Atraente é estar bem consigo mesmo. E não ter ninguém enchendo o teu saco. Ou melhor, é possível reduzir o poder que você dá para as outras pessoas encherem seu saco.
Acho que isolamento, egocentrismo, impulsividade. E só falar e não ouvir é o que gera baixo auto estima (encarar esse pesadelo distópico que é o capitalismo tardio também não ajuda) e a infelicidade.
Precisamos ser completos. Ou ao menos , buscar isso. As pessoas se vão, ou caminhos divergem e deixam vazios gigantescos. Têm muita gente que parte e é um livramento. Espero nunca mais ser este tipo de pessoa. Tenho plena consciência que já fui.
Não tenho nada pronto e resolvido. Essas coisas que citei ajudam, mas a vida é complexa demais pra respostas simples.
Vários dias tomar café preto, pegar um sol e ouvir Mutantes ou Secos e Molhados me deixa mais feliz. Outros dias são mais difíceis. A teimosia de continuar vivendo de continuar aprendendo. Buscar soluções e ter a contra mola (fonte: Primavera nos dentes) pra resistir à essa coisa que se chama vida adulta.
Não ser uma pessoa escrota (desleal, covarde, infantil ou cruel), não me cercar desse tipo de gente. Desconhecidos são caixinhas de surpresa. E raramente são boas. Família que não é bolsonarista é top show bala. E a gente precisa se conectar e se nutrir de contato humano, mas não de qualquer porcaria que apareça (amizades ou relacionamentos amorosos).
Esse texto poderia virar um livro que eu não quero escrever e nem viver. Prefiro descrever a parte do final feliz. A justiça foi feita. Ou a falha de comunicação e presepadas de comédia romântica foram resolvidas. Ou os problemas da vida real forem amenizados.
Quero aprender cada regra idiota e colonizada da Gramática dos Saqueadores. Somente para depois errar propositalmente. Não usar mais letra maiúscula e brincar com as palavras como as crianças fazem antes de nos botarem um monte de camisas de força.
É engraçado como a vida sob essa ditadura capitalista pode te roubar o sorriso, os sonhos, a esperança e a cordialidade. Ser você mesmo se torna uma ousadia, subversivo até. E não estou falando de gente espalhafatosa, barulhenta e que precisa de atenção.
Escrever esse texto mesmo sabendo que várias pessoas não vão poder ter acesso a ele, não tornou menos prazeroso o ato de me permitir sonhar e de buscar botar em palavras sentimentos muito difíceis de explicar. Aquele desconforto de comida preso no dente é semelhante ao de quando a gente não consegue expressar como a gente enxerga o mundo e como ele nos faz sentir. Cada sentimento. Cada cor. Cada momento. Cada. Cada. Cada. Você não pode repetir a mesma palavra. Cada textura. Cada sensação na sua pele, até enfiar os pés na lama e a árvore que eu plantei anos atrás, mas agora fui obrigado a cortar. Foi agradável o exercício e pensar como o tempo passa rápido. Duro aceitar que se você não pode compartilhar palavras, lutas e sonhos com as pessoas que mais ama, eles perdem o sentido.
Não nego a imprudência, não usei óculos de proteção. Serrote é tão chato. Monótono quanto essa parte se tornou. Aí eu lembro que os passarinhos e eu fizemos mudas da árvore. Que vou cortar um pedaço dela e fazer uma nova árvore, ou, pra quem conhece:estaca/estaquia. Lembro que encerrei um ciclo e começo um novo. Que não posso controlar tudo, que a vida é efêmera, que o céu é azul e que blá blá blá. Quá quá quá. Insira a platitude que quiser. Nem tudo precisa ser a porra daquela chatura do Machado de Assis. Ou até mesmo autores que curto e são chiques de citar pra dar uma de culto ou inteligente (Saramago e Amado).
É engraçado: namorei uma garota e ela disse que achava que Chico Buarque era algo que gente burra ouvia pra se fazer de inteligente. E olha que tem um fundo de verdade. O que me faz sorrir é que ela era a sabe tudo personificada (coisa que me atraiu por ela pra começo de conversa) e ela tinha amigos muito, mas muitooooo malas, egocêntricos, puxa saco de quem estava mais alto na hierarquia e radioativos com seus pares.
Bom, acho que Construção é lindo (é prepotência se sentir no direito de dizer quem é burro ou inteligente), mas Cartola é melhor e realmente viveu o que e sobre o que cantou. O Buarque interpretou, botou em palavras e gravou. A classe média endeusa este. Até os direitistas, o que me faz rir é hilário, pois é uma contradição gigantesca: meu chapa, ele foi exilado e vota no PT. Vá ouvir Gustavo Lima que tá mais apropriado pra você. Na verdade, taí, faço uma concessão: você merece ouvir Bossa Nova a música ideal pra gente colonizada, conservadora e elitista.
Me perdi aí nesse monólogo, moças e moços.
Um dia eu era um menino de 6 anos e hoje sou um homem com 36. Agora não repeti a palavra só pq ou por que ou porque ou pôr quê ou por querer ser livre, amar e sorrir quando me der vontade.
O cara lá era exagerado. Eu sou verborrágico e falastrão. Deveria ser bonachão e diplomático. Sem álcool fica puxado. Focar em alegria, delicadeza, carinho e amor já tá de bom tamanho.
*** Importante ressaltar: aparência importa mais que a essência então vou dominar COMPLETAMENTE (ad nauseam) a norma culta e comprar as roupas que as pessoas acham adequadas. É divertido lembrar como as véia e outras caricaturas com carne humana te tratam melhor se você estiver usando camisa social. E têm vários outros recortes que vão dificultar a tua vida se você não se encaixar no que a sociedade te coage a ser.
29/ de abril