Uma
sombra ao pé da minha cama, talvez uma figura ameaçadora de uma mulher. Algo
que uma mente meio adormecida formulou, mas se essa mesma mente for crédula e cheia
de religião, provavelmente essa figura é um espírito, visagem ou encosto. Pra
mim é só um resquício de uma imagem ou sonho ao qual a minha mente semi-adormecida
ainda se agarrava.
Barulhos
de choro ou lamento de criança ou bebê me acordam, mas na verdade é só a minha
gata no cio brigando com outro felino, entre a tela da garagem, por que a
minha irmã deixou a porta de madeira aberta, ao entrar em casa.
Livros,
roupas e outros objetos formam contornos ameaçadores de algo à espreita. No
entanto, não sou mais um menino e meu lençol não é mais uma armadura que pode
me proteger dos demônios de baixo da minha cama ou escondidos nas sombras e me
dando nós na garganta.
Sou
um homem de 1,90m, meus pés sobram um pouquinho na cama, é um problema que já
me acostumei, mas mesmo assim, não tenho a ilusão de que seja tão menos
vulnerável do que quando era criança. Agora os monstros e demônios são mil
preocupações e projeções que podem ou não se realizar, mil pequenas falas e
interações com outras pessoas que poderiam significar um milhão de coisas e que
podem implicar em um zilhão de coisas negativas ou positivas, uma infinidade de
neuras de “adultescente” passam pela minha mente antes de finalmente adormecer.
Não me iludo muito quanto a isso, elas são tão reais quanto os meus terrores da
infância e fazem parte da história que eu e as outras pessoas contamos sobre
mim mesmo e ela já é tão velha que eu acabo acreditando que seja toda a verdade,
mas às vezes ela parece real demais para ser só uma narrativa e outras, parece só uma fábula que espero poder segurá-la com força entre as minhas mãos
e moldá-la.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.