quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Animal raro na Amazônia e no mundo

Caminhando na rua, comecei a perceber um bicho esquisito. Tinha um jeito de se portar e um olhar diferente. Ia descendo uma rua do centro, impassível, entre belas jovens e mulheres, entretanto, em nenhum momento esse mamífero improvável disse alguma obscenidade, interpelou, ou atrapalhou de qualquer forma o trajeto dessas pessoas.
Fiquei tão intrigado que intensifiquei meu olhar e consegui decifrar os recantos mais íntimos da mente desse espécime. Ele nunca tentou manipular suas semelhantes para as fazer acreditar que era seu amigo. A ideia de tentar manipular outras pessoas para conseguir relacionamentos, companhia ou sexo lhe parecia absurda. Não entendia como um macho poderia fazer isso e, ao ser rejeitado, pensar que era um “cara legal” que foi injustiçado por uma “puta”, ou outro termo curioso que esses cérebros cheio de testosterona e excremento inventam.
Ele me olhou e naquele instante eu sabia que esse ser nunca se arrogaria direitos de proprietário sobre o corpo alheio: de namoradas, esposas ou ex-companheiras. Ele era belo e sensível demais para forçar o seu desejo sexual sobre uma pessoa vulnerável que não estava em condições de consentir (por ser menor de idade, por estar inconsciente ou embriagada; ou se aproveitar de qualquer outra relação de poder desigual, se utilizar da hierarquia para fazer valer impulsos vis e animalescos).
Estava andando ao lado desse ser brilhante e inspirador. Ele não era eu, talvez fosse o que o meu filho pode ser, ou mesmo, o filho dele. Espero dar alguns passos nessa trajetória e sobreviver nessa ideia, compartilhada por diversas pessoas. Talvez nós inspiremos outras gerações a superarem nossas limitações e barbárie.

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