O
autor discute a questão de poder que envolve a determinação dos currículos de
História. A intencionalidade que o ensino da disciplina costumava ter: formar
cidadãos-súditos e reforçar/legitimar o ideário nacionalista e o paradoxo: essa
é uma noção obsoleta e não é mais uma atribuição do ensino de História, mas
diversos grupos, em diversos países tentam impor impingir esse tipo de conteúdo
aos professores e alunos. Além disso, ele desconstrói a ideia de que a História
(acho que em certos momentos de forma ingênua) realmente tenha esse poder de
conquistar corações e almas ou interferir significativamente na visão de mundo
de ninguém, porque as pessoas muitas vezes vão na contra mão do que se ensina
em sala de aula e aquelas funções recairiam sobre a família e a toda poderosa
mídia.
Bom,
é bem contraditório essa parte final do discurso produzido pelo autor. Os
alunos têm o poder de ressignificar, contestar e subverter os conteúdos de
História (o que é bom até o ponto em que não descambe em negacionismo e
fascismo), mas aceitam bovinamente as mensagens explícitas ou implícitas da
mídia?! Não acredito que a maioria das pessoas engula o “mito da democracia
racial” propalado pela rede Globo e suas congêneres, ou que a sociedade
brasileira seja quase uma Noruega sul-americana, em que as elites brancas “refinadas”
sofrem seus dramas em um Português engessado (como disse Marcos Bagno) e os
negros sabem seu lugar: periferia e empregos subalternos.
Essa
hipótese me parece absurda, especialmente em um contexto de conquistas do
movimento negro e dos afro-brasileiros em geral. Além disso, pra bem ou pra
mal, contamos com a internet (descontando o fato de que o autor escreveu seu
texto em 99) que serve como um local de troca de ideias, ponto de encontro e
espaço de visibilidade para quem não tem voz e vez na velha mídia.
Por
fim, ele usa tanto o “raio relativizador” (apesar reconhecer explicitamente que
o ensino de História é importante para o fortalecimento da democracia) que ao
fim da leitura do texto uma pessoa mais vulnerável ou ingênua pode até pensar
que o ensino de História é um exercício do absurdo e uma grande perda de tempo.
Eu andei me questionando sobre isso, especialmente porque vivemos em um país
dominado por latifundiários, fundamentalistas, fascistas e refém do grande
capital. Se nutrirmos um complexo de deus, de fato vamos viver frustrados, mas
creio que uma aula bem dada pode ser muito transformadora, formar seres
humanos melhores e isso tem um potencial de irradiar a mudança. Então, sim, ser
professor vale a pena e o ensino de História é fundamental.
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