quinta-feira, 14 de setembro de 2023

Joga pedra no Quixote

Chega de metáfora com cães. Estou falando do personagem do Miguel de Cervantes, o Dom Quixote. Se isto fosse um livro do José Saramago, seguiria longa e chata descrição do estilo daquele escritor feita por este, mas felizmente não sou Mago, Sara e nem portuga.

Existem várias famílias: os Normais, os Anormais, os Padrões, os Dissonantes e os Harmônicos margarina. Todas falam mal umas das outras. Todas passam um fino verniz de civilidade com sorrisos amarelos e falsas cordialidades. Elas são desprovidas de fraternidade e compaixão.

Os filhos e filhas delas querem ser Dom Quixote ou qualquer outro personagem. A vida é maçante, lenta e embrutecedora. Então, por lógica, racionalidade, moral e bons costumes, logo e logos é ensinado e logrado que querer ser um sonhador. Não se encaixar em uma só família. Bom, é errado e você será motivo de chacota. E é verdade.

O filho de uma delas envelheceu e enlouqueceu um pouco. E se viu no Dom Quixote, no Carlos e no Felisberto do Mario de Andrade (Amar, um verbo intransitivo). E agora?! Eu vou descobrir eventualmente. Sempre achei que paciência era o que me faltava. Também me falta a coragem pra ser eu mesmo e a capacidade de ouvir mais as outras pessoas. Talvez me poupasse lutas contra moinhos.

A minha peleja pode ter despertado lágrimas em alguns e gargalhadas em outros, mas me fez parar e pensar. Rever e reler. E essa cacofonia e excesso de informação não me dá mais tanto medo ou dor. Este sou eu e eu te desafio a me impedir de ser quem sou, caso você seja este tipo de Normal e Padrão. Uma grande margarina que nem moscas-varejeiras tem interesse em se aproximar.

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