quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Perguntas sobre religião ou a falta dela



Vou postar aqui uma discussão interessante que eu tive com um amigo agnóstico. Ela surgiu por que eu citei umas ideias de um livro chamado  Deus, um delírio do Richard Dawkings. A minha opinião sobre o livro e o autor é: são terrivelmente cientificistas, tenho que admitir. O autor se mete a falar sobre algumas coisas que ele não tem formação ou bagagem para discutir e falar muita besteira ao longo do livro. Enfim, apesar desse lado negativo tem algumas ideias e informações (verdadeiras?) que instigam a curiosidade de buscar mais informação.

1ª)Qual o melhor ambiente para ideias religiosas prosperarem?
 A religião, em sua forma mais prejudicial e na maioria das pessoas, prospera em países pobres ou miseráveis e entre pessoas com baixa ou nenhuma escolaridade. Ele cita a pesquisa de um inglês sobre os intelectuais da Universidade de Oxford e que o nível de irreligiosidade tende a ser maior entre as pessoas com maior grau de formação acadêmica. Eu concordo com essa visão, mas não sei se essa pesquisa é real. Entretanto não tenho nenhuma ilusão quanto a achar que duas ou mais décadas de educação formal auxiliam na formação de indivíduos éticos, humanos, solidários e conscientes ou mesmo os líderes ideais para a sociedade (vide Fernando Henrique Cardoso ou, para quem estuda História na UFPA, vide alguns boçais e cretinos sem respeito pelos alunos que a gente supostamente tem que chamar de “professor”).
Agora acho sim que em um ambiente em que os direitos humanos fundamentais são garantidos a todos os cidadãos. Um ambiente em que a liberdade de pensamento, de expressão e de imprensa são garantidos. Para mim é um ambiente que levará fatalmente a altos níveis de agnosticismo ou ateísmo.

2ª) É uma contradição ter uma formação em Humanas e ser Católico, Evangélico, Judeu ou Muçulmano?

Para mim é uma contradição GIGANTESCA! Uma pessoa que tem acesso às informações que eu citei no post anterior e no mínimo não vira agnóstico, para mim é muito estranho. Eu aceito, tento não desrespeitar ou constranger ninguém, mas sinceramente não entendo como é possível. (Caso alguém são e com algum grau de leitura e OU reflexão sobre isso queira se manifestar, é muito bem-vindo!).

3ª) O ateísmo produz pessoas infelizes, irresponsáveis, egoístas ou amorais?

Bom, obviamente não concordo com isso, mas vi um blog falando que a Teologia da Libertação e a Esquerda mundial (esse bicho papão temido pela Igreja Católica) levam ao ateísmo que por sua vez leva ao caos social: altos índices de suicídio, consumismo e infelicidade. Tive acesso a uma ideia e a duas perguntas interessantes para se pensar. 
A pergunta é do Dawkings: o que surgiu primeiro, a religião ou a moral? Que leva a pergunta: é necessário de religião para ser bom? Para mim a resposta, obviamente, é não. Para a maioria das pessoas que tenham uma pequena dose de bom senso a resposta também é não. Só que no Brasil, um estado que não é laico, a história muda de figura. Uma grande parcela da população acredita que religião e moral são a mesma coisa e demoniza ou odeia os ateus em níveis parecidos com a repulsa que todos nós teríamos contra um pedófilo, por exemplo. O Dawkings acredita que a moral ou um conjunto de regras para ordenar o convívio em sociedade surgiu antes do monoteísmo e não necessariamente surgiu em função do paganismo. Eu não tenho bagagem de leitura para discutir isso então nem vou entrar nesse mérito.
A ideia supracitada é do Bertrand Russel, alguém infinitamente mais credenciado para falar sobre religião e ateísmo do que o Dawkings, muito mais sério e nenhum pouco sensacionalista aos moldes “Dawkingsnísticos” que são feitos para serem vendidos do que a difusão de ideias. Russel questiona o pensamento de que a religião pode até tornar uma pessoa mais feliz do que a falta dela, mas poderia se argumentar que um bêbado é mais feliz do que uma pessoa sóbria. É muito mais difícil ao menos parar pra pensar que talvez Deus ou Deuses não existam e sejam só uma invenção humana. Uma versão para adultos do Papai Noel. Que talvez nós só possuamos uma chance para viver. Que nós não somos o centro do Universo.
Muitas pessoas dizem que o velho barbudo de pijama ou Odin ou qualquer divindade ter criado o universo faz mais sentido do que se o universo tivesse sido feito de outra forma. Na verdade não é só por que a ideia de que exista um ou várias divindades seja mais reconfortante?!  Para os religiosos imaginar que se não existe um deus e os seres humanos não são a razão de ser do Universo e nós não somos melhores do que as vacas e bois que vão pras nossas panelas é extremamente aterrorizante. Afinal de contas, quem diabos quer sair da sua zona de conforto?! É melhor crer em algum deus, por mais implausível que ele seja, ao invés de se quer tentar pensar sobre a alternativa.
Geralmente usam a imagem de grandes intelectuais para propagandear que existem grandes cientistas e pensadores religiosos. Um caso desses é o Einstein. Na opinião do Dawkings, no máximo ele era uma espécie de místico ou acreditava em um equilíbrio no universo ou uma ordem para as coisas. Os religiosos prontamente transformaram isso em “olha que legal, o Einstein também acredita em um patriarca barbudo e de pijama, genocida e sádico, com seus planos que não levam em conta o sofrimento dos seres humanos!”.
“...fica claro que as doutrinas do cristianismo exigem uma grande dose de perversão ética antes que possam ser aceitas. O mundo, tal como nos dizem, foi criado por um Deus que tanto bom quanto onipotente. Antes de criar o mundo ele previu toda a dor e tristeza que este encerraria. Ele é, portanto, responsável por tudo isso. É inútil argumentar que a dor no mundo se deve ao pecado. Em primeiro lugar, isso não é verdade; não é o pecado que faz rios transbordarem suas margens ou os vulcões entrarem em erupção. Mas, mesmo que fosse verdade, isso não faria a menor diferença. Se eu fosse gerar uma criança sabendo que ela se tornaria em um maníaco homicida, eu deveria ser responsabilizado por seus crimes. Se Deus conhecia de antemão os pecados que a humanidade seria culpada, Ele foi então claramente responsável por todas as consequências desse pecado quando decidiu criar o homem. O argumento 
cristão mais comum é de que o sofrimento no mundo é uma purificação do pecado e, portanto, algo bom. Esse argumento é, obviamente, apenas uma racionalização do sadismo; mas de todo modo, é um argumento muito pobre. Eu convidaria qualquer cristão para me acompanhar até a ala infantil de um hospital, a fim de observar o sofrimento que ali é vivido, e então insistir na afirmação de que aquelas crianças estão de tal forma moralmente perdidas que merecem o que sofrem. Para que possa dizer algo assim, qualquer pessoa tem de destruir em si todos os sentimento de misericórdia e compaixão que possa ter. Deve, em resumo, tornar-se tão cruel quanto o Deus em que acredita. Uma pessoa que acredite que tudo neste mundo cheio de sofrimento possui conotação positiva não tem como manter seus valores éticos intactos, já que sempre precisa encontrar desculpas para a dor e a tristeza.” Bertrand Russel - Por que não sou cristão.
Quais as suas respostas???

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