quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Bullying do ponto de vista de quem viveu na pele

8/8/2012

Resolvi escrever sobre a minha experiência com bullying para incentivar as pessoas que pretendem ser educadoras a refletirem sobre o assunto com mais seriedade e menos preconceito.  Bullying é uma discussão relativamente nova no Brasil e meio que virou moda na mídia talvez por agora prejudicar pessoas que importam pra ela (de classes altas),  mas de maneira alguma pode ser reduzida a “histeria de classe média” ou “frescura de gente melindrosa” como já ouvi falarem no Facebook, inclusive, pasmem, professores!
Bom, como alguém que já sofreu, ênfase no sofreu, na pele com isso desde a 5ª série do fundamental ao 3º ano do ensino médio, além disso, teve o seu desenvolvimento (social, emocional e acadêmico) prejudicado por isso, não acho que violência física ou verbal podem ser naturalizadas como “brincadeira de criança e adolescente”.  Não acho que isso serve para incluir ninguém em um grupo ou que seja correto encarar o dano que isso pode causar a autoestima e ao bem estar de uma pessoa como bobagem. É muito assustador e deprimente pessoas que querem trabalhar com Educação (não digo educadores por que acredito que isso é uma função mais profunda em que a maioria dos professores não se encaixam) reproduzirem senso comum e conservadorismo por consistir em uma contradição imensa com o seu papel social.
 Há 30 anos atrás, piadas racistas também eram encaradas como algo “normal” e inofensivo, mas graças as conquista de vários segmentos da sociedade e movimentos sociais o racismo foi criminalizado e hoje em dia já é visto pelo que realmente é: com algo inaceitável e repulsivo.
Mas nem tudo são flores, hoje no Brasil ainda existem centenas de grupos neonazistas e casos de violência contra negros, pardos, nordestinos, homossexuais, marginalizados entre outros. Fora os altos índices de violência contra a mulher. Ainda é necessária a legislação criminalizando outras formas de discriminação, como a homofobia. O preconceito ainda precisa ser combatido e a nossa mentalidade precisa mudar e é o grande papel do Educador incentivar essa mudança e, principalmente, ser parte dela.
Me entristece  ver colegas de curso apoiando hospedando o conservadorismo dentro de si e reproduzindo o senso comum. Se lembrando de forma saudosista dos bons tempos em que se podia agredir e oprimir os seus colegas de classe sem medo de repressão. Acho que é uma postura extremamente míope não perceber que os nossos alunos e as pessoas em geral são extremamente diferentes entre si em termos de sensibilidade, formas de inteligência e de aprendizagem e que permitir ou contribuir para que a sala de aula se torne um ambiente hostil é uma irresponsabilidade monstruosa dos professores. Acredito que o Bullying também é algo nocivo dentro do ambiente escolar e em outros espaços, não podemos naturalizar esses nossos conceitos e nos ausentarmos da discussão e reflexão. É sim algo que precisa ser erradicado. Não é engraçado, não é inofensivo e, acima de tudo, não é justo.

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