sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Revolução Russa e o alcoolismo

É, já descobri! A queda da União Soviética não foi causada pelo autoritarismo, a centralização, a corrida armamentista ou mesmo o culto à personalidade, não, foi a caretice:  

“O problema foi especialmente grave com relação às adegas do Palácio de Inverno. O regimento de Preobrajenski, encarregado de tomar conta delas, embebedou-se e já não servia para nada. O regimento de Pavlovski, nosso apoio revolucionário, também não resistiu. Enviaram-se equipes de homens tirados de diversos regimentos: embebedaram-se. Os comitês também não resistiram. Mandou-se dispensar a multidão com carros blindados, mas suas equipes logo cambalearam. Ao cair da noite, era um bacanal. ‘Bebamos os restos dos Romanov’, diziam alegremente no meio da multidão. Afinal, a ordem foi restabelecida pelos marinheiros vindos de Helsigfors, homens de aço, mais dispostos a se matar do que a beber. No subúrbio de Vassili-Osstrov, o regimento da Finlândia, dirigido pelos elementos anarco-sindicalistas, decidiu fuzilar no ato os saqueadores e fazer explodir as adegas de vinho.

Esses libertários não eram homens de meias medidas. Felizmente! Esses excessos eram deliberados. Todos os meios são bons! Coisa semelhante ocorreu por todo o país e, muitas vezes, a mão do inimigo era visível. Um dos combatentes da Revolução de Outubro, na frente e combate da Romênia, relata, por exemplo, o seguinte:
De repente, o álcool apareceu na frente de combate em enormes quantidades (...) As tropas esgotadas com as privações logo ficaram sabendo (...) e se lançavam, batalhões e regimentos inteiros, por vezes, sobre aquela riqueza: havia casos de defenderem seus barris a golpe de baionetas ou a tiros de metralhadoras (...) Até mesmo membros do Comitê Revolucionário haviam cedido à tentação de beber [...]. Formamos um grupo de sete homens de absoluta confiança , bem armados, que trabalharam sem descanso, das dez da noite às onze da manhã, num lugar afastado, para ARREBENTAR OS TONÉIS DE CARVALHO  [:’( ]  comboio.

...
Trotski, falando ao soviete, dizia: ‘ A vodka é uma força política, tanto quanto a palavra. A palavra revolucionária desperta para a luta contra os opressores. Se vocês não conseguire deter a marcha da embriaguez, só nos restará como recurso empregar os carros blindados. Lembrem-se disto: cada dia de bebedeira mais os aproxima da vitória e nos leva de volta à escravidão’. O mal foi vencido em uma semana.”  O ano I da Revolução Russa. Victor Serge. Pgs. 126-27.


Me lembrei agora sobre o que o Hobsbawn escreveu sobre a disciplina dos revolucionários e a condenação que eles faziam das drogas pelo desperdício de tempo e energia que elas representam e o potencial alienante delas, mas enfim...  

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