. Bom, um dos
problemas principais para os estudantes atualmente – um problema enorme – são
as mensalidades subindo aceleramente. Por que nós temos mensalidades que são
completamente desalinhadas com as de outros países, mesmo com a nossa própria
história? Nos anos 1950, os Estados Unidos era um país muito mais pobre do que
é hoje e no entanto, a educação superior era...mais ou menos de graça ou taxas
baixas ou sem taxas para números enormes de pessoas. Não houve uma mudança
econômica que tornou isso necessário, agora, de existirem mensalidades altas,
muito mais do que quando nós eramos um país pobre.E para transmitir a mensage
ainda mais claramente, se nós olharmos somente através das fronteiras, o México
é um país pobre, no entanto, tem um bom sistema educacional com mensalidade
gratuita. Houve uma tentativa do estado mexicano de aumentar as mensalidades,
talvez alguns 15 anos atrás ou mais, e houve uma greve nacional dos estudantes
que teve muito apoio popular e o governo recuou. Agora isso aconteceu
recentemente em Quebec, em nossa outra fronteira. Atravesse o oceano: a
Alemanha é um país rico. Mensalidade gratuita. Finlândia tem o sistema
educacional mais bem qualificado do mundo. Gratuito...virtualmente gratuito.
Então eu não acho que você pode fornecer um argumento que existem necessidades
econômicas atrás da incrível alto aumento nas mensalidades. Eu acho que essas
são decisões sociais e econômicas feitas por pessoas que determinam políticas.
E [esses aumentos] são parte de, em minha opinião, parte de uma reação que se
desenvolveu nos anos 1970 contra as tendências liberatórias dos anos 1960. Estudantes
se tornaram mais livres, mais abertos, eles estavam lutando pela oposição à
guerra, por direitos civis, direitos das mulheres...e o país simplesmente ficou
livre demais. Aliás, intelectuais liberais condenaram isso, chamaram de uma
“crise da democracia”: nós temos que ter mais moderação na democracia. Eles
pediram, literalmente, por mais compromisso na doutrinação dos jovens, a
frase... Nós temos que nos certificar de que as instituições responsáveis pela
doutrinação dos jovens façam o trabalho delas, para que nós não tenhamos toda
essa liberdade e independência. E muitos desenvolvimentos ocorreram depois
disso. Eu não acho que nós tenhamos documentação suficiente para provar
relações causais, mas você pode ver o que aconteceu. Uma das coisas que
aconteceu era controlar os estudantes – aliás, controlar os estudantes para o
resto da vida deles, por simplesmente aprisionando eles em dívida. Essa é uma
técnica muito eficiente de controle e doutrinação. E eu suspeito – eu não posso
provar – mas eu suspeito que isso seja uma grande parte do motivo por trás de
[mensalidades altas]. Muitas outras coisas paralelas aconteceram. A economia
toda mudou em modos significativos para concentrar poder, para sabotar os
direitos e liberdades dos trabalhadores. Aliás, o economista que presidiu a
Federal Reserve nos anos Clinton, Alan Greenspan – St. Alan como ele era
chamado então, o grande gênio da profissão de economia que estava controlando a
economia, altamente honrado – ele depôs orgulhosamente em frente ao congresso
que a base para aquela grande economia que ele estava controlando era o que ele
chamou de “crescente insegurança trabalhista”. Se os trabalhadores estão mais
inseguros, eles não faram coisas como pedir por melhores salários e melhores
benefícios. E isso é saudável para a economia de certo ponto de vista, um ponto
de vista que diz que trabalhadores deveriam ser oprimidos e controlados e que a
riqueza deveria ser concentraa em alguns pouquíssimos bolsos. Então sim, isto é
uma economia saudável e nós precisamos de uma crescente insegurança trabalhista
e nós precisamos de crescente insegurança estudantil, por razões semelhantes.
Eu acho que todas essas coisas se alinham juntas como parte de uma reação geral
– incidentalmente, uma reação bipartidária – contra tendências liberatórias que
se manifestaram nos anos 60 e continuaram desde então.
Wilson: [Finalmente,]
Eu estou pensando se você poderia [finalizar com alguns conselhos para os
estudantes universitários de hoje]
Chomsky: Existem
bastante problemas no mundo hoje e estudantes encaram alguns deles, incluindo
os que eu mencionei – a falta de emprego, insegurança e por aí vai. No entanto,
por outro lado, houve progresso. Em muitos apectos as coisas estão muito mais
livres e o avançadas o que elas eram....não muitos anos atrás. Tantas coisas
que eram assunto de luta, aliás algumas que quase não era possível mencionar,
digamos, nos anos 1960, estão agora...parcialmente resolvidos. Coisas como
direitos das mulheres. Direitos LGBT. Oposição à agressão. Preocupação com o
meio ambiente – o qual não está nem perto do que deveria estar, mas muito além
dos anos 1960. Essas vitórias pela liberdadenão vieram de presentes de cima.
Elas vieram de pessoas lutando sob condições mais severas do que são agora.
Existe repressão estatal agora. Mas não chega nem perto de se comparar com
digamos, Cointelpro nos anos 1960. As pessoas que não sabem sobre isso deveriam
ler e pensar para descobrir. E isso deixa muitas oportunidades. Estudantes,
você sabe, são relativamente privilegiados comparados ao resto da população.
Eles também estão em um período da vida deles quando eles são relativamente
livres. Bom, isso fornece todo tipo de oportunidades. No passado, tais
oportunidades foram aproveitadas por estudantes que frequentemente estavam na
vanguarda da mudança progressiva e eles têm muito mais oportunidades agora.
Nunca vai ser fácil. Vai haver repressão. Vai haver reação. Mas esse é o modo
que a sociedade avança.
*Versão traduzida desta entrevista: http://www.alternet.org/civil-liberties/noam-chomsky-kind-anarchism-i-believe-and-whats-wrong-libertarians