Hoje quando estava à caminho da minha aula
no cursinho da UFRA, estava ocorrendo uma manifestação que parou o trânsito.
Foi uma verdadeira experiência sociológica não estar participando dela e ouvir
o que as pessoas que não participam (e nunca participaram e nem vão) dizem, a
máxima direto do século XIX: "povo que não quer trabalhar e fica na
baderna" ou o discurso tirado direto da doutrinação da velha mídia:
"tudo bem fazer manifestação, mas fazer N já é vandalismo".
É curioso viver em
um país com tanta gente regurgitando discursos despolitizados e recheados de
senso comum sobre a corrução, mas quando diversos segmentos da sociedade se
mobilizam e lutam por seus direitos, essas mesmas pessoas “indignadas” com a
alienação dos brasileiros reclamam que vai atrapalhar o trânsito ou ficam
cagando regras sobre as manifestações sem nem ao menos ter participado de uma.
Ou, pior ainda, compram o discurso da mídia e apoiam a criminalização de
movimentos sociais, ao invés de entender o contexto que estamos vivendo em
nosso país: de gentrificação das cidades, gastos de bilhões do nosso dinheiro
público pra financiar a festa da FIFA e das empreiteiras, grandes obras na
Amazônia passando por cima dos direitos humanos básicos dos indígenas e
populações tradicionais.
Nem todo mundo que fica querendo ditar
regras pra manifestações populares ou comprando o discurso da velha mídia necessariamente
apoia as truculências da polícia ou o autoritarismo do governo, mas com quem e
o que a gente se revolta diz muito sobre a gente. Sinceramente, fodam-se
agências bancárias e manequins da Toulon, estou mais preocupado com uma polícia
militarizada e assassina da juventude pobre e preta, me indigna que o poder público defende os
interesses de bancos e empreiteiras que financiam suas campanhas políticas e com oligopólio midiático, principalmente da Globo, construído com o apoio ao golpe
e à ditadura civil-militar. O resto é só falatório de gente conservadora que
não quer sair do armário ou de analfabeto político.



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