quinta-feira, 29 de maio de 2014

Aí já é vandalismo

Hoje quando estava à caminho da minha aula no cursinho da UFRA, estava ocorrendo uma manifestação que parou o trânsito. Foi uma verdadeira experiência sociológica não estar participando dela e ouvir o que as pessoas que não participam (e nunca participaram e nem vão) dizem, a máxima direto do século XIX: "povo que não quer trabalhar e fica na baderna" ou o discurso tirado direto da doutrinação da velha mídia: "tudo bem fazer manifestação, mas fazer N já é vandalismo". 

É curioso viver em um país com tanta gente regurgitando discursos despolitizados e recheados de senso comum sobre a corrução, mas quando diversos segmentos da sociedade se mobilizam e lutam por seus direitos, essas mesmas pessoas “indignadas” com a alienação dos brasileiros reclamam que vai atrapalhar o trânsito ou ficam cagando regras sobre as manifestações sem nem ao menos ter participado de uma. Ou, pior ainda, compram o discurso da mídia e apoiam a criminalização de movimentos sociais, ao invés de entender o contexto que estamos vivendo em nosso país: de gentrificação das cidades, gastos de bilhões do nosso dinheiro público pra financiar a festa da FIFA e das empreiteiras, grandes obras na Amazônia passando por cima dos direitos humanos básicos dos indígenas e populações tradicionais. 


Nem todo mundo que fica querendo ditar regras pra manifestações populares ou comprando o discurso da velha mídia necessariamente apoia as truculências da polícia ou o autoritarismo do governo, mas com quem e o que a gente se revolta diz muito sobre a gente. Sinceramente, fodam-se agências bancárias e manequins da Toulon, estou mais preocupado com uma polícia militarizada e assassina da juventude pobre e preta,  me indigna que o poder público defende os interesses de bancos e empreiteiras que financiam suas campanhas políticas e com oligopólio midiático, principalmente da Globo, construído com o apoio ao golpe e à ditadura civil-militar. O resto é só falatório de gente conservadora que não quer sair do armário ou de analfabeto político.

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