terça-feira, 26 de abril de 2016

Como botar em palavras toda a vida?!

Caí.A minha perna e a parte a cima da minha cintura ficaram rochas e depois verdes. A dor passou e segui o meu caminho. As últimas gotas de chuva caíam, as cores de um dia novo e a possibilidade de eu construir castelos de areia se escondiam mais a frente.
Ser professor se parece com construir castelos de areia. Tem bastante trabalho tedioso, pode vir algum moleque e chutar o teu trabalho, talvez até a tua mão. Por outro lado, podemos achar alunos que queiram nos ajudar a construir. Isso nos dá ânimo pra seguir em frente, apesar de toda a indignidade e assédio moral.
A analogia de que somos castelos de areia, lentamente sendo consumidos pelo mar, ou levados para algum lugar distante, não me parece lá muito original, nem mesmo a de que nós olhamos demais para o céu ou para terra. Talvez, algo mais verdadeiro seria dizer que as vezes eu sinto um grande vazio, como um buraco dentro de mim, uma falta ar, um pedaço faltando, ou uma sensação incômoda de que algo está faltando pra girar as minhas engrenagens, ou que talvez tudo esteja errado.
Nada disso seria novidade se eu dissesse que me sinto sozinho mesmo rodeado de gente, por isso ser verdade desde que era criança, mas também porque isso já foi dito milhares de vezes por outras pessoas. Acho que o que seria uma tentativa melhor de fazer essas palavras falarem e levarem algum resquício da minha vida e da minha angustia é dizer que, as vezes, meus olhos parecem cobertos de cataratas e sob esse véu leitoso eu olho e escuto as pessoas ao meu redor, enquanto a minha mente some para algum lugar que lembre vagamente a dor na costa que costumo sentir.
Isso tudo parece uma grande reclamação, de fato, parece por que é mesmo. Se você não sentiu insatisfação em algum momento, talvez você seja burr@ demais pra estar viv@. Por outro lado, todo esse lamento e pesar seja a expressão de algo que não tem nome. Esse sensação de ser o vira-lata que busca comida no lixo, mas também o passarinho colorido que pousa no fio elétrico e voa pra onde a sua vontade o empurrar. Gosto de matar carapanãs, uma prof me perguntou se eu já tinha testado a minha sanidade, outra já falou em tom jocoso sobre a imaginária loucura dela e tarja preta como forma de intimidar os alunos. Tente tirar sentido desse texto, ou de eu ter escorregado de uma escada e batido a minha costela e torcido o pé, até gatinhos sendo moídos pode ser algo engraçado se tiver a música correta e uma boa dose de doutrinação sobre o que é certo e errado.

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