Depois da despedida com minha namorada no shopping C., procurei a direção do tobogã do Duciomar. Subi uma escada e perguntei onde ficava o dito cujo para um guarda, ele não me entendeu, então falei que era o troço para cruzar a br, ele me olhou com uma cara feia e me deu as direções, nossas vidas nunca mais vão se encontrar, eu acho.
Enquanto cruzava aquele monumento ao absurdo, pensei nos milhões
desviados pelo Duciomar, PSDB e Cia. e lembrei de uma mulher grávida (ou com
uma doença grave) dormia ou estava desfalecida na calçada. Agora penso no nosso
poder público escroto e em nossa cultura política mais débil ainda (*calma, meu
confrade classe média, porém bunda mole e reaça, o problema não são os impostos
excessivos ou o Bolsa Família e muito menos as Cotas sociais e raciais) e
me pergunto se o ônibus não deveria ter parado e nos não deveríamos ter ajudado
um ser humano como nós? Me pergunto se o mundo não deveria ter parado naquele momento
e se a humanidade não é um erro. Lembro que o comediante Louis C.K relatou que a
1° vez que uma parente dele visitou Nova York, ela se chocou com um morador de
rua, sentado na calçada, se ajoelhou ao lado dele e disse “Senhor, o você
precisa de ajuda?”, e ele contou bem ironicamente para a plateia como teve que
explicar para ela que em metrópoles o modo correto de levar a vida é a apatia e
a indiferença em relação aos nossos semelhantes.
Sabe de uma coisa coleguinhas, muita gente achar esse texto
meloso ou coisa de petralha. Porém, sei que não estou só nessa indignação e
espero nunca perdê-la. Em duas notas mais alegres para animar esse texto
"downer": em um mundo opressor sempre existirão vozes dissonantes ou
mesmo pessoas destemidas que darão suas vidas pela dignidade humana e em prol
de uma de sociedade mais igualitária
Eu atravessei aquela ponte de sangue e sofrimento para adotar
o Tucupi, meu gatinho.
P.s: Te amo Keylla Cileny Gomes da Paixão, você é uma das
poucas pessoas me mantendo são nesse ano maldito.
P.s2: Enquanto escrevia isso, chovia, a água escorria dos
telhados, o lixo escorria pela sarjeta como uma metáfora barata que eu sentia.
Agora almocei o céu clareou, o vento bate, estou de estômago cheio, ia falar da
hipocrisia dos cristãos, mas prefiro lembrar que pessoas de inúmeras origens
estão cometendo crueldades agora. Nossos papeis que interpretamos para
sobreviver ou para nos defender, pelo menos vamos tentar causar menor
quantidade de danos ao longo do caminho.





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