Assisti a série Utopia há algum tempo atrás. Adorei, assisti quase todos os episódios em um ou dois dias.Uma personagem é a esposa de um cientista, mas a gente descobre que ela era uma agente infiltrada e parte do grande plano do vilão da série (que eu comecei a torcer por ele no final da série). Enfim, vá lá e assista a série se quiser. O importante é que quando o disfarce dela é revelado, ela fala para o "marido" sobre como era trabalhoso cuidar dele e que ele propagandeava as fraquezas e defeitos dele para o mundo. Isso ressoou na minha cabeça e ficou encrustado nela. Por quê?
Bom, nós vivemos na era digital e da informação e a esmagadora maioria das pessoas postam uma realidade formatada e feliz da vida. Gastam muito tempo, dinheiro e energia tentando mostrar como são felizes, bem sucedidas e realizadas seja lá no que diabos esteja em voga no momento. Entretanto, não acho que esses papéis e máscaras que as pessoas criam e interpretam seja algo novidade, só é potencializado pela internet e pela facilidade de monetizar bundas e músculos e vida luxuosa e inacessível pra grande maioria das pessoas. Nada disso que estou escrevendo é novidade pra você (eu acho. E é até dolorosa a a ideia que talvez seja impossível ter um pensamento original que seja e nós, ou mais provavelmente eu somente sou um papagaio regurgitando as ideias alheias e cultura pop, mais penoso ainda é saber que se eu usasse uma linguagem rebuscada e atribuísse esse pensamento a um grego pedófilo e xenófobo, ou a um europeu racista, misógino e colonialista, muitos idiotas iriam me aplaudir. Bom, precisaria conquistar alguma autoridade e legitimidade, ser pós doc em "pagagaiar" e comentar sobre os pensamentos de gente morta, em uma época com um caráter meio renascentista em que era possível dar uma explicação global para tudo).
Divagação gigantesca para dizer que tenho defeitos, frustrações, ressentimentos e rótulos negativos, antes os expunha mais na internet e era mais superficial nas minhas análises sobre eles, grande parte das outras pessoas gostam de fazer marketing pessoal o tempo inteiro e esse país e cidade (esta onde o bolsonarismo e o fundamentalismo evangélico se reproduzem como ervas daninhas) delirantes, surreais e deprimentes que estou inserido.
Talvez o tempo e o sofrimento não nos deixe mais sábios, somente mais amargos e pessimistas. Acho que se você for muito auto indulgente e não fizer nenhum esforço, provavelmente isso é verdade. Provavelmente não dá pra passar por muitas situações sem sofrer transformações e provavelmente amadurecer, mesmo que na marra.
Eu estava com uma frase na cabeça: fazer da minha fraqueza a minha força. Não sei de onde ela veio. O que significa para mim é que não sou o único perdido, defeituoso e cheio de insatisfações com esse mundo em que a única liberdade que você tem é sobre o que consumir, com a minha profissão, com a forma como as outras pessoas se portam. Não sou o único que um dia acorda se sentindo uma pessoa inteligente, especial, sensível e com coisas boas a fazer e a compartilhar com outras pessoas que pensem de forma semelhante a mim, mas aí no outro dia você acorda e sente que você é tão burro, egoísta, covarde e mesquinho quanto o resto da escória que tanto despreza.
Estaticamente (que termo sexy e instigante, né?), vivendo no ocidente, ter depressão, ansiedade e problema com vícios é a coisa mais comum do mundo, então não estou sozinho e não preciso sentir vergonha e nem inferior. Pelo contrário, ao menos busco ser autêntico e seguir a Regra de Ouro (não faça com os outros o que você não quer que façam com você). Posso não estar na vanguarda, mas ao menos não sou parte do gado, ou nem estaria fazendo essas perguntas.
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