quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Por que sou ateu

24/08/2012
Não tenho grande erudição filosófica (ou em qualquer outra área) para justificar a minha descrença, mas ao longo do tempo e conforme fui amadurecendo e  ao longo do meu curso de História entrei em contato com algumas idéias e informações que tornaram impossível com que eu acreditasse na existência de um deus, deuses ou visagens, curupira ou Matinta Pereira.

1ª) A Bíblia, o Corão e o ou a Torá foram escritas por homens. Ênfase no “homens” por que a a Biblía (a única que eu tive contato) não enxerga as mulheres com bons olhos.  Segundo o texto sagrado são basicamente máquinas de parir que devem ser subservientes aos homens. Isso não é nenhuma novidade pra alguém com o mínimo de instrução, mas só quis destacar que é um texto que tem data. Foi escrito por homens primitivos, muitas vezes com motivações políticas e estratégicas. O texto foi traduzido várias vezes ( quem garante que algo não foi “lost in translation”, perdido ou mudado na tradução?), evangelhos foram selecionados segundo o interesse de membros da Igreja Católica Apostólica Romana. Ainda quer me dizer que isso é a palavra de Deus?!

2a) A religião é uma grande forma de controle social, opressão e obscurantismo. Não preciso ir lá pra idade Média e citar Cruzadas, Inquisição e perseguições a grupos religiosos diferentes ao dominante. Posso citar a postura da Igreja Católica ao defender o sexo somente como uma forma de reprodução e condenar o uso da camisinha. E aqueles evangélicos que são contra a criminalização da homofobia (por que se o deus dele transformou Sodoma e Gomorra em pilares de sal, por que eles também não podem discriminar ou “curar” homossexuais?!).  E a grande fortuna gerada por essas igrejas evangélicas? (Record, a filial da Universal do Reino de Deus). Não acho que faça sentido idéias de homens primitivos, violentos e bárbaros (alunos de História, podem relativizar isso à vontade) possam orientar como nós levamos a nossa vida.

3ª) Simplesmente não acho muito racional ou são acreditar que exista um Ser bom e perfeito que se importa com a humanidade, tem um plano pra nós e fica que nem uma velha vendo quem faz sexo com quem e como ( basicamente um amigo imaginário de adultos). A nossa humanidade com o nazismo, facismo, holocausto, genocídio, miséria, fome e guerra parece o trabalho de um ser perfeito?! (frase do Ricky Gervais).  Pra mim não parece.
 Não entendo como alguém pode acreditar no Jeová, com suas longas barbas e pijamas brancos com suas determinações loucas de exterminar a galera que queria cultuar o bezerro dourado. Aliás, extermínio é um coisa que esse deus curte fazer, né? Que massa a história do dilúvio, né? Eu fico triste de imaginar que tem gente que acredita, ao pé da letra, que um marceneiro construiu uma barca gigante e meteu um zoológico lá dentro...

4ª) Descrença é o oposto de crença. Ateísmo não é cientificismo ou o culto a ciência ou ao ser humano. É simplesmente achar implausível e absurdo as religiões. Vi um comediante falando algo legal uma vez: “a minha descrença tá na estante das idéias de grandes intelectuais, homens e mulheres, que questionaram idéias e valores impostos pela sociedade. A de vocês está na do Zeus e o Kraken.  Da grande escola intelectual do "Eu sei que eu não sou, mas o que você é?" Não venham jogar as crendices de vocês pra mim”. É certo que ateus tomam posturas cientificistas, mas até isso não é um mal tão grande quanto as idéias religiosas causam para a sociedade. Há mil anos um papa dizia que as mulheres eram perversas máquinas de parir e hoje em dia outro continua dizendo isso. Há mil anos achavam que a Terra era o centro do universo e hoje em dia nós já pisamos na lua. Vai querer me dizer que o espaço para mudanças é igual na Religião e na Ciência?!

5ª) Posturas e resultados negativa são o mais comum quando se trata de religiões. Idéias religiosas, pra mim, em maioria, tem manifestações negativas no mundo. Os fanáticos, loucos, ultra-conservadores e ignorantes são a maioria. Não acredito que religiosos com idéias éticas e humanitárias sejam a maioria. Acho que os fundamentalistas são. (isso não é fruto de pesquisas, é somente a leitura que eu faço das práticas religiosas)

No caso da minha família que em maioria são espíritas é uma coisa mais branda, mas ainda assim continuam tendo coisas ruins. O espiritismo é uma forma de cristianismo recauchutada, não tem essa condenação do sexo por prazer, mas condenam o sexo casual (não sou defensor  dele, mas acho moralista condenar). Aparentemente todo esse caos e sofrimento humano são parte do plano desse ser perfeito que tem um senso de humor bastante doentio. O sofrimento é uma forma dos seres humanos ganharem pontos pra subir de nível nesse game que é a condição humana e “evoluírem”. Isso parece justo pra vocês?! PRA MIM NÃO! O grande problema das religiões abraâmicas é que plano dessa divindade não leva em conta o sofrimento humano. Aí em resposta a isso vem algum agnóstico enrustido relativizar os defeitos da Religião ou religiosos com mil papos furados e ou loucuras para justificar a plausibilidade da crença deles.
Para mim não existe argumento no mundo que não deixe de ser absurdo existir um Ser perfeito que nos ama, nos criou à sua imagem, mas usa o planeta Terra como seu playground ou laboratório. Eu acho sim que tanto sofrimento, barbárie e caos no mundo são uma prova de que Javé, de fato, é tão real quanto o Papai Noel, mas como é um ideia reconfortante e na qual somos doutrinados desde criança, ninguém perguntou se a gente queria adotar a religião deles, geralmente enfiam goela à baixo.
Eu acho que sem jogar a razão no lixo, não sei como alguém pode ser fundamentalista ou não parar para pensar e questionar a sua crença?! Sei que as posturas ateístas muitas vezes adotam um tom arrogante e cientificista, tento fazer um auto-crítica com relação a isso. Não seria legal se os religiosos também tentassem fazer com relação as idéias deles? 

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