sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Uma questão de geografia, história, teatro e percepção

Pensei que vir para Manaus seria um exílio, um degredo até. Por outro lado, antes disso pensava que seria um novo começo, longe de pessoas com ideias preconcebidas e o que eu pensava ser um ambiente acadêmico "provinciano". Hoje percebo como estava equivocado. Não é que um ou outro lugar seja melhor ou pior, mas o tempo e a "distância" que temos de questões dolorosas, humilhantes e ignóbeis.
Em Belém, durante  graduação e até muito recentemente, pensei que o meio acadêmico fosse uma questão de quem puxava saco melhor e de quem passava mais necessidade para aguentar assédio moral, de certa forma, ainda acredito que isso tem um fundo de verdade. Porém, meu amigo professor universitário e o professor da UFPA que me orientou quebram essa visão cinzenta de mundo. Aquele, por ser a pessoa mais disciplinada e metódica do meu ex grupo de amigos, sem falar que é uma pessoa humana realmente. O orientador por ser uma pessoa culta, politizada, compreensiva e que foi fundamental para eu conseguir finalizar essa fase tão tortuosa e sofrida da minha vida.
Poderia esbravejar contra as peixadas e os "esquerdomachos", ops, esqueci de falar sobre essa parte. preciso ser pedagógico. O que são "esquerdomachos"? Homens de esquerda e com educação formal, geralmente até o nível superior ou depois. Posso citar 3 casos: o 1o é o feminista de facebook e que tem um monte de fãs, mas que já agrediu uma ex namorada verbalmente (pensamos que ia chegar as vias de fato) e já foi acusado de ter agredido uma outra namorada (o esquerdomacho no 3 me contou); tem o no 2 que criticava até um peido meu, no período em que eu era só um pequeno burguês mimado, mas que continuou amigo desse cara supracitado, além de ter a petulância de julgar os outros; o 3o cara criticava os outros caras mais bem relacionados no meio acadêmico por poderem ser filhos da puta e saírem impunes (de fato, um deles transou com uma aluna de 13 ou 14 anos, varia a versão conforme quem é mais ou menos amigo dele), porém o no 3, ao menos na minha percepção, se revelou como uma pessoa que só se incomoda por não ter a liberdade de ser filho da puta, ou talvez, provavelmente, que só seja discurso e não tenha culhões ou clitóris para ter coerência na prática.
Sim, depois desse desvio de percurso, votamos ao caminho entre o mato, lama e as pedras da Colômbia, ou mesmo entre as ruas sem calçada e sinalização de Manaus. A vida que passou em Belém parecia cinzenta no período, pela depressão, claro, mas por que eu estava vivendo. Não é possível estar indo rio abaixo, num local desconhecido e ter todas as respostas. Agora sei que aprendi, ouvi um par ou mais de ótimos professores na UFPA, conheci pessoas únicas, peculiares, boas, ruins, verdadeiras, hipócritas, reais e de plástico. Tudo isso foi vida vivida. Uma bagagem para ser usada agora.
Poderia ter passado no mestrado e conviver com professores que falaram que: não discutiriam com uma moça pois o português dela é muito mal escrito; que só tal rock é música de verdade; que tá na moda gostar de porcaria (se referindo ao funk). Poderia ter que conviver com pessoas com nível superior, mas que compartilham Olavo de Carvalho, ou, pior, (talvez seja até mais constrangedor) que acreditam realmente em meritocracia no mestrado, os peixes, parentes e namorad@s de profs que o digam!
Talvez esse texto esteja amargo demais. Manaus, ou ao menos a docência aqui, é algo doce e amargo. Conviver com crianças e jovens e estar cercado de vida e de potencial humano é algo contagiante e que tirou o mofo, o cinismo e a sonolência de mim. Agora tem barulho e a urgência da vida ao meu redor, ao invés das excrescências de egos e adultos malformados e malparidos. Tudo ainda é novo, experimental e íntimo demais pra ser exposto aqui. Isso realmente é vida!


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