sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Sobre o "Na moral" e outros engodos e enlatados da Globo

O último "Na moral"  abordou  o feminismo (ou fingiu que tentou). Sabe, passo longe de programas como esse e como o "Esquenta!", no caso deste, por que reforça o mito da democracia racial, quando é patente que negro em novela geralmente aparece em papel subalterno ou marginalizado. 
No caso do primeiro, me embrulha o estômago, por que tenta dar um ar democrático ou modernoso para um oligopólio midiático que não simplesmente apoiou o golpe e a Ditadura Civil-militar (e ainda apoia e apoiaria outros golpes), mas que é uma das principais crias desse período sinistro da nossa história. É um grupo que sempre criminalizou movimentos sociais, que apoia a militarização da PM e o genocídio da juventude negra, escandaliza a política, ou seja, aliena a população. Sem falar que transmite a ideia ora de um Brasil ariano ora de uma harmonia cor de rosa entre as "raças".
Eu acredito que boa parte das pessoas, se tivesse a opção entre uma programação variada e de qualidade, sem dúvida nenhuma a acolheria de braços abertos, ao invés da exibição de diuturna de novelas (nada contra elas, só contra o monopólio).

Por último, a forma como a televisão está organizada, como afirma Bourdieu, é uma ameaça à democracia. Temas relevantes para a sociedade precisam ser discutidos apressadamente entre blocos de um programa muito curto, enquanto programas de fofoca e outras banalidades merecem horas a fio de tempo, ou mesmo debates políticos que precisam ser cronometrados, mesmo supostamente a televisão sendo uma concessão pública em nossa legislação. É como o Chomsky defende, essa configuração não é por acaso, qualquer ideia que desconstrua o senso comum e o conservadorismo e questione o status quo, geralmente é complexa e precisa de tempo para ser discutida adequadamente, algo quase impossível de fazer nesses espaços. Por isso a televisão é um espaço eminentemente conservador e alienante. 

P.s.:O link do texto da Clara Averbruck 
http://lugardemulher.com.br/a-mulher-que-passa-e-responde/

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