quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Textos que a gente lê porque o concurso nos obriga (mas esse é exceção e até que presta): "A guerra das narrativas", de Christian Laville.


O autor discute a questão de poder que envolve a determinação dos currículos de História. A intencionalidade que o ensino da disciplina costumava ter: formar cidadãos-súditos e reforçar/legitimar o ideário nacionalista e o paradoxo: essa é uma noção obsoleta e não é mais uma atribuição do ensino de História, mas diversos grupos, em diversos países tentam impor impingir esse tipo de conteúdo aos professores e alunos. Além disso, ele desconstrói a ideia de que a História (acho que em certos momentos de forma ingênua) realmente tenha esse poder de conquistar corações e almas ou interferir significativamente na visão de mundo de ninguém, porque as pessoas muitas vezes vão na contra mão do que se ensina em sala de aula e aquelas funções recairiam sobre a família e a toda poderosa mídia.
Bom, é bem contraditório essa parte final do discurso produzido pelo autor. Os alunos têm o poder de ressignificar, contestar e subverter os conteúdos de História (o que é bom até o ponto em que não descambe em negacionismo e fascismo), mas aceitam bovinamente as mensagens explícitas ou implícitas da mídia?! Não acredito que a maioria das pessoas engula o “mito da democracia racial” propalado pela rede Globo e suas congêneres, ou que a sociedade brasileira seja quase uma Noruega sul-americana, em que as elites brancas “refinadas” sofrem seus dramas em um Português engessado (como disse Marcos Bagno) e os negros sabem seu lugar: periferia e empregos subalternos.
Essa hipótese me parece absurda, especialmente em um contexto de conquistas do movimento negro e dos afro-brasileiros em geral. Além disso, pra bem ou pra mal, contamos com a internet (descontando o fato de que o autor escreveu seu texto em 99) que serve como um local de troca de ideias, ponto de encontro e espaço de visibilidade para quem não tem voz e vez na velha mídia.
Por fim, ele usa tanto o “raio relativizador” (apesar reconhecer explicitamente que o ensino de História é importante para o fortalecimento da democracia) que ao fim da leitura do texto uma pessoa mais vulnerável ou ingênua pode até pensar que o ensino de História é um exercício do absurdo e uma grande perda de tempo. Eu andei me questionando sobre isso, especialmente porque vivemos em um país dominado por latifundiários, fundamentalistas, fascistas e refém do grande capital. Se nutrirmos um complexo de deus, de fato vamos viver frustrados, mas creio que uma aula bem dada pode ser muito transformadora, formar seres humanos melhores e isso tem um potencial de irradiar a mudança. Então, sim, ser professor vale a pena e o ensino de História é fundamental.

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