terça-feira, 18 de setembro de 2012

A Disciplina do Amor- Lygia Fagundes Telles

"Satanificação

A Ira, a Soberba, a Inveja, a Luxúria, a Avareza, a Gula e, finalmente a Preguiça, o sonolento Demônio do Meio-Dia- esses os Sete pecados Capitais que já podem ser identificados na satanificação, isso de acordo com o local e hora. Os diabinhos da Ira estão no trânsito, olhos injetados de fumaça e ódio, a boca espumejando no range dos dentes e freios: seis hora da tarde, Hora da Ave-Maria, lembra? Tinha um quadro que vi em várias salas de visita a minha infância: no doce colorido do crepúsculo, um grupo de camponeses bem-vestidos e rosados, as mulheres de longos aventais e toucado, os homens de sapatões rudes mas sólidos, as mãos limpas, os olhos baixos no fervor da prece por entre os montes de feno dourado. Lembro que tinha um bebezinho louro num sesto ou berço de madeira, queria ser eu aquele bebezinho, pensei na tarde em que vi numa esquina um tipo descer do carro (ao lado do meu) e verde e aumentado em sua cólera apontar um revólver para um velho que teria propositadamente amassado o seu para-lama. Hora de vítimas de desastres da fuzilaria, as armas esperando no porta-luvas, que luvas? Hora de vítimas dos assaltos, quando um carro para num sinal vermelho e outro vermelho brota do peito. Na nuca. Tinha um antigo programa de rádio nessa hora crepuscular, as músicas tão espirituais, minha mãe chamava a gente para rezar junto, só pensamentos elevados enquanto o chefe da família - mas que família? Que chefe?
Os possessos da Soberba evitam aglomeração, as misturas. O horror da invasão. Dos nivelamentos. Gostam das reuniões sociais seletas mas espaçosas, onde os peitos estufados, cobertos de medalhas, iniciam a lenta dança dos pavões- poder político, poder econômico e outros poderes, varetas dos leques que se cruzam mas não se olham, o que digo? se olham para admirar a própria imagem refletida no olho do outro. Já os possessos da Inveja tem especial predileção pelos palácios burocráticos e pelos centros de artistas do Baile das Quatro Artes, ô! Deus, como sofrem os invejosos na luta competitiva à qual são condenados, os olhos cozidos como os olhos de lagostas em água fervente, Sou Caim matando meu irmão? Sou Judas traindo o meu Mestre? O invejoso só tem trégua com a infelicidade do próximo. Por quê será que no lugar desse próximo aniquilado nascem dez, vinte vencedores. Um sofrimento. De todos os pecadores, talvez o invejoso seja o que mais sofre embora os possessos da Luxúria também rodopiem sem descanso, as injúrias (era assim que a minha pajem chamava às partes baixas) açuladas e trespassadas pelos garfos dos diabinhos luxuriosos, a voz pesada, o olhar pesado - tantas ruas do prazer e o desprazer da insatisfação. Os estímulos da indústria do sexo no auge do aperfeiçoamento para o desempenho à altura e ainda a ansiedade, o desassossego, na busca que é só obsessão, Sou caçador? Ou caça? Mas essa gente não pensa noutra coisa? perguntaria tia Pombinha diante de uma banca de revistas. Pensa, sim. Pensa muito em acumular e agora as casas e cara tomam um ar respeitável, estamos entrando na rua dos bancos e dos negócios: eis a Avareza com seus demoninhos de olhos verdes umedecendo a ponta do dedo entortado de tanto contar dinheiro, medo de dar, medo de dividir. O medo dos medos: medo de perder, ih! como acumular tudo numa vida assim provisória? " Mas por que o desperdício dessa vela acesa?", reclamou o avarento que preferiu morrer no escuro. Quanto aos possessos da Gula e da Preguiça, esses se espelharam tão intensamente: os da Gula nos bairros ricos de preferência, não por virtude dos pobres mas por simples insuficiência econômica. Se a beleza (que os luxuriosos amam) virou artigo de luxo, a comida só pode ser um belo vício nos bairros de classe A. É por acaso que falo dos pecados assim juntos porque o preguiçoso nunca é um guloso. A gula exige empenho, a imaginação do apetite. Mastigar cansa e esse dispêndio de energia o preguiçoso evita, prefere papinhas, líquidos. Quando o guloso chega à saciedade e nunca está saciado (nunca está), mete o dedo na garganta, quer recomeçar tudo. Mas eis uma violência que o preguiçoso detesta: o ato de vomitar. Ou antes, que não aprecia por que ele não odeia nem ama, a paixão é laboriosa, exige fervor e o preguiçoso nunca esquenta. É morno. Não se define nem define: contorna. Na imobilidade se defende dos prazeres da cama e da mesa. No alheamento que chama de privacidade , se guarda. Música suave , que não seja solicitante. Pessoas que não façam perguntas, ele nem sequer termina as frases, os gestos. A graça das coisas incompletas no ar...Vem a mosca obumbrada, pousa na sua face e ele afasta a mosca com um movimento brando mas quando ela volta uma segunda vez ele deixa ficar deixa ficar deixar ficar..."

Resolvi compartilhar esse trecho por que achei esse livro excelente. A autora é genial e a leitura é muito prazerosa. Só faço duas ressalvas: acho que quando ela fala sobre os problemas psicológicos e psiquiátricos dos outros, ela reproduz um discurso preconceituoso de quem nunca viveu isso na pele. Taxa as fragilidades dos outros de fraqueza ou inaptidão para viver. Odiei isso! Outra coisa é que tem uns temas nesse livro que demandam coração e estômago fortes. Tem um conto sobre um filho e uma mãe que tem complexo de Édipo e levam isso as vias de fato.
É isso...
Tchau

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Perguntas sobre religião ou a falta dela



Vou postar aqui uma discussão interessante que eu tive com um amigo agnóstico. Ela surgiu por que eu citei umas ideias de um livro chamado  Deus, um delírio do Richard Dawkings. A minha opinião sobre o livro e o autor é: são terrivelmente cientificistas, tenho que admitir. O autor se mete a falar sobre algumas coisas que ele não tem formação ou bagagem para discutir e falar muita besteira ao longo do livro. Enfim, apesar desse lado negativo tem algumas ideias e informações (verdadeiras?) que instigam a curiosidade de buscar mais informação.

1ª)Qual o melhor ambiente para ideias religiosas prosperarem?
 A religião, em sua forma mais prejudicial e na maioria das pessoas, prospera em países pobres ou miseráveis e entre pessoas com baixa ou nenhuma escolaridade. Ele cita a pesquisa de um inglês sobre os intelectuais da Universidade de Oxford e que o nível de irreligiosidade tende a ser maior entre as pessoas com maior grau de formação acadêmica. Eu concordo com essa visão, mas não sei se essa pesquisa é real. Entretanto não tenho nenhuma ilusão quanto a achar que duas ou mais décadas de educação formal auxiliam na formação de indivíduos éticos, humanos, solidários e conscientes ou mesmo os líderes ideais para a sociedade (vide Fernando Henrique Cardoso ou, para quem estuda História na UFPA, vide alguns boçais e cretinos sem respeito pelos alunos que a gente supostamente tem que chamar de “professor”).
Agora acho sim que em um ambiente em que os direitos humanos fundamentais são garantidos a todos os cidadãos. Um ambiente em que a liberdade de pensamento, de expressão e de imprensa são garantidos. Para mim é um ambiente que levará fatalmente a altos níveis de agnosticismo ou ateísmo.

2ª) É uma contradição ter uma formação em Humanas e ser Católico, Evangélico, Judeu ou Muçulmano?

Para mim é uma contradição GIGANTESCA! Uma pessoa que tem acesso às informações que eu citei no post anterior e no mínimo não vira agnóstico, para mim é muito estranho. Eu aceito, tento não desrespeitar ou constranger ninguém, mas sinceramente não entendo como é possível. (Caso alguém são e com algum grau de leitura e OU reflexão sobre isso queira se manifestar, é muito bem-vindo!).

3ª) O ateísmo produz pessoas infelizes, irresponsáveis, egoístas ou amorais?

Bom, obviamente não concordo com isso, mas vi um blog falando que a Teologia da Libertação e a Esquerda mundial (esse bicho papão temido pela Igreja Católica) levam ao ateísmo que por sua vez leva ao caos social: altos índices de suicídio, consumismo e infelicidade. Tive acesso a uma ideia e a duas perguntas interessantes para se pensar. 
A pergunta é do Dawkings: o que surgiu primeiro, a religião ou a moral? Que leva a pergunta: é necessário de religião para ser bom? Para mim a resposta, obviamente, é não. Para a maioria das pessoas que tenham uma pequena dose de bom senso a resposta também é não. Só que no Brasil, um estado que não é laico, a história muda de figura. Uma grande parcela da população acredita que religião e moral são a mesma coisa e demoniza ou odeia os ateus em níveis parecidos com a repulsa que todos nós teríamos contra um pedófilo, por exemplo. O Dawkings acredita que a moral ou um conjunto de regras para ordenar o convívio em sociedade surgiu antes do monoteísmo e não necessariamente surgiu em função do paganismo. Eu não tenho bagagem de leitura para discutir isso então nem vou entrar nesse mérito.
A ideia supracitada é do Bertrand Russel, alguém infinitamente mais credenciado para falar sobre religião e ateísmo do que o Dawkings, muito mais sério e nenhum pouco sensacionalista aos moldes “Dawkingsnísticos” que são feitos para serem vendidos do que a difusão de ideias. Russel questiona o pensamento de que a religião pode até tornar uma pessoa mais feliz do que a falta dela, mas poderia se argumentar que um bêbado é mais feliz do que uma pessoa sóbria. É muito mais difícil ao menos parar pra pensar que talvez Deus ou Deuses não existam e sejam só uma invenção humana. Uma versão para adultos do Papai Noel. Que talvez nós só possuamos uma chance para viver. Que nós não somos o centro do Universo.
Muitas pessoas dizem que o velho barbudo de pijama ou Odin ou qualquer divindade ter criado o universo faz mais sentido do que se o universo tivesse sido feito de outra forma. Na verdade não é só por que a ideia de que exista um ou várias divindades seja mais reconfortante?!  Para os religiosos imaginar que se não existe um deus e os seres humanos não são a razão de ser do Universo e nós não somos melhores do que as vacas e bois que vão pras nossas panelas é extremamente aterrorizante. Afinal de contas, quem diabos quer sair da sua zona de conforto?! É melhor crer em algum deus, por mais implausível que ele seja, ao invés de se quer tentar pensar sobre a alternativa.
Geralmente usam a imagem de grandes intelectuais para propagandear que existem grandes cientistas e pensadores religiosos. Um caso desses é o Einstein. Na opinião do Dawkings, no máximo ele era uma espécie de místico ou acreditava em um equilíbrio no universo ou uma ordem para as coisas. Os religiosos prontamente transformaram isso em “olha que legal, o Einstein também acredita em um patriarca barbudo e de pijama, genocida e sádico, com seus planos que não levam em conta o sofrimento dos seres humanos!”.
“...fica claro que as doutrinas do cristianismo exigem uma grande dose de perversão ética antes que possam ser aceitas. O mundo, tal como nos dizem, foi criado por um Deus que tanto bom quanto onipotente. Antes de criar o mundo ele previu toda a dor e tristeza que este encerraria. Ele é, portanto, responsável por tudo isso. É inútil argumentar que a dor no mundo se deve ao pecado. Em primeiro lugar, isso não é verdade; não é o pecado que faz rios transbordarem suas margens ou os vulcões entrarem em erupção. Mas, mesmo que fosse verdade, isso não faria a menor diferença. Se eu fosse gerar uma criança sabendo que ela se tornaria em um maníaco homicida, eu deveria ser responsabilizado por seus crimes. Se Deus conhecia de antemão os pecados que a humanidade seria culpada, Ele foi então claramente responsável por todas as consequências desse pecado quando decidiu criar o homem. O argumento 
cristão mais comum é de que o sofrimento no mundo é uma purificação do pecado e, portanto, algo bom. Esse argumento é, obviamente, apenas uma racionalização do sadismo; mas de todo modo, é um argumento muito pobre. Eu convidaria qualquer cristão para me acompanhar até a ala infantil de um hospital, a fim de observar o sofrimento que ali é vivido, e então insistir na afirmação de que aquelas crianças estão de tal forma moralmente perdidas que merecem o que sofrem. Para que possa dizer algo assim, qualquer pessoa tem de destruir em si todos os sentimento de misericórdia e compaixão que possa ter. Deve, em resumo, tornar-se tão cruel quanto o Deus em que acredita. Uma pessoa que acredite que tudo neste mundo cheio de sofrimento possui conotação positiva não tem como manter seus valores éticos intactos, já que sempre precisa encontrar desculpas para a dor e a tristeza.” Bertrand Russel - Por que não sou cristão.
Quais as suas respostas???

domingo, 26 de agosto de 2012

A língua brasileira

26/12/2012


Os defensores da visão gramaticista da língua Portuguesa geralmente distorcem o argumentos dos linguistas :“o importante é a comunicação”, em um bando de demagogos que querem destruir a gramática e a nossa nobre língua Portuguesa que, nós gramaticistas, herdamos da família real Bragança e de Machado de  Assis”. Fiquei muito espantado quando li o livro Preconceito Linguístico, do Marcos Bagno, não sabia que o curso de Letras era tão politizado. Basicamente, a ideia é derrubar esse pensamento  retrogrado de que a Língua Portuguesa é estática e existe uma forma correta de falar, da qual os gramaticistas, do naipe daquele boboca do Pasquale, são os grandes paladinos defensores. Defendem absurdos como jeito dos Portugueses de falar ser mais correto que o nosso. Ou que as pessoas de alguns estados brasileiros “falam melhor” do que o resto do Brasil por usar o “tu”.
A questão é que geralmente esses intelectuais são oriundos de classes mais altas ou reproduzem o preconceito contra a cultura e conhecimento popular. Uma forma acadêmica de ridicularizar ou condenar os pobres e miseráveis por não terem tido acesso à educação formal. É muito mais grave do que pessoas inspiradas pelo senso comum que usam os marginalizados e excluído como motivo de chacota.  Os linguistas não querem abolir a gramática o estudo da Língua Portuguesa (por que não Língua Brasileira?!), a questão é enxergar que a Língua Portuguesa  viva e está em constante processo de transformação. Não desqualificar os diversos dialetos existentes no nosso país de proporções continentais. Não eleger uma “forma correta de falar”. Ter a sensibilidade para perceber que expressões como “norma culta” e “norma coloquial” fazem parte de uma relação de poder extremamente desigual e são cheias de significados e sentidos.  Possuir um pingo de lucidez e ver que nós somos um país extremamente desigual. Com milhões de miseráveis. Com uma educação pública de péssima qualidade, as vezes e educação privada também (quando presta geralmente é focada para formar mão-de-obra e não cidadãos, mas isso é outra discussão) e não faz sentido ridicularizar erros de português no país e contexto histórico em que vivemos. É o pensamento do Marcos Bagno, eu só faço coro a ele. Não quis ser chato ou algo do tipo, só acho essa obra extremamente inspiradora e vale a pena divulgá-la.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Por que sou ateu

24/08/2012
Não tenho grande erudição filosófica (ou em qualquer outra área) para justificar a minha descrença, mas ao longo do tempo e conforme fui amadurecendo e  ao longo do meu curso de História entrei em contato com algumas idéias e informações que tornaram impossível com que eu acreditasse na existência de um deus, deuses ou visagens, curupira ou Matinta Pereira.

1ª) A Bíblia, o Corão e o ou a Torá foram escritas por homens. Ênfase no “homens” por que a a Biblía (a única que eu tive contato) não enxerga as mulheres com bons olhos.  Segundo o texto sagrado são basicamente máquinas de parir que devem ser subservientes aos homens. Isso não é nenhuma novidade pra alguém com o mínimo de instrução, mas só quis destacar que é um texto que tem data. Foi escrito por homens primitivos, muitas vezes com motivações políticas e estratégicas. O texto foi traduzido várias vezes ( quem garante que algo não foi “lost in translation”, perdido ou mudado na tradução?), evangelhos foram selecionados segundo o interesse de membros da Igreja Católica Apostólica Romana. Ainda quer me dizer que isso é a palavra de Deus?!

2a) A religião é uma grande forma de controle social, opressão e obscurantismo. Não preciso ir lá pra idade Média e citar Cruzadas, Inquisição e perseguições a grupos religiosos diferentes ao dominante. Posso citar a postura da Igreja Católica ao defender o sexo somente como uma forma de reprodução e condenar o uso da camisinha. E aqueles evangélicos que são contra a criminalização da homofobia (por que se o deus dele transformou Sodoma e Gomorra em pilares de sal, por que eles também não podem discriminar ou “curar” homossexuais?!).  E a grande fortuna gerada por essas igrejas evangélicas? (Record, a filial da Universal do Reino de Deus). Não acho que faça sentido idéias de homens primitivos, violentos e bárbaros (alunos de História, podem relativizar isso à vontade) possam orientar como nós levamos a nossa vida.

3ª) Simplesmente não acho muito racional ou são acreditar que exista um Ser bom e perfeito que se importa com a humanidade, tem um plano pra nós e fica que nem uma velha vendo quem faz sexo com quem e como ( basicamente um amigo imaginário de adultos). A nossa humanidade com o nazismo, facismo, holocausto, genocídio, miséria, fome e guerra parece o trabalho de um ser perfeito?! (frase do Ricky Gervais).  Pra mim não parece.
 Não entendo como alguém pode acreditar no Jeová, com suas longas barbas e pijamas brancos com suas determinações loucas de exterminar a galera que queria cultuar o bezerro dourado. Aliás, extermínio é um coisa que esse deus curte fazer, né? Que massa a história do dilúvio, né? Eu fico triste de imaginar que tem gente que acredita, ao pé da letra, que um marceneiro construiu uma barca gigante e meteu um zoológico lá dentro...

4ª) Descrença é o oposto de crença. Ateísmo não é cientificismo ou o culto a ciência ou ao ser humano. É simplesmente achar implausível e absurdo as religiões. Vi um comediante falando algo legal uma vez: “a minha descrença tá na estante das idéias de grandes intelectuais, homens e mulheres, que questionaram idéias e valores impostos pela sociedade. A de vocês está na do Zeus e o Kraken.  Da grande escola intelectual do "Eu sei que eu não sou, mas o que você é?" Não venham jogar as crendices de vocês pra mim”. É certo que ateus tomam posturas cientificistas, mas até isso não é um mal tão grande quanto as idéias religiosas causam para a sociedade. Há mil anos um papa dizia que as mulheres eram perversas máquinas de parir e hoje em dia outro continua dizendo isso. Há mil anos achavam que a Terra era o centro do universo e hoje em dia nós já pisamos na lua. Vai querer me dizer que o espaço para mudanças é igual na Religião e na Ciência?!

5ª) Posturas e resultados negativa são o mais comum quando se trata de religiões. Idéias religiosas, pra mim, em maioria, tem manifestações negativas no mundo. Os fanáticos, loucos, ultra-conservadores e ignorantes são a maioria. Não acredito que religiosos com idéias éticas e humanitárias sejam a maioria. Acho que os fundamentalistas são. (isso não é fruto de pesquisas, é somente a leitura que eu faço das práticas religiosas)

No caso da minha família que em maioria são espíritas é uma coisa mais branda, mas ainda assim continuam tendo coisas ruins. O espiritismo é uma forma de cristianismo recauchutada, não tem essa condenação do sexo por prazer, mas condenam o sexo casual (não sou defensor  dele, mas acho moralista condenar). Aparentemente todo esse caos e sofrimento humano são parte do plano desse ser perfeito que tem um senso de humor bastante doentio. O sofrimento é uma forma dos seres humanos ganharem pontos pra subir de nível nesse game que é a condição humana e “evoluírem”. Isso parece justo pra vocês?! PRA MIM NÃO! O grande problema das religiões abraâmicas é que plano dessa divindade não leva em conta o sofrimento humano. Aí em resposta a isso vem algum agnóstico enrustido relativizar os defeitos da Religião ou religiosos com mil papos furados e ou loucuras para justificar a plausibilidade da crença deles.
Para mim não existe argumento no mundo que não deixe de ser absurdo existir um Ser perfeito que nos ama, nos criou à sua imagem, mas usa o planeta Terra como seu playground ou laboratório. Eu acho sim que tanto sofrimento, barbárie e caos no mundo são uma prova de que Javé, de fato, é tão real quanto o Papai Noel, mas como é um ideia reconfortante e na qual somos doutrinados desde criança, ninguém perguntou se a gente queria adotar a religião deles, geralmente enfiam goela à baixo.
Eu acho que sem jogar a razão no lixo, não sei como alguém pode ser fundamentalista ou não parar para pensar e questionar a sua crença?! Sei que as posturas ateístas muitas vezes adotam um tom arrogante e cientificista, tento fazer um auto-crítica com relação a isso. Não seria legal se os religiosos também tentassem fazer com relação as idéias deles? 

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Bullying do ponto de vista de quem viveu na pele

8/8/2012

Resolvi escrever sobre a minha experiência com bullying para incentivar as pessoas que pretendem ser educadoras a refletirem sobre o assunto com mais seriedade e menos preconceito.  Bullying é uma discussão relativamente nova no Brasil e meio que virou moda na mídia talvez por agora prejudicar pessoas que importam pra ela (de classes altas),  mas de maneira alguma pode ser reduzida a “histeria de classe média” ou “frescura de gente melindrosa” como já ouvi falarem no Facebook, inclusive, pasmem, professores!
Bom, como alguém que já sofreu, ênfase no sofreu, na pele com isso desde a 5ª série do fundamental ao 3º ano do ensino médio, além disso, teve o seu desenvolvimento (social, emocional e acadêmico) prejudicado por isso, não acho que violência física ou verbal podem ser naturalizadas como “brincadeira de criança e adolescente”.  Não acho que isso serve para incluir ninguém em um grupo ou que seja correto encarar o dano que isso pode causar a autoestima e ao bem estar de uma pessoa como bobagem. É muito assustador e deprimente pessoas que querem trabalhar com Educação (não digo educadores por que acredito que isso é uma função mais profunda em que a maioria dos professores não se encaixam) reproduzirem senso comum e conservadorismo por consistir em uma contradição imensa com o seu papel social.
 Há 30 anos atrás, piadas racistas também eram encaradas como algo “normal” e inofensivo, mas graças as conquista de vários segmentos da sociedade e movimentos sociais o racismo foi criminalizado e hoje em dia já é visto pelo que realmente é: com algo inaceitável e repulsivo.
Mas nem tudo são flores, hoje no Brasil ainda existem centenas de grupos neonazistas e casos de violência contra negros, pardos, nordestinos, homossexuais, marginalizados entre outros. Fora os altos índices de violência contra a mulher. Ainda é necessária a legislação criminalizando outras formas de discriminação, como a homofobia. O preconceito ainda precisa ser combatido e a nossa mentalidade precisa mudar e é o grande papel do Educador incentivar essa mudança e, principalmente, ser parte dela.
Me entristece  ver colegas de curso apoiando hospedando o conservadorismo dentro de si e reproduzindo o senso comum. Se lembrando de forma saudosista dos bons tempos em que se podia agredir e oprimir os seus colegas de classe sem medo de repressão. Acho que é uma postura extremamente míope não perceber que os nossos alunos e as pessoas em geral são extremamente diferentes entre si em termos de sensibilidade, formas de inteligência e de aprendizagem e que permitir ou contribuir para que a sala de aula se torne um ambiente hostil é uma irresponsabilidade monstruosa dos professores. Acredito que o Bullying também é algo nocivo dentro do ambiente escolar e em outros espaços, não podemos naturalizar esses nossos conceitos e nos ausentarmos da discussão e reflexão. É sim algo que precisa ser erradicado. Não é engraçado, não é inofensivo e, acima de tudo, não é justo.