É, já descobri! A queda da União Soviética não foi causada
pelo autoritarismo, a centralização, a corrida armamentista ou mesmo o culto à personalidade,
não, foi a caretice:
“O problema foi especialmente grave com relação às adegas do
Palácio de Inverno. O regimento de Preobrajenski, encarregado de tomar conta
delas, embebedou-se e já não servia para nada. O regimento de Pavlovski, nosso
apoio revolucionário, também não resistiu. Enviaram-se equipes de homens
tirados de diversos regimentos: embebedaram-se. Os comitês também não
resistiram. Mandou-se dispensar a multidão com carros blindados, mas suas
equipes logo cambalearam. Ao cair da noite, era um bacanal. ‘Bebamos os restos
dos Romanov’, diziam alegremente no meio da multidão. Afinal, a ordem foi
restabelecida pelos marinheiros vindos de Helsigfors, homens de aço, mais
dispostos a se matar do que a beber. No subúrbio de Vassili-Osstrov, o
regimento da Finlândia, dirigido pelos elementos anarco-sindicalistas, decidiu
fuzilar no ato os saqueadores e fazer explodir as adegas de vinho.
Esses libertários não eram homens de meias medidas.
Felizmente! Esses excessos eram deliberados. Todos os meios são bons! Coisa
semelhante ocorreu por todo o país e, muitas vezes, a mão do inimigo era
visível. Um dos combatentes da Revolução de Outubro, na frente e combate da
Romênia, relata, por exemplo, o seguinte:
De repente, o álcool apareceu na frente de combate em enormes quantidades (...) As tropas esgotadas com as privações logo ficaram sabendo (...) e se lançavam, batalhões e regimentos inteiros, por vezes, sobre aquela riqueza: havia casos de defenderem seus barris a golpe de baionetas ou a tiros de metralhadoras (...) Até mesmo membros do Comitê Revolucionário haviam cedido à tentação de beber [...]. Formamos um grupo de sete homens de absoluta confiança , bem armados, que trabalharam sem descanso, das dez da noite às onze da manhã, num lugar afastado, para ARREBENTAR OS TONÉIS DE CARVALHO [:’( ] comboio.
De repente, o álcool apareceu na frente de combate em enormes quantidades (...) As tropas esgotadas com as privações logo ficaram sabendo (...) e se lançavam, batalhões e regimentos inteiros, por vezes, sobre aquela riqueza: havia casos de defenderem seus barris a golpe de baionetas ou a tiros de metralhadoras (...) Até mesmo membros do Comitê Revolucionário haviam cedido à tentação de beber [...]. Formamos um grupo de sete homens de absoluta confiança , bem armados, que trabalharam sem descanso, das dez da noite às onze da manhã, num lugar afastado, para ARREBENTAR OS TONÉIS DE CARVALHO [:’( ] comboio.
...
Trotski, falando ao soviete, dizia: ‘ A vodka é uma força
política, tanto quanto a palavra. A palavra revolucionária desperta para a luta
contra os opressores. Se vocês não conseguire deter a marcha da embriaguez, só
nos restará como recurso empregar os carros blindados. Lembrem-se disto: cada
dia de bebedeira mais os aproxima da vitória e nos leva de volta à escravidão’.
O mal foi vencido em uma semana.” O ano
I da Revolução Russa. Victor Serge. Pgs. 126-27.
Me lembrei agora sobre o que o Hobsbawn escreveu sobre a
disciplina dos revolucionários e a condenação que eles faziam das drogas pelo
desperdício de tempo e energia que elas representam e o potencial alienante
delas, mas enfim...
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