domingo, 1 de outubro de 2023
A fragilidade das coisas boas, a felicidade é realmente como o Tom Zé canta (e pra que diabos a gente têm que estar feliz o tempo todo?! Dá pra ajeitar a casa, limpar o quarto e lavar louça e se distanciar de qualquer coisa que te faz mal) e hoje sou um homem de 36 anos com dor nos joelhos, pois botou corrida na caminhada. E arnica é bom. Não curti bolsas de gelo. E este é o título do texto.
Simplesmente e sinceramente
Queria dizer que aprendi
sábado, 30 de setembro de 2023
A felicidade desabou sobre a humanidade e os homens
Que deusa cruel ela é. Sua corte é cheia de gigantes de nuvem, água e areia. Eles vão correndo em uma praia de água salgada na nossa mente. A praia não tem fim e nós vamos segurando alguns pedaços deles por alguns segundos. Ganhamos o poder e maldição de visão de coisas que já não voltam mais. De um milhão de condições e cacarecos que precisamos comprar com nosso tempo de vida para adentrarmos, em farrapos, no salão da Felicidade.
O salão é uma ampulheta. Ela chacoalha e escorregamos lá de dentro enquanto grãos de areia caem em sobre nós. Todas os condicionantes e cacarecos já estão em desuso. Precisamos substituir por mais lixo de plástico e metal.
Nossa vida é tão curta e não aprendi nada. Talvez é o que eu sinta às vezes, mas só por que foi mandado por Ilusão, a irmã de Felicidade: precisamos ter isso; viajar pra outro lado do mundo, mas as fronteiras foram feitas para as pessoas e não o dinheiro, li em algum lugar que não me lembro; ser praieiro e cheio de gente feliz, colorida e bebericando drinks e isso é ser feliz.
Sou massinha de modelar e queria ser um porco espinho.
quarta-feira, 27 de setembro de 2023
A bilionésima ou zilionésima pessoa a falar sobre desamor
Primeiro tenho que saber se o que eu senti foi paixão, amor, ou só um período de insanidade temporariamente renovada a mensalidade e estendida por uns 3 meses. Não estaria escrevendo e pensando obsessivamente nisso se não fosse no mínimo uma apaixonite ou amorzite.
Caramba, a mensalidade é bem melhor na matrícula. O veículo sai andando. E quando o fim chega, tipo a música do The Doors, uma bagunça meio inspirada por álcool ou outro entorpecente, eu fiquei zonzo e me sentindo um adolescente. Pensando insistentemente em algo que já acabou e que a pessoa não tem interesse de me dar o que quero, ainda que, na minha obsessão, eu daria um rim pra ela. Ou até a gente se conhecer melhor e passar o encanto.
Vi uma mulher na academia e era uma possível nova você, minha tinderela do inner circle. Que eu poderia usar os óculos da embriaguez de pseudo amor, tomar um LSD e exagerar as qualidades dela. Criar um monte de expectativas. Enfim, nada de muito original a dizer. Só que geralmente, existe a fala misógina sobre você estar bêbado o suficiente pra ficar com uma mulher feia. E que mala sem alça eu era pra falar uma babaquice dessa algum dia.
De todo modo, voltando da divagação, acho que é só isso. A gente quer afeto e exagera as qualidades e ignora os defeitos por tempo x. Aí dá o tempo x, as qualidades somem e o número y de defeitos se tornam intoleráveis, ou outra desculpa pra descartar a pessoa e o relacionamento logo surgem. Tudo é muito rápido e fajuto. Essa é a sensação que sinto.
A mulher da academia pode ser uma pessoa maravilhosa. Ainda por cima, poderia me ver, pensar o mesmo de mim e desejar me conhecer. Aí eu digo pro meu cérebro de macaco sem pelo: nem! Viu só como é fácil você criar fanfic ou buscar sarna pra se coçar. Academia é só pra eu poder continuar comendo como se eu fosse um hutt do Star Wars sem infartar ou ficar diabético. E soltar parte da radioatividade que ficou presa dentro de mim quando Chernobyl explodiu e você partiu. Ou talvez foi uma barragem que rompeu, ou o vulcão que destruiu Pompéia (Etna? Não, Vesúvio). Foi uma falha catastrófica que insisti em ignorar e lá vão as pessoas do leste Europeu do meu coração se desfazerem pós contaminação com radiação, só por que fui negligente e imaturo.
15 minutos de esteira. É o que eu preciso para suar como um suíno antes do abate e pra esquecer um pouco o ruído, ficar me torturando com música romântica* e mais um pouco de você que ficou dentro de mim. Um monte de baboseira que precisava (?) escrever. O bom de escrever: me sinto mais estúpido a cada texto novo. Em breve, vou ser um mineral e não vou ter mais essas angústias.
*Ou melhor, já estou cortando esse masoquismo. Alimentar minha mente com qualquer coisa, menos com essa forma juvenil de amar e se apaixonar
domingo, 24 de setembro de 2023
O super homem neoliberal
O ódio fugiu para um recanto profundo na minha mente. Sentimento escroto e covarde que não é realmente suficiente para sustentar um ser humano que caminha nu pelo inferno.
O que restou não foi o vazio. Quase isso. Um pouco de vergonha pela minha ingenuidade e estupidez, que um homem de 34 anos não deveria mais ter.
Dois amigos me falaram sobre como enxergam e lidam com a vida e suas dificuldades que são obrigados a enfrentar.
O primeiro amigo é professor. Então fez muito mais sentido pra mim o que ele disse.
O segundo amigo é um autônomo. Eu discordei completamente do que ele falou. Entretanto, não vou mais me expor ou ser sensível. E nem ter o queixo de contra argumentar quando eu estou me sentindo um completo idiota.
Nem deveria publicar esse lixo, mas ao menos substituí o ódio pelo quase nada, o cansaço e a sensação de que tudo isso é uma piada de mau gosto. 18/12/2020
Curto as músicas do Criolo
Especialmente o álbum "Convoque seu buda". Talvez você também goste, mas não se anime, pois vem o fatídico. "mas" pela frente.
Ele menciona a situação vexatória que é ser professor no Brasil, mas (viu, disse que estava vindo), lá pelas tantas faixas, ele fala sobre como "intelectual gosta mais de pobreza (ou pobre, não me lembro bem), mais que nutella. Um estereótipo bem batido. Estava ouvindo a música com tanto gosto, me sentindo vivo e sentindo tesão. Isso foi um puta tapa na cara.
Era de se esperar que uma pessoa tão talentosa, sensível e inteligente não desse essas pisadas na bola.
Amigão, que diabos você acha que um professor é (ou deveria tentar ser, caso não precisasse trabalhar 12h) pra sustentar os filhos?! Ah, me poupe e vá tomar no seu cu. Você não sabe sobre que diabos está falando!!!
Eu matei minha amizade
Uma vez li em um livro sobre bonsai, do Fabio Antakly Noronha, que as pessoas costumam dizer "a minha planta morreu", mas a frase correta é "eu matei a minha planta", pois você não dedicou 5 min do seu dia para suprir as necessidades delw, afinal de contas, é um ser vivo.
As pessoas costumam usar as agruras da vida adulta para negligenciar várias coisas, dentre elas, as amizades.
Eu costumava (ao menos espero ter superado essa parte do complexo de Peter Pan), que não existiam amizades na vida adulta, pois usava como padrão as relações construídas com colegas de universidade, quando éramos muito mais jovens, estávamos confinados na masmorra do aprendizado superior e as demandas, exigências da vida eram muito mais leves, especialmente para o jovem branco, hétero e de classe média (ou para os que faziam cosplay de pobre).
Hoje em dia, uma amiga me mostrou que eu estava errado. Não dá pra estar com seu amig@ a tira colo na vida adulta, mas você pode reservar uns minutos, ou até mais tempo para conversar, fofocar, rir juntos e se compadecer com o sofrimento do seu amig@, buscar apoiar ou só ouvir.
A falta de amizades verdadeiras é algo que te corrói por dentro, vagarosamente, e você pode sentir a podridão se alastrando. Entao, reserve um poouco de tempo e cuide das suas "plantas".
*O mesmo vale para família.
13/12/2020
Sozinho com seus pensamentos
" Não ver o mal, não pensar o mal e não fazer o mal", o que isso realmente significa?!
Você nasce uma criatura cheia de encantamento e beleza e tem que conviver em um mundo cheio de aspereza, agruras, provações e feiura. Convivendo tempo bastante nesse mundo, você internaliza e aprende um monte de bobagem, ou vai se deformando e ficando cheio de verrugas, sua essência vai ficando tortuosa, mas não como a beleza de um bonsai, mas como uma rua estreita de periferia sem saneamento, ou cheia de solidão como uma mulher negra idosa que você vê dormindo na praça (gosta de pobreza igual Nutella?! O que diabos isso significa?!), eu tirei foto de algumas bromélias que estavam em uma mangueira, não me senti no direito de tirar foto daquela tragédia que acontecia em baixo. Cheguei em casa em casa e chorei.
Enquanto caminhava, antes de chegar na praça, vi um "soldadinho". Lembro que quando éramos crianças, no GEO, uma escolinha, a gente via esses insetos.
*Não consigo continuar escrevendo esse texto, pois estou chorando. E é o que me lembra que sou humano.
Ainda estou de pé
O problema não é nem chorar. O problema é quando as lágrimas não curam mais nada e são sem significado. Não são encenações, mas ofendem ainda mais o sofrimento que estou sentindo.
quinta-feira, 21 de setembro de 2023
Ela não vai voltar
Não é saudável alguém servir de tampão pra todo esse oceano de vazio e frustração que existe dentro de mim. Eu não deveria desejar isso. Eu deveria navegar o vazio sozinho. É bom lembrar:
Ela não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltarEla não vai voltar
Depois que ela for uma desconhecida. Espero não tentar botar uma pessoa aleatória no pedestal que ela vai desocupar. Qualquer relacionamento amoroso é um custo e não um ganho. Pronto. E eu ainda a amo. E será que existe amor?! Será que tudo são histórias que nós inventamos? Será que eu sou um Dom Quixote e ela é Dulcineia? Ela nunca concordou em ser musa. E duvido que uma pessoa boa toparia ser fruto de obsessão juvenil de marmanjo quase na casa dos 40. Chega de fanfic. A realidade é escrota, mas é plausível e até tem sido suportável esses últimos tempos.
Plágio e choradeira
Tudo o que eu escrevi até agora provavelmente foi só isso. Imaginação é só o cérebro misturando e regurgitando as nossas referências.
Maturidade é um papel que as pessoas interpretam. A vida adulta é um monte de improviso, amargura, frustração, inadequação, culpas, vergonhas e arrependimentos.
Vou chegar nos 37 ou nos 40 uma pessoa melhor? Só gostaria de estar em Belém com meus dois cães. Não deu certo essa ideia de se relacionar com as outras pessoas. Gostaria de uma caverna bem profunda pra fazer minha morada. Só sair de lá pra nós três pegarmos um sol e de volta pra caverna. Enfie Platão onde o sol não bate. Gostaria de ficar só. Tudo o que eu senti até agora foi uma ilusão e delírio. Ao menos os meus cães gostam de mim. Não consigo dizer isso com certeza de outras pessoas. E que patético é escrever isso. Queria poder desconhecer as mulheres que me interessaram. E em breve serão desconhecidas. E que benção é esquecer. Tudo o que eu quero é esquecer esses últimos 7 anos ou última década.
Normal
Um bobo da corte que acha que é rei. Um navegante que cegou o barqueiro. Amarrei meu burrinho do lado de um tirano, do Rex e dos sauros. Não tenho dinheiro pro caronte e nem pra botar nos olhos. Não tenho tino pra drama de novela mexicana, ou paciência pra gente que acha que eu sofro de algum retardo mental. Ódio até babar e rosnar que nem um cão. É melhor do que outras características dos cães: confiar em quem os alimenta. Quem disse que não é resto de comida, lixo ou veneno?! Confiar é uma loucura. Não sei em que diabos eu me fio pra confiar nos outros. Não consigo confiar nem na minha própria mente. Queria fazer alguma piada ou comentário inteligente com doidos e varreduras, mas somente os separo e vou pra raiz das palavras. Loucura, pouco me importo se foram os gregos ou romanos quem te pariram. Nós somos simplórios, mambembes e mequetrefes. Eu sou o rei dos mequetrefes e pangarés. Não conseguiria usar uma garrafa de refrigerante vazia como squeeze. E squeeze é o caralho! Só é garrafa d´água que vai sair da tua uretra com piss, urina ou mijo. Ou conseguiria, loucura é não querer se encaixar. Loucura é a contradição. Desdizer tudo que disse até aqui e não enxergar nenhum problema nisso. Não ter medo de morrer é a coisa mais lúcida que fiz nesses últimos tempos.
quarta-feira, 20 de setembro de 2023
Um barbante poído
E se o mocinho for um monstro. Teseu invadiu a casa do Minotauro. Com ideias preconcebidas, violência e covardia. E se Teseu e Ariadne não passarem de farsantes, chalatães e que vieram pilhar o lar do que se convencionou chamar de monstro?!
E se fosse a cabeça do caçador que deveria adornar placas penduradas nas árvores de embriaguez da savana? E se cima for baixo e baixo seu oposto?
Nós somos sinônimos falsos e tolhidos por coisas que não conseguimos enxergar. Queria meu barco navegar o rio e depois me perder em algum oceano.
Adicione poesia e prosa. Gostaria de encher o bucho de açúcar, carboidrato e gordura. Sonhos são amargos e imorais. Deixam um gosto ruim na boca e a desconfiança que fomos tapeados ou somos limitados demais pra entender que estavam nos sacaneando e nos aplicando algum golpe que até mesmo uma criança poderia entender que era má fé.
terça-feira, 19 de setembro de 2023
E se SP não existir?
Recebo insistentes ligações com o ddd (11). Me dei conta disso: e se todo o estado, direitismo, nazifascistas, carecas e narcotráfico da bovespa que é costurada por uma criança boliviana escrava. Então se isso tudo for uma grande colônia penal ou pesadelo ou bad trip de cogumelos do Barão de Münchhausen?!
Amor, meu amor, acho que não existiu amor nem lá e nem cá. Vou soltar essa teoria da conspiração no mundo. Não existe o estado de São Paulo e nem seu satélite escroto, Rio de Janeiro. Tudo não passa de uma navio de pesadelo despejando bombas de lixo hospitalar e outros detritos sobre nossas cabeças no Norte e Nordeste. Tudo pago pelo agronegócio e os gringos.
Taí, a realidade já é distópica (escrota), vou criar fantasias e mitomania e encarar isso tudo delirante e uivando pra lua.
*obrigado SP pelo câncer de todo dia, transgênicos e agrotóxicos. Obrigado por rapinar o resto do país pra manter a Faria Lima e o estilo de vida desta.
Obrigado Faria Lima pela destruição da Amazônia, narcotráfico e trabalho escravo.
quinta-feira, 14 de setembro de 2023
Joga pedra no Quixote
Chega de metáfora com cães. Estou falando do personagem do Miguel de Cervantes, o Dom Quixote. Se isto fosse um livro do José Saramago, seguiria longa e chata descrição do estilo daquele escritor feita por este, mas felizmente não sou Mago, Sara e nem portuga.
Existem várias famílias: os Normais, os Anormais, os Padrões, os Dissonantes e os Harmônicos margarina. Todas falam mal umas das outras. Todas passam um fino verniz de civilidade com sorrisos amarelos e falsas cordialidades. Elas são desprovidas de fraternidade e compaixão.
Os filhos e filhas delas querem ser Dom Quixote ou qualquer outro personagem. A vida é maçante, lenta e embrutecedora. Então, por lógica, racionalidade, moral e bons costumes, logo e logos é ensinado e logrado que querer ser um sonhador. Não se encaixar em uma só família. Bom, é errado e você será motivo de chacota. E é verdade.
O filho de uma delas envelheceu e enlouqueceu um pouco. E se viu no Dom Quixote, no Carlos e no Felisberto do Mario de Andrade (Amar, um verbo intransitivo). E agora?! Eu vou descobrir eventualmente. Sempre achei que paciência era o que me faltava. Também me falta a coragem pra ser eu mesmo e a capacidade de ouvir mais as outras pessoas. Talvez me poupasse lutas contra moinhos.
A minha peleja pode ter despertado lágrimas em alguns e gargalhadas em outros, mas me fez parar e pensar. Rever e reler. E essa cacofonia e excesso de informação não me dá mais tanto medo ou dor. Este sou eu e eu te desafio a me impedir de ser quem sou, caso você seja este tipo de Normal e Padrão. Uma grande margarina que nem moscas-varejeiras tem interesse em se aproximar.
quarta-feira, 13 de setembro de 2023
Relacionamentos e cadáveres
Nós dois nos unimos. Lançamos raios e formamos um prisma: idealização, codependência, comportamentos abusivos, distração das nossas questões ao nos ocuparmos em picuinhas bem cultivadas.
Esse prisma poderia ser um ser humano. Sem consciência de Bem ou Mal. A câmara berçário e de criogenia se abre, soltando sons, vapores e fumaças sai fai e rai teque. Uma criança sai de lá. Essa pessoa vai envelhecer 100 vezes mais rápido do que uma pessoa normal.
Ela sai do calabouço do grupo de cientistas sem rosto, olhos ou almas e vai se embrenhando por um pântano. Se arranha, sente frio e fome e por mais alto que grite e peça ajuda, ninguém vai vir. Eventualmente ela aceita que nenhuma ajuda virá e a maré só trás mais garrafas plásticas e cítaras, violões e pinturas estragadas. O ser se senta em uma terra menos úmida.
O que diabos você acha que vai acontecer com esta pessoa?! E por que diabos você ia desejar parir outros seres para esta barbárie, vazio, caos e estupidez?! *a única justiça é que você é obrigado a sentir o cheiro dos corpos putrefatos por toda a eternidade.
segunda-feira, 11 de setembro de 2023
Como drama. Durma comédia.
Qualquer historinha triste, se você ver de perto, @ mocinho ficando de nariz sujo e olhos remelentos; peidando e se contradizendo. Fazendo o malabarismo para agradar gregos e troianos e desagradando todos. Bom, não sei o que se torna: comédia pastelão 5a série, tragicomédia ou só uma série de eventos escatológicos.
Não precisa nem ser grosseiro e invadir a privacidade de Romeu constipado e Julieta com diarreia. A vida é uma cacofonia e aleatoriedade. Às vezes parece que quem tava pintando perdeu a paciência e jogou um balde de tinta. A Camile Claudel pegou um cinzel e enfiou no cu do Rodin. Nós somos carne, sangue, envelhecimento e vulnerabilidade. Estou de saco cheio de mais para gritar bravatas ou disputar quedas de braços. Quero só que os meus desafetos se fodam e que a minha vida fique um pouquinho suportável.
A arqueira
Me pego pensando em linhagens de arcanjos, cupidos e querubins e toda essa bagunça pagã e cristã. Lembro tão bem de você falando sobre suas aulas de arco e flecha, quanto me lembro do som da sua voz, do seus olhos, de como você é encantadora e da pequena manchinha no seu braço que eu queria tatuar no meu.
Nunca me senti ameaçado por você ser tão mais inteligente e interessante do que eu, só me senti grato por dividir aqueles momentos com você. Você definitivamente não é perfeita, mas não sei se eu já amei alguém com tanta intensidade quanto te amo.
Não acho que foi um seta de um cupido. Se eles obedecessem teus desígnios, duvido que sairiam por aí flechando incautos. E provavelmente um mundo idealizado por você seria muito mais bonito e humanizado do que sou capaz de imaginar.
Te esquecer é tão difícil, pois encontrei a pessoa que quero pra mim. E não quero nada dessa fantasia de não monogamia. Queria ter conhecido defeitos teus e que me fizessem te amar ainda mais.
Eu sei que você é um grande amor, pois minha aspereza e egoísmo se abrandam quando lembro de ti. Não tenho dúvidas que você merece ser amada, tratada com todo o cuidado e carinho, mesmo que por um homem menos cheio de conflitos quanto eu. Eu te amo, moça com sotaques da Paraíba e do Ceará.
sexta-feira, 8 de setembro de 2023
Chutes and ladders ou a maldição de ter uma mente tão colonizada!
Por duas vezes já me chamaram de gênio. Prefiro que as pessoas guardem seus elogios, pois estou mais acostumado com patada e canalhice.
Meu pai
5 milhões de ausências brasileiras
quinta-feira, 7 de setembro de 2023
Piada para crianças dos anos 90 - parte 1
Um sonho e um título banal
quarta-feira, 30 de agosto de 2023
as luzes dos prédios
no terceiro andar vejo os prédios, em um bairro próximo, as luzes piscam. alguém terminou algo íntimo e que não me interessa gastar muito tempo pensando ou descrevendo: funções corporais?! sexo ruim e protocolar?!
quarta-feira, 23 de agosto de 2023
Alucinado e confuso, mas irritado demais pra ser blasé
Alguém me empresta uma marreta. Vou derrubar os muros que separam as casas.Me dê uma borracha e vou apagar as fronteiras.
Insira reticências, pois todos estamos perdidos e confusos. Eu só não escondo isso tão bem quanto você.você fica velho e se importa menos que tua roupa tá apertada e não se ajusta bem no teu corpo, ou que os fundilhos e bolsos estão furados. o que é isso quando você gostaria de arrancar toda a sua pele e praticar
não tem chá, aroma, textura, cor ou beijo, ou remédios, HAJA REMÉDIOS! que vão curar isso.
sexta-feira, 18 de agosto de 2023
A criança faz birra
Não birra de maconha. Não mirra de rei mago.
Eu estava comportado e minha mãe chegava. Pronto. Começava a fazer um show.
Precisamos de atenção. Até pra ser palhaço ou filho da puta. Você precisa de um interlocutor pra vaiar ou aplaudir. E como o ódio é natural e ilimitado.
Por outro lado, prefiro cafeína e açúcar. E uma dose muito, mas muito limitada de contato humano.
Bebendo café e depois bebendo leite. Música, filme, série e livros me irritam. Que mato sem cachorro. Só com plateia cativa e silenciosa. Ao menos em Plateia os gregos venceram os persas. Ou foi salamina. Salame. Aleatoriedade. Random. Minha mente faz um monte de conexões aleatórias e "nonsensical".
Pegue seu elogio ou desprezo e guarde pra você. É isso.
Enquanto eles dormem
Preciso provar algo ou vencer alguém. Creio que não. Essa gente me causa nojo.
Monólogo cansado: se eu tivesse dinheiro, iam lamber minhas botas e bolas. É verdade. Até umas páginas do primeiro capítulo, quando me cansaria de viver uma mentira e de me sentir só.
Enquanto eles dormem, vou fazer café e jogar jogo de estratégia da minha adolescência.
Dormindo ou acordados. Olhos bem abertos ou bem fechados. Atropelados por um ônibus ou pela consciência de que vão ter que viver com o quanto são escrotos e repulsivos. Faz diferença. Creio que não. A minha cela é uma solitária. E se você tentar se aproximar, bom, consigo dar socos em parede, posso não quebrar teus ossos, mas definitivamente vou tentar, pois você é desleal, covarde e meu inimigo.
Isso é
É o amor
É a felicidade
É a amizade
É o desejo e libido
Eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu
São ruídos. Nós somos gralhas e papagaios.
Nós somos o cachorrinho irritante que late na porta de casa
Eu sou o gato que corre e quase é atropelado por alguma pessoa imbecil dirigindo uma máquina de produzir extinção humana em pequena escala
Quando beber café, vou te odiar
É, cafeína vai entrar na minha corrente sanguínea. As lágrimas secam. O "coração" endurece mais que aço e vou lembrar de como você me traiu e me abandonou. Por que eu deveria te tratar como irmão quando você não me trata assim. Por que eu deveria ser respeitoso quando não existe respeito aqui. Ah e a tecla de interrogação, não sei como se usa. Sou meio boomer desse jeito.
Essas oscilações são escrotas, mas mais escrotos são vocês e as lembranças que tenho de vocês.
Os dois cães dentro de mim
Eu me vejo em você. Me vejo sim. Os homens deitados na rua.
Os homens e mulheres com adoecimento mental severo e sem ninguém para cuidar por eles. Me vejo em vocês. E toda vez que vejo meus semelhantes em situação tão degradante e de tanta dor, meu coração se aperta e me pergunto qual o sentido da vida.Cada vez que eu vejo esse tipo de cena, fica mais difícil ignorar e continuar andando. Nunca senti fome de verdade. Nunca senti abandono de verdade, ao menos não da minha mãe.
Eu sei, políticas públicas e estado, mas em uma plutocracia não importa a dignidade humana. Quanto mais dos animais que o agronegócio tortura e mata.
Animal irracional, taí, talvez desde o início dos primeiros grupos humanos, alguém inventou um termo para segregar e justificar cometer o mal e a crueldade contra nossos semelhantes.
Sou apenas um homem. Falo palavrão. Me contradigo. Me sinto inútil e impotente. Não consigo enxergar sentido para a vida. Choro mesmo quando chorar não me faz sentir melhor, só mais triste e mais vazio.
Queria uma companheira e dois filhos. Queria cuidar da minha família. Queria estender a mão para o meu semelhante, pois fingir que eles não existem é fingir que toda essa dor que sinto não existe.
Queria abraçar minhas irmãs. Queria abraçar meu irmão e conhecer seu filho.
Amo a minha mãe, mas não sei se realmente sei amar. Eu não sei odiar, ou, ao menos, o ódio só me é cansativo e absurdo. Preferia substitui-lo por justiça e dignidade, talvez a minha tia pudesse me ajudar a entender isso.
Eu não preciso alimentar os cães dentro de mim, pois eles estão enlouquecidos e dilacerando minha carne. Não os culpo. Tanto tempo sem saber sentir. Tanto tempo no vazio do pensamento.
sábado, 27 de maio de 2023
Redes sociais e o desejao infantil por aprovação
.Vou tentar ser objetivo: redes sociais são um vício como tal, obviamente causam mais mal do que bem.
Eu e qualquer outro anônimo entramos por motivos semelhantes: dopamina, desejo de atenção, de ser vistos e ouvidos, de comunidade, de mitigar a sensação de desesperança, isolamento e alienação. Conseguimos o que saímos em busca?! Nem preciso responder.
O que redes sociais fornecem de fato: padrão de beleza, consumo e sociabilidade inacessíveis para a maioria. Simplificando, fornecem um ataque diuturno ao nosso bem estar, auto estima e saúde mental.
Idiossincrasia (termo difícil para contradição): meu ódio pela disciplina Português e pela gramática, mas meu amor por ler, compreender, escrever e ser compreendido. Então, talvez seja o caso de reativar o meu blog pessoal e reservar/refinar certas ideias para lá, pois, felizmente, afeto, atenção e suporte já estou recebendo das pessoas mais importantes. Desejo o mesmo para você, especialmente se for merecedor(a), mas se não for, desejo que se torne, mesmo que depois de tortuosa e sofrida jornada.
Ninguém vai impedir o meu crescimento
Já saí da beira e tô indo pro centro. De mim mesmo. As outras pessoas importam e ajudam, mas só a gente decidir parar de escavar o fundo do poço.
Reconstruir leva tempo e paciência. Exige coragem, um pouco de maleabilidade e proteger onde a esperança insiste em brotar.
Pesadelos não conseguem ser piores que a nossa realidade
Sabe o que é engraçado? Acho que 90% do Spotify e das músicas em qualquer formato são sobre relacionamentos amorosos.
Tava eu pegando meu sol. Ouvindo Eye of the tiger. A música tema do Rocky.
Aí passa pra I'm still standing. Interpretada pelo Elton John. Comecei a gostar etc e tal, pra quem não domina o inglês: significa que a pessoa ainda está de pé ou está resistindo, como queira.
O sujeito me vem com uma presepada sobre: apesar de ter levado um pé na bunda. Ri daquilo e troquei de música. Não tem problema sofrer. O luto faz parte. Só é um saco que a cultura pop se reduz a isso: amor, sexo, pé na bunda e cornitude.
Eu quero algo diferente. Gargalhar com uma expressão indecente que o meu primo me falou e eu não conhecia. Chorar, pois sinto outras dores do que simplesmente o meu universo interno se resumisse a obsessão por outra pessoa ou por outra muleta pra entorpecer esse vazio, desconexão e falta de sentido em uma vida onde o seu povo não têm liberdade. Onde a única liberdade é consumir.
Ausência de dinheiro é uma merda. Especialmente pra quem já nasceu pobre, mas pra quem tem origem de classe média, é algo bom ter menos dinheiro. Você cozinha sua comida. Você limpa sua sujeira. Lava roupa. Aprende a consertar e construir.
Acho que as coisas só precisam estar limpas e organizadas. Não ser vitima da ideologia dominante é fundamental: ser é mais importante do que ter.
É irônico. Ouvi de uma estudante de História. Uma jovem de origem pobre. Que queria ter empregada doméstica. Achei aquilo tão contraditório que a memória ficou na minha cabeça.
Ah e não dispenso da coragem de ser honesto (a) e coerente. Somos humanos. As vezes estamos sobrecarregados. Você aí tem um monte de pratos no ar que precisa manter girando. Ou eles caem e dá merda. Não tem sentido expor minhas vulnerabilidades com desconhecidos e desafetos, mas quero ressaltar que as vezes a gente não consegue equilibrar todos os pratos.
Eu salvo quantos pratos posso e me preservo. No outro dia, amadureci um pouco. Vão ter vários dias difíceis, mas agora eu quero ver quão longe eu posso ir sem auto sabotagem ou gente ruim do meu lado me atrapalhando. Que tal uma canção: eu ainda estou de pé, pois eu importo, eu me amo, a minha família me ama. Eu ainda estou de pé pq sou mais forte, inteligente e criativo do que pensei. E ao invés de lutar com os paquidermes que vão aparecer, somente vou desviando e aprender a rir dessas criaturas desajeitadas e insensatas.
No momento adequado, você pode encontrar o amor, mas amor é recíproco e é saudável. Amor é compatível. Você cuida e a pessoa cuida de você. Não preciso de uma babá e nem de uma empregada doméstica. Quero uma companheira para compartilhar o imaterial.
Isso nem deveria ser nada demais, mas em nossas cultura, é um unicórnio. Você deve ter qualidades também, por mais que o sistema e pessoas escrotas queiram que você se se odeie. Como disse são Ru Paul: se você não consegue se amar, como vai conseguir amar outrem?! Auto ajuda boba, mas é verdade.
Ah e pra ser injusto e nosso carrasco têm as outras pessoas. Pra que diabos eu vou facilitar o trabalho deles?!
Tenho coisas boas a dizer. Como Tim Maia disse: quero dizer que aprendi. E posso dizer para a minha família.
Café preto, suco de polpa e não aquela porcaria de caixa. Frutas. Sol. E cada dia vou construindo uma base mais sólida. Não quero olhar as pessoas ruins de cima. Quero estar cercado de gente boa, diferente, inteligente e interessante.
As coisas podem não sair exatamente como o planejado e você segue em frente. Apesar de um bando de gente e das minhas limitações, eu vou continuar insistindo, crescendo, me adaptando.
Desconhecidos não valem a pena o esforço, tempo e energia. Qualquer outra coisa é melhor.
A melhor companhia é você mesm@
Uma psicóloga me disse: só você pode realmente avaliar a sua vida. Ela só pode fornecer a análise que a sua formação permite.
De fato, estou vivendo e sou quem realmente pode saber o que fazer com minhas certezas, dúvidas, instintos, pensamentos e sentimentos.
Estatisticamente, existem vários homens quase iguais a mim. Talvez eu faça parte de uma caricatura. Talvez seja mais complexo que isso.
De todo modo, é tão difícil encontrar qualquer narrativa que eu me identifique. Um doutor em História falou sobre como a gente não poderia ser amigos pois as pessoas são dividas em tribos (dentre outras coisas que não têm sentido expor, pois só é pertinente a uma amizade que não deu certo. Faz parte.
Não quero mais me aproximar de ninguém por um bom tempo. Que dor de cabeça somos nós e os outros, não acha? Podemos todos ser vários círculos do inferno. Essas são as nossas verdadeiras tribos. Os infernos em que vivemos ou que sujeitamos terceiros a viver
Caso o doutor fosse olhar os povos originários e suas culturas, talvez escolheria outro termo. Eu diria: não podemos ser amigos, pois além de visões de mundo muito diferentes e irrenconciliáveis, vivemos em um sistema capitalista. As pessoas têm diferentes valores mercadológicos e isso vale pra mim e para ele.
Não é meu papel, função ou direito oferecer redenção, ou impor condenação. Se tivesse tanto poder ou importância, teria gasto comigo e não com alguém que não passa de uma memória.
Esta cidade tem esses dias em que o céu e o vento parecem brincar com a gente. Te fazem acreditar por horas a fio que uma chuva torrencial está prestes a cair. Acho apropriado que seja assim hoje, enquanto reflita sobre transitoriedade, arbitrariedade e acaso. De todos os vários assentos livres, aquela mulher escolheu sentar ao meu lado e brincar de "inquisidora" (função que era de homens pequenos e mesquinhos).
As vezes a gente acha a pessoa, o livro, o filme, série ou jogo que nos entretém. Porém, as vezes me dá a incômoda sensação de que quando sou muito permissivo e faço essas escolhas.Opto por isto e não aquilo: estou enchendo a minha vida de um monte de nada e aqueles risadas de siticom gringos.
Até algum poema meloso que o algoritmo espião acredita que vai me comover. Não me comove. Me constrange e irrita. Especialmente o ato mecânico de curtir toda essa bobagem que não significa nada e que não importa. As vezes me dá a desconfiança que nem ele, tu, eu ou nós importamos. Tudo isso parece uma farsa cheia de bile, merda e desumanidade. Creio que é hora de eu escolher não engajar mais meu tempo e meus sentimentos nisso tudo que está aí. Seja lá como diabos queriam chamar e classificar essa insanidade.
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Sobre "The whale"
o personagem principal do filme é um homem com obesidade mórbida. passa seus últimos momentos da vida em isolamento, humilhação e tentando se convencer que a filha é uma boa pessoa. a cereja do bolo: um moleque cristão fica enchendo o saco dele para o converter.
bônus: é um homofóbico.
a filha do prof filme o moleque fumando maconha e o grava confessando suas transgressões contra a igreja milenarista que ele frequenta e manda para os parentes dele (ele tinha roubado dinheiro e fugido). o tiro sai pela culatra e o pequeno jovem homofóbico é perdoado.
"as pessoas são maravilhosas. ela é uma boa pessoa. fez aquilo para ajudá-lo". tenta se convencer o prof antes de morrer.
chorei umas duas vezes vendo esse filme.
a pior parte do cristianismo não é nem que ele nos infantiliza. o pior é que justifica ou relativiza o sofrimento humano.
em The Whale, o professor gay de literatura diz várias vezes que as pessoas são maravilhosas. o companheiro dele cometeu suicídio pois o pai fundamentalista cristão não aceitava a orientação sexual do filho
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a solidão sem medo de ser o que não é
a minha felicidade e infelicidade
são carregadas nas asas de um bem-ti-vi e bem ti vi
o meu pesar é varrido
escorrido, escarrado, mas não escorraçado
pelas minhas lágrimas que caem
não tenho medo dessas pequenas gotas
de memórias são feitas as sementes
o esquecimento é como um galho ressequido
algo começou a brotar
não sei o que será que eu vou derramar
os pedaços da construção do eu
cimento, vigas, concreto, cerâmica, barro, areia, água do meu sangue
lá no topo do muro tem uma planta
no topo da planta tem flores
no topo das flores tem minha solidão
e nada mais precisa ser dito
A borboleta e o beija-flor
Ontem, vi um inseto no chão, em frente a grade que estávamos lixando. As asas nuns tremeliques. Pensei que estava agonizando, uma mariposa fez isso perto de mim, há algum tempo atrás.
A prof de Biologia que mora comigo disse que aquilo era somente pois a borboleta estava bebendo a água da vala. Dito e feito, lá foi o inseto batendo suas asinhas e ascendendo, mas seguindo uma lógica diferente do que um ser humano faria. Se algum australopithecus tivesse cruzado com uma ave e o negócio tivesse dado certo.
Fato é que, infelizmente, ou felizmente (imagina o estrago que seres humanos iam fazer com mais membros e mais poder?!) não possuímos essas asinhas feitas de seda ou os ossos ocos das ave s. Imaginei soldados gringos voando e cometendo crimes contra a humanidade sem precisar do auxílio de transporte (acho que ia economizar bastante combustível para cada assassinato).
No Brasil, pensei em samba nos céus, mas gente que perdeu as penas por inanição. Áreas no céu que seriam privatizadas. Uma boate cara de playboy, classe média alta (o que se esforça pra dar a ideia de que é) ou rico (tem tanto dinheiro ensanguentado, poder e privilégios que prefere ser mais discreto. Claro, existem exceções), mantida no ar com puro poder gravitacional da herança escravista, oligárquica e patriarcal.
A borboleta tem as e as usou para ascender em círculos ou o que me pareceu um padrão circular. A criaturinha seguiu sua vida. Nós seguimos a lixar o metal.
Esqueci de mencionar um fato importante: a professora, previamente mencionada, nos contou que aquele inseto também se alimenta de excrementos, algumas espécies até mesmo utilizam nosso suor e sangue como parte de sua nutrição. Creio que se elas pudessem voltar lá na mesa de desenho da evolução das espécies, ia escolher fonte alimentar menos tóxica.
Não deu muito tempo e o namorado da professora disse que tinha um beija-flor no arbusto de Ixora. De fato, era. Filmei enquanto aquele passarinho mágico batia suas asas e se alimentava do néctar.
Relembrei das curiosidades desgastadas: a velocidade das asas e do vôo e quantas vezes por segundo o coração daquele pequeno pássaro bate. Bom, o conhecimento científico não se resume a curiosidades. Exige muito mais leitura, experimentação, observação e mais um zilhão de coisas que englobam a totalidade do conhecimento humano até este exato momento. Não me apetece saber tanto assim sobre estas criaturas. Filmei e nem me lembro se a ave partiu ou eu que perdi o interesse antes dela encher sua barriguinha e seguir adiante. De minha parte, não lhe guardo ressentimentos e lhe desejo sorte e aos seus descendentes em uma área de crescente deflorestação para acomodar condomínios vazios rodeados de periferias lotadas.
Eu poderia continuar com jogos de metáforas ou tentar criar personagens e mundos impossíveis. O texto ficou cinzento. Eu não quero ser uma versão grotesca ou ridícula do Esopo.
A idea inicial era simplesmente dizer: que engraçado. Duas criaturas coloridas e voadoras, mas uma se alimenta de merda e a outra de néctar. Uma é um inseto e outra é uma ave. Boa parte do que se fala, filma ou é gravado é sobre como eu sou um beija-flor e cicrano é uma borboleta. Sempre são os outros a borboletas.
Bom, ocupem os dois papéis e pare de ser tão prepotentes e juvenis. Eu prefiro ser meu próprio paraíso e inferno. Meu próprio herói e vilão. As vezes você só quer uma baladeira e algo pra enxotar borboleta (inseticida mata. Deixa o inseto no seu triste papel de coprofagista). As vezes, muros, cerca elétrica e bolhas de redes sociais parecem não só necessárias, mas como o único modo de se viver.
O sol vai raiar e abrandar a amargura. Uma nova muda minha vai brotar. Vou criar mais e mais motivos pra sorrir e passar repelente (aí, viu, lembrei da palavra) de borboletas humanóides na minha pele. Trabalhar, estudar, comer e depois ouvir música e sonhar em ser um beija-flor. Algo lindo voando em torno de coisas lindas. Nutrindo-se delas e vice versa.
*Primeiro rascunho. Demorou um tempo pra botar isso em palavras e não estou com paciência de corrigir agora.
a mulher bonita e tatuada que vejo quando vou a médica
a mulher bonita e tatuada que vejo quando vou a médica
eu vou torcer por todas meninas, moças e mulheres.
uma mulher me viu no elevador vazio e disse que estava descendo. obviamente, ela sabia que estava descendo, mas ficou com receio de ficar sozinha com um homem de 1,90m e tatuado num elevador. ou seja lá qual outro receio, trauma e quantas obscenidades ela já ouviu de homens. fiquei surpreso, mas com raiva dela.
posso até estar enganado. ela queria subir. queria ficar sozinha. ou qualquer outra coisa que não é da minha conta.
o elevador continuou a descer. em cada andar fui segurando a porta e foram entrando mulheres baixinhas e mais velhas que eu.
contei o que houve para a primeira. ela disse o clássico "não se pode generalizar os homens", mas eu disse que existem muitos homens violentos, covardes e que dizem obscenidades para as mulheres (para meninas e as adolescentes também, mas isso, obviamente não ficou de fora).
até que, por fim, me encontrei cercado de pessoas do gênero oposto. pessoas cis. pessoas mais velhas. até uma idosa que precisava da ajuda de outras mulheres para se locomover.
na hora de sair, pensei que era o único a desembarcar dessas arapucas que são os elevadores. uma das idosas ia sair. ela aparentava estar com dor de cabeça ou algum outro incômodo. pedi perdão, segurei a porta. e disse até mais para as outras senhoras.
me sentei para chamar um motorista de app e voltar para os meus cães e para o meu lar.
escolhi ouvir "Relaxing Beethoven" e observei o fluxo de pessoas. de vez em quando, vejo uma mulher linda. as mulheres conseguem ser lindas e cativantes de tantas maneiras. essa tinha um rosto sério, usava óculos e talvez sua mente estivesse ocupada com as questões da vida adulta, talvez alguma irritação. eu acompanhei seu rosto. a completude dele. depois somente seus cabelos até que entrou, rapidamente, em um carro.
não acho que notou o meu olhar e espero que não. talvez confundisse meu desejo em olhar seu rosto e tatuagens e o desejo de encontra-la em um contexto apropriado para flertar. ela poderia esse olhar insistente, mesmo com a duração de segundos, em algo obsceno, feio ou perigoso.
de todo modo, mais pequenos momentos ocorreram. pequenas interações sociais. o que pode ser melhorado, espero melhorado. o que não é problemático, deixo pra algum arquivista negligente jogar em qualquer lugar da minha mente. pra ser devorado por traças, mofo ou vitimado por goteiras e umidade em excesso. é o problema do papel vagabundo feito hoje em dia, em comparação ao que era feito há séculos ou milênios atrás por artesãos mentais de papiro e registrado por escribas mentais.
tantas mulheres lindas e solteiras. de uma idade apropriada para a minha. tantas outras pessoas passando e seguindo com suas vidas. tento imaginar como são seus dias.
espero que tenham ao menos café, sol e sossego. até mesmo para os homens que não são maus, covarde e obscenos com crianças e adolescentes. por que a nossa sociedade produz a nós homens tão limitados e que diabos deu de errado na vida de uma maldita criatura que faz esse tipo de coisa?
esse é o tempo pra amar a mim mesmo. para plantar sementes abstratas e concretas. é tempo de cuidar do meu jardim e este é só concreto mesmo, pois sou megalomaníaco? pode ser, mas prefiro chamar de meu universo interno o todo que sou eu e que nem sempre é permitido botar em palavras.
a mulher tatuada, linda e de óculos seguiu sua vida. em um momento apropriado, o momento para amar, alguma mulher incrível vai compartilhar a vida dela comigo. e eu vou ser melhor por isso. até que seja o momento apropriado de amar esta etérea mulher. sigo meu caminho. tentando ser uma pessoa melhor. tentando ser coerente e consistente com a minha ética e a Minha moral.
um dia
vou acordar feliz, maduro, paciente e sereno
não por ato de prestidigitação
ou outra palavra complicada
pra dizer golpe, cilada, ilusão ou
enrolação.
caminhei, chorei, lembrei e pensei
cai, levantei, sonhei e ousei
fazer diferente.
a gente contente se encontra no meio do caminho
o caminho do meio e nem precisa rimar
o menino dentro de mim sorri e quer errar
catar, pintar e bordar. pintar. bordar.
insistir em rimar, cantar mesmo sem tempo
o homem gostaria de escrever, plantar, viver e despretensiosamente ser feliz
tudo.
ter uma casa para plantar uma árvore e não ser obrigado a cortar
fazer ou ver algo que seja belo, novo ou velho e poder ter pessoas com quem compartilhar
uma palavra que a gente desconhece é um sentimento que não sabemos explicar
ao menos, li isso em algum lugar.
quero te descrever cada cor, gosto, cheiro e textura para poder me encantar e valorizar a beleza das coisas simples e delicadas
no meio do caminho e no caminho do meio a gente pode se amar. posso até rimar se isso te fizer gargalhar. é o que quero compartilhar
um dia
a ou uma vida inteira
a vida adulta e uma pia suja
lavando louças e ouvido a volta de secos e molhados e me lembrei disso: pra qualquer coisa piorar, a negligência já é o suficiente pra causar um estrago catastrófico.
a pia é sua e você escolhe o que faz com ela. deixar a pilha de sujeira acumular. quem dera que a melhor coisa que pudesse surgir disso fosse um ninho daquelas corujas peladas e estranhas.
viajei na estrada da morte da Bolívia para o Brasil. era uma história para contar e dar em cima de universitárias da minha idade. hoje, sou um homem de quase 37 anos. lembro disso e penso: que estrada perigosa eu percorri até agora. e já foi o bastante.
foi legal conversar com um indígena boliviano que sentou ao meu lado. falei num portunhol que até hoje me faz mais rir do que sentir vergonha.
entretanto, se aquele ônibus tivesse derrapado na estrada de barro e caído pela ribanceira lá em baixo. teriam morrido várias pessoas. uma delas seria o eu de 20 e poucos anos. não odeio aquele jovem nem tudo o que pensou e sentiu, mas definitivamente que desperdício teria sido se a minha vida tivesse encerrado ali e varrida por aquele rio. eu costumava ser muito mais limitado do que sou hoje em dia.
hoje, posso fazer. depois recomeçar e melhor do que da última vez que ousei sonhar e ter esperança. então, basta de adrenalina para esse sistema nervoso sustentado por esse exoesqueleto de carne e sangue. estou curioso para o que o eu de amanhã pode fazer melhor do que o eu de hoje. e isso é o bastante.
lágrimas e sorrisos
acordei e o choro preso lá no fundo não sai
queria que a minha dor e encanto fossem como os pássaros
eles são mais bonitos quando você tem a chance de os observar livremente
Não preciso de foto digital e descartável para lembrar
caminhando entre meus colegas professores que não estão acovardados por migalhas e nem traem a categoria por causa de cargo, favores (lícitos ou não).
andando pelo centro e entre aquela fila de pessoas. algo que todo ser humano precisa: pertencer. algo que todo trabalhador precisa fazer: fazer parte da luta coletiva da sua categoria.
queria mais dias como hoje.
queria poder pintar uma aquarela e desenhar aquela fila colorida de pessoas caminhando e encorajando mais professores a vencerem o medo da intimidação.
gostaria de me permitir ter esperança. é algo perigoso e assustador. talvez um dia eu tenha cabelos brancos e esses medos e aperto no meu coração seja uma lembrança que vou ter mais maturidade e bagagem pra relembrar sem tristeza ou arrependimento.
catei umas sementes da praça do IEA. talvez um dia elas dêem frutos. talvez nossa luta dê frutos.
talvez as minhas lágrimas e sorrisos façam sentido depois de algum tempo. tanta gente caminhando por aí e eu sou uma dessas pessoas. espero encontrar caminhos melhores, evitar poças e outras armadilhas. se eu cair, vou me levantar. e se você precisar de ajuda, eu te ajudo a se l
evantar.
O menino e o mar
Um menino caminhando na beira do mar e brincando com as ondas que chegam peto dos pés dele. Coletando conchas. Correndo atrás das aves. Ouvindo o som do mar em conchas vazias. E coletando aquelas conchinhas.
No fim do dia, as costas queimadas. A pele descasca de forma meio úmida..
qual o sentido?
caminhei de tão longe
não construí nada
não fiz nenhuma diferença
qual o caralho do sentido!
não tenho nem poder sobre a minha vida
tudo deu errado. em breve vou fazer 40 anos
qual o sentido?!
uma mitologia? ideologia? alguma ambição medíocre?
eu estou farto dessa vida miserável e absurda.
mil reais de terapia que eu poderia ter gasto com puta
***Escrevi esse texto quando estava em extremo sofrimento. Não penso isso realmente.
Barbárie
Há alguns milhares de anos os seres humanos, esses primatas sem pelos e com cérebro grande demais e cheio de ansiedade e ódio, resolveram que: esse pedaço de terra é meu; essa menina ou mulher é propriedade do pai ou marido; essa pessoa é um bem móvel e pode ser comercializada.
Milhares de anos de genocídio e barbárie. Tanto faz se no Antigo Testamento do tirano divino, ou por Alexandre, o grande portador de daddy issues, ou outro assassino sociopata.
Avança pro século XXI, tem um presidente negro comandando o império norte-americano. Agora, os ataques de drones vão derrubar bombas contendo símbolos dos panteras negras e bandeiras lgbt; o saque, a pilhagem, os golpes de Estado, os assassinatos e os estupros vão ser cometidos de forma humanística.
Arrasta mapa aqui pra Manaus e pro Brasil. O que é esse país: sempre foi uma colônia, um latifúndio escravocrata e controlado por oligarquias sanguinárias.
Hoje em dia, chamamos de elite (sic) capitalista. Creio que Saqueadores, descendentes de escravistas e bilionários parasitas é um termo mais apropriado. Como disse Emicida, muito acertadamente, por sinal: elite significa os melhores. O que uma sociedade têm de melhor a oferecer. Os ricos são a escória e o dinheiro deles é cheio de sangue, sofrimento, opressão e barbárie imposta por séculos sobre nós que somos da classe trabalhadora. ATÉ QUANDO?! Conciliação de classes é uma propaganda para fazer a classe trabalhadora aceitar viver sob a ditadura e com a canga imposta pelos bilionários e seus lacaios tecnocratas.
Em breve, a Zona Norte vai ser transformada em condomínios vazios e periferias cheias de miseráveis e famélicos. As áreas verdes vão ser derrubadas para dar lugar a isso. Isso não te parece barbárie?! Bom, uma área verde que existe desde tempo imemorial vai dar lugar a sofrimento, abuso e exploração dos mais vulneráveis por essa escória burguesa!