Uma lágrima desceu do rosto de uma mãe. Caiu na costa da mão de seu filho. Talvez essa gota seja a coisa mais sagrada que possa existir em um mundo injusto e brutal.
Só uma gota pode conter todo o sofrimento do mundo, de todos os seres humanos que já se foram, de todas as palavras não ditas, ou as que foram desperdiçadas, por serem repetição ou violência.
Essa gota escorre pelo rosto, por um caminho tortuoso, é seguida por gotas que não aprenderam a decidir por elas mesmas. Talvez elas só respeitem esse caminho que todas elas tem que seguir, pois esse caminho marcado na pele já tem uma história de luta e persistência.
Uma gota de água nunca foi tão universal quanto essas. Elas quebram as barreiras de tempo e espaço, quebram a insensibilidade, a hipocrisia e a arbitrariedade da condição humana.
Esses frágeis riachos correm no rosto dos seres humanos. Não gostaria de estar no interior de quem só veste um terno de pele humana. Viver é sentir essa dor, mas também é todas as coisas que dão sentidos a isso e que vão ou podem significar, ou que podemos tentar fazê-las significar algo, até que a gente feche os olhos pela última vez, ou abraçarmos essa mãe uma última vez. Talvez tudo isso tenha sentido aí.
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