quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Um dia você vai ser considerad@ uma puta

Acho que todo mundo é ou vai ser tratado como "puta" em nossa sociedade, não me entendam mal, o que quero dizer é que: assim como as feministas dizem, basta ser mulher para ser chamada de puta. Porém, eu vou além, você pode ser "puta", além de obviamente de ser uma profissional do sexo, mas também se: for negro, ou pobre, se fugir da heteronormatividade e for transgênero, se for ateu, ou praticante de religiões afro-brasileiras. 
No meu caso, sou cheio de privilégios, nem precisa de muito esforço pra você reconhecê-los, mas também tenho algumas características que me fazem ser "puta" aos olhos da nossa sociedade conservadora, hipócrita e estúpida: sou ateu e tenho depressão.
O Cazuza na quela música "O tempo não para", fala:
"Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro
Transformam o país inteiro num puteiro
Pois assim se ganha mais dinheiro"
Eu acredito que isso vale para mesmo para as relações interpessoais, desde a pessoa da base da hierarquia dessa nossa sociedade herdeira de escravismo, patriarcalismo e oligarquias, até o cara da periferia que bate na esposa, ou a mulher que chama que cria o filho para ser um machistinha babaca. Isso tudo é uma questão de poder.
A questão é que estava em um confraternização com uns amigos e tive o desprazer de ouvir a música "Ela é tarja preta". Parte do refrão diz o seguinte: 
"Ela é tarja preta, ela é tarja preta
É tarja preta, é tarja preta
Tem que ter receita
É tarja preta, é tarja preta
Pode fazer mal pra você"
Que tipo de mensagem é essa? Tem gente que realmente pensa que a arte não é política, assim como tudo ao nosso redor?! Ela pode reforçar preconceitos ou contestá-los. Até quando tarja preta vai ser insulto?! 
É claro que eu estou querendo que os artistas sejam obrigados a escreverem questões de protesto, "Shine on you crazy diamond", do Pink Floyd me faz pensar em tanta coisa, mas despertam coisas tão profundas e ligações tão bonitas na minha mente e eles nem abordam questões políticas. 
Me perdoem, não consegui descobrir quem é o autor da música, se é o apadrinhado Felipe Cordeiro, ou o "artsy fartsy" Arnaldo Antunes, mas de qualquer forma, vocês prestam um grande desserviço para a sociedade, ah e são uns babacas. 


*P.S: Não quero fazer uma competição de quem é mais oprimido.


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