Li o livro 1 de História da sexualidade*, também li uns trechos de Vigiar e Punir (Michel Foucault), a escrita desse francês careca com cara de piroca é tão prazerosa de ler quanto extrair um dente sem anestesia. Troço mais floreado, rebuscado e nada objetivo, me parece o oposto do que um texto científico deveria ser.
Pensava que todos os autores francófonos fossem nesse nível, uma escrita chata, repetitiva, de egocêntricos enchedores de linguiça, aí li a introdução de Pele negra, máscaras brancas do Frantz Fanon. E fiquei encantado. Mesmo não sendo uma escrita tão acessível, afinal de contas o cara era um grande intelectual e psicólogo, mas é um texto objetivo, instigante e inspirador.
É difícil pra cacete pra eu conseguir sentar e me concentrar em alguma coisa só, mas vou acabar de ler Álcool e drogas na história do Brasil. Depois pulo pro Frantz Fanon. Depois pulo pra uns livros de poesia que não sejam só baboseira pedante, vazia e aleatória.
Por fim, engraçado como a gente se depara por acaso (as vezes muito raramente) com trabalhos acadêmicos ou artísticos que conseguem falar profundamente com a nossa essência. E não só essa coisa maçante e produtivista que é o mundo do trabalho e o meio acadêmico (apesar de eu ter vivido ele por um breve período). Vou consumir mais coisas nessa busca de topar com mais coisas que falem comigo. Simplesmente por que tenho vivido uma vida vazia de pensamento, sonho e inspiração e isso é escroto pra caralho.
*Por mais penosa que seja a leitura dessa criatura horrorenda, é interessante a discussão que ele faz sobre o controle, discursos e energias utilizados para controlar a sexualidade na Inglaterra vitoriana e o resultado foi uma sociedade obcecada com fetiches e pornografia (grafia de fato, pois eram textos eróticos).
**Vigiar e punir, vou me forçar a ler. Discursos, profissões e atividades do judiciário e acessórias a ele que passaram de punir/controlar o corpo para uma reabilitação/controle da mente. Foucault, se eu tivesse que definir ele como intelectual, pelo pouquíssimo que li, seria: essa reunião poderia ser um email. Acho que cortada a baboseira rebusca e repetitiva, dava pra reduzir os livros deles em artigos. Entretanto, não sou europeu, então a minha opinião não conta muito, pois não sei se existe um povo com a mente mais colonizada que o nosso povo brasileiro.
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