quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Uma noite ruim e dois ovos podres

Tive uma noite meio ruim. É, esse blog tem tomado um tom de “querido diário”, já me adianto ao seu julgamento, ou o que eu penso que seria o seu suposto julgamento, querid@ leitor(a). Talvez, realmente, quem saiba, o meu conteúdo seja bem pubescente (será?). Acho que no futuro posso escrever sobre Baudelaire e literatura francesa do século XVIII e XIX (ou algum tema nessa linha Darntoniana*).
Pois é, depois de fazer toda essa divagação, tive uma noite meio ruim. Cheguei em casa e fui fazer um omelete de atum. Separei 3 ovos. Quebrei um ovo, tudo bem, depois quebrei o outro, só que ele estava podre. Enojado, joguei essa bagaça fora. Fiz o mesmo processo de novo, porém, aconteceu a mesma coisa, na mesma ordem. Eu poderia ser supersticioso, ter um pensamento mágico e relacionar os ovos podres com a minha noite ruim. Para botar de outra forma, poderia ser místico, ou, pra dizer o que eu realmente penso sobre essa categoria: pessoa ocidental, privilegiada e com nível superior, mas que tá cagando pro método científico e acredita em milagres, horóscopo ou em um deus pessoal que responde às suas orações, mas não tem muito tempo para resolver as atrocidades que os macacos sem pelo cometem.
Esse é o ponto da discussão/divagação que tenho que alertar que estou falando sobre religiões monoteístas hegemônicas. Eu sei que europeus, gringos e brancos se utilizam/ram da ciência para justificar colonialismo e opressão dos povos indígenas, africanos e asiáticos.  Eu sei que a produção científica não é neutra e que muitos intelectuais estão/estiveram do lado de impérios e legitimam/legitimaram inúmeras opressões.
Dito tudo isso, sei que tem, talvez, um milhão de pessoas que foram cozinhar ovos e tiveram o azar de quebrar ovos podres. Nesse universo, estou entre as pessoas que tiveram uma noite ruim. Talvez eu seja um cientificista e uma série de outras coisas escrotas, mas me lembrei que se você botar o ovo em um copo d’água e ele não boiar, então tá de boa, por que só ovos podres boiam, parece que as bactérias produzem metano e isso faz a podridão flutuar [insira uma metáfora bonitinha]. Segui esse conhecimento e, muito importante, passei um pouquinho de óleo na coisinha de fazer omeletes e ele não se despedaçou, aparentemente é uma falha de caráter se você deixa ele se despedaçar.


*Robert Darnton, historiador gringo.

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