Vou postar aqui uma discussão interessante
que eu tive com um amigo agnóstico. Ela surgiu por que eu citei umas ideias de
um livro chamado Deus, um delírio do
Richard Dawkings. A minha opinião sobre o livro e o autor é: são terrivelmente
cientificistas, tenho que admitir. O autor se mete a falar sobre algumas coisas
que ele não tem formação ou bagagem para discutir e falar muita besteira ao
longo do livro. Enfim, apesar desse lado negativo tem algumas ideias e
informações (verdadeiras?) que instigam a curiosidade de buscar mais
informação.
1ª)Qual o melhor ambiente
para ideias religiosas prosperarem?
A religião, em sua forma mais prejudicial e na
maioria das pessoas, prospera em países pobres ou miseráveis e entre pessoas
com baixa ou nenhuma escolaridade. Ele cita a pesquisa de um inglês sobre os
intelectuais da Universidade de Oxford e que o nível de irreligiosidade tende a
ser maior entre as pessoas com maior grau de formação acadêmica. Eu concordo com essa visão, mas não sei se
essa pesquisa é real. Entretanto não tenho nenhuma ilusão quanto a achar que
duas ou mais décadas de educação formal auxiliam na formação de indivíduos
éticos, humanos, solidários e conscientes ou mesmo os líderes ideais para a
sociedade (vide Fernando Henrique Cardoso ou, para quem estuda História na
UFPA, vide alguns boçais e cretinos sem respeito pelos alunos que a gente
supostamente tem que chamar de “professor”).
Agora acho sim que em um
ambiente em que os direitos humanos fundamentais são garantidos a todos os
cidadãos. Um ambiente em que a liberdade de pensamento, de expressão e de
imprensa são garantidos. Para mim é um ambiente que levará fatalmente a altos
níveis de agnosticismo ou ateísmo.
2ª) É uma contradição ter uma
formação em Humanas e ser Católico, Evangélico, Judeu ou Muçulmano?
Para mim é uma contradição
GIGANTESCA! Uma pessoa que tem acesso às informações que eu citei no post
anterior e no mínimo não vira agnóstico, para mim é muito estranho. Eu aceito,
tento não desrespeitar ou constranger ninguém, mas sinceramente não entendo
como é possível. (Caso alguém são e com algum grau de leitura e OU reflexão sobre isso queira se
manifestar, é muito bem-vindo!).
3ª) O ateísmo produz pessoas
infelizes, irresponsáveis, egoístas ou amorais?
Bom, obviamente não concordo
com isso, mas vi um blog falando que a Teologia da Libertação e a Esquerda
mundial (esse bicho papão temido pela Igreja Católica) levam ao ateísmo que por
sua vez leva ao caos social: altos índices de suicídio, consumismo e
infelicidade. Tive acesso a uma ideia e a duas perguntas interessantes para se
pensar.
A pergunta é do Dawkings: o
que surgiu primeiro, a religião ou a moral? Que leva a pergunta: é necessário de
religião para ser bom? Para mim a resposta, obviamente, é não. Para a maioria
das pessoas que tenham uma pequena dose de bom senso a resposta também é não.
Só que no Brasil, um estado que não é laico, a história muda de figura. Uma
grande parcela da população acredita que religião e moral são a mesma coisa e demoniza
ou odeia os ateus em níveis parecidos com a repulsa que todos nós teríamos
contra um pedófilo, por exemplo. O Dawkings acredita que a moral ou um conjunto
de regras para ordenar o convívio em sociedade surgiu antes do monoteísmo e não
necessariamente surgiu em função do paganismo. Eu não tenho bagagem de leitura
para discutir isso então nem vou entrar nesse mérito.
A ideia supracitada é do
Bertrand Russel, alguém infinitamente mais credenciado para falar sobre
religião e ateísmo do que o Dawkings, muito mais sério e nenhum pouco sensacionalista
aos moldes “Dawkingsnísticos” que são feitos para serem vendidos do que a difusão
de ideias. Russel questiona o pensamento de que a religião pode até tornar uma
pessoa mais feliz do que a falta dela, mas poderia se argumentar que um bêbado é
mais feliz do que uma pessoa sóbria. É muito mais difícil ao menos parar pra
pensar que talvez Deus ou Deuses não existam e sejam só uma invenção humana.
Uma versão para adultos do Papai Noel. Que talvez nós só possuamos uma chance
para viver. Que nós não somos o centro do Universo.
Muitas pessoas dizem que o
velho barbudo de pijama ou Odin ou qualquer divindade ter criado o universo faz
mais sentido do que se o universo tivesse sido feito de outra forma. Na verdade
não é só por que a ideia de que exista um ou várias divindades seja mais
reconfortante?! Para os religiosos
imaginar que se não existe um deus e os seres humanos não são a razão de ser do
Universo e nós não somos melhores do que as vacas e bois que vão pras nossas
panelas é extremamente aterrorizante. Afinal de contas, quem diabos quer sair
da sua zona de conforto?! É melhor crer em algum deus, por mais implausível que
ele seja, ao invés de se quer tentar pensar sobre a alternativa.
Geralmente usam a imagem de grandes
intelectuais para propagandear que existem grandes cientistas e pensadores religiosos.
Um caso desses é o Einstein. Na opinião do Dawkings, no máximo ele era uma
espécie de místico ou acreditava em um equilíbrio no universo ou uma ordem para
as coisas. Os religiosos prontamente transformaram isso em “olha que legal, o
Einstein também acredita em um patriarca barbudo e de pijama, genocida e
sádico, com seus planos que não levam em conta o sofrimento dos seres humanos!”.
“...fica claro que as doutrinas do cristianismo exigem uma grande dose de perversão ética antes que possam ser aceitas. O mundo, tal como nos dizem, foi criado por um Deus que tanto bom quanto onipotente. Antes de criar o mundo ele previu toda a dor e tristeza que este encerraria. Ele é, portanto, responsável por tudo isso. É inútil argumentar que a dor no mundo se deve ao pecado. Em primeiro lugar, isso não é verdade; não é o pecado que faz rios transbordarem suas margens ou os vulcões entrarem em erupção. Mas, mesmo que fosse verdade, isso não faria a menor diferença. Se eu fosse gerar uma criança sabendo que ela se tornaria em um maníaco homicida, eu deveria ser responsabilizado por seus crimes. Se Deus conhecia de antemão os pecados que a humanidade seria culpada, Ele foi então claramente responsável por todas as consequências desse pecado quando decidiu criar o homem. O argumento
“...fica claro que as doutrinas do cristianismo exigem uma grande dose de perversão ética antes que possam ser aceitas. O mundo, tal como nos dizem, foi criado por um Deus que tanto bom quanto onipotente. Antes de criar o mundo ele previu toda a dor e tristeza que este encerraria. Ele é, portanto, responsável por tudo isso. É inútil argumentar que a dor no mundo se deve ao pecado. Em primeiro lugar, isso não é verdade; não é o pecado que faz rios transbordarem suas margens ou os vulcões entrarem em erupção. Mas, mesmo que fosse verdade, isso não faria a menor diferença. Se eu fosse gerar uma criança sabendo que ela se tornaria em um maníaco homicida, eu deveria ser responsabilizado por seus crimes. Se Deus conhecia de antemão os pecados que a humanidade seria culpada, Ele foi então claramente responsável por todas as consequências desse pecado quando decidiu criar o homem. O argumento
cristão mais comum é de que o sofrimento no mundo é uma purificação do pecado e, portanto, algo bom. Esse argumento é, obviamente, apenas uma racionalização do sadismo; mas de todo modo, é um argumento muito pobre. Eu convidaria qualquer cristão para me acompanhar até a ala infantil de um hospital, a fim de observar o sofrimento que ali é vivido, e então insistir na afirmação de que aquelas crianças estão de tal forma moralmente perdidas que merecem o que sofrem. Para que possa dizer algo assim, qualquer pessoa tem de destruir em si todos os sentimento de misericórdia e compaixão que possa ter. Deve, em resumo, tornar-se tão cruel quanto o Deus em que acredita. Uma pessoa que acredite que tudo neste mundo cheio de sofrimento possui conotação positiva não tem como manter seus valores éticos intactos, já que sempre precisa encontrar desculpas para a dor e a tristeza.” Bertrand Russel - Por que não sou cristão.
Quais as suas respostas???
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