domingo, 10 de janeiro de 2016

Querido desconhecido



*escrito ouvindo esse álbum:https://www.youtube.com/watch?v=jvsow-V9_Hk&list=PL495CDDC52A2126E1 (sigur rós - ágætis byrjun)

Não, você não sabe de como eu me sinto.  Provavelmente ainda nem conseguiu adquirir maturidade suficiente para conquistar o auto conhecimento, falo isso sem julgamento (pra ser honesto,ao menos não muito), eu estou buscando isso e não é algo simples, a maioria das pessoas morrem sem nunca se preocuparem com isso.
Nós somos jogados em um mundo violento, onde homens roubaram e mataram o bastante para formar fronteiras imaginárias, hierarquias (de classe, gênero, etnia, orientação sexual, etc), metrópole e periferia e nós somos uma espécie que além de exterminar em larga escala nossos semelhantes e outras espécies, corremos alegremente para nossa própria extinção. Nesse contexto, acho que empatia é algo dificilíssimo, improvável até. Eu realmente poderia gostar de enxergar o mundo pelos olhos de outras pessoas, porque somente recentemente me dei conta de como sou privilegiado (homem, branco, hetero, cis e classe média).
Um dos meus cinco amigos me disse que lhe ocorreu, andando pela cidade, que nossa sociedade sociedade é voltada para o consumo e a reprodução dele. Ela é dividida em uma piramide entre os: sobreviventes, consu
midores e ostentadores. Eu e os fabricantes de Rivotril concordamos com ele.
Não me entenda mal, eu não quero simplificar ou negar o problema das doenças mentais como o André Dahmer fez neste quadrinho infeliz,

afinal, de forma muito publicamente,  como um gesto político até, publicizei que tenho depressão.
Entretanto, sim, existe abuso de ansiolíticos. Leonardo Boff, um grande nome na esquerda, para explicar essa questão, disse algo mais ou menos assim: esse buraco foi criado pela modernidade que tirou o ditador celestial do poder, e, na minha opinião, botou o deus mercado no lugar. Bom, paciência, o cara era padre, eu não preciso de um papai noel para adultos para preencher esse buraco na minha vida, mas, de fato existe um buraco. O consumo não vai preenche-lo. Felizmente, acho que esse impulso nunca foi tão forte em mim e não preenche nem na pessoa mais fútil e burra, daí a necessidade de se entorpecer.
Então qual o sentido da vida? Como suportar o vazio do existir?! (Já dizia aquela música idiota, não sei se do idiotinha ou do babaquinha) Tenho me perguntado, para a maioria das pessoas, ao menos as que eu tenho algum grau de convivência: trabalho, família e religião. Não necessariamente nessa ordem.
Eu penso que o trabalho de professor que vou iniciar vai preencher esse vazio que existe dentro de mim, mas não no sentido capitalista e sim no de função social.
Outra questão é a necessidade de estar conectado com outras pessoas que não justifiquem a desigualdade e não aplaudam a barbárie. É algo que possa me trazer felicidade.
Ajudar os outros é ajudar a si mesmo, me disse o amigo supracitado, sim, ele é real, e um ótimo amigo, por sinal. Porém, nada do que nós decidimos ser, fazer, (ou não) falar vem sem um grande custo, mas se crescimento pessoal fosse atingido somente com a felicidade e auto indulgência, Buda (se ele existiu mesmo) não teria saído da zona de conforto dele.