domingo, 26 de agosto de 2012

A língua brasileira

26/12/2012


Os defensores da visão gramaticista da língua Portuguesa geralmente distorcem o argumentos dos linguistas :“o importante é a comunicação”, em um bando de demagogos que querem destruir a gramática e a nossa nobre língua Portuguesa que, nós gramaticistas, herdamos da família real Bragança e de Machado de  Assis”. Fiquei muito espantado quando li o livro Preconceito Linguístico, do Marcos Bagno, não sabia que o curso de Letras era tão politizado. Basicamente, a ideia é derrubar esse pensamento  retrogrado de que a Língua Portuguesa é estática e existe uma forma correta de falar, da qual os gramaticistas, do naipe daquele boboca do Pasquale, são os grandes paladinos defensores. Defendem absurdos como jeito dos Portugueses de falar ser mais correto que o nosso. Ou que as pessoas de alguns estados brasileiros “falam melhor” do que o resto do Brasil por usar o “tu”.
A questão é que geralmente esses intelectuais são oriundos de classes mais altas ou reproduzem o preconceito contra a cultura e conhecimento popular. Uma forma acadêmica de ridicularizar ou condenar os pobres e miseráveis por não terem tido acesso à educação formal. É muito mais grave do que pessoas inspiradas pelo senso comum que usam os marginalizados e excluído como motivo de chacota.  Os linguistas não querem abolir a gramática o estudo da Língua Portuguesa (por que não Língua Brasileira?!), a questão é enxergar que a Língua Portuguesa  viva e está em constante processo de transformação. Não desqualificar os diversos dialetos existentes no nosso país de proporções continentais. Não eleger uma “forma correta de falar”. Ter a sensibilidade para perceber que expressões como “norma culta” e “norma coloquial” fazem parte de uma relação de poder extremamente desigual e são cheias de significados e sentidos.  Possuir um pingo de lucidez e ver que nós somos um país extremamente desigual. Com milhões de miseráveis. Com uma educação pública de péssima qualidade, as vezes e educação privada também (quando presta geralmente é focada para formar mão-de-obra e não cidadãos, mas isso é outra discussão) e não faz sentido ridicularizar erros de português no país e contexto histórico em que vivemos. É o pensamento do Marcos Bagno, eu só faço coro a ele. Não quis ser chato ou algo do tipo, só acho essa obra extremamente inspiradora e vale a pena divulgá-la.

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