sábado, 9 de abril de 2016

Como ser professor sem elouquecer?

Vi um meme que defendia a ideia de que ser professor em um país que não valoriza a educação é uma forma de resistência. Entretanto, vivendo em um estado: onde não existe sindicato de verdade; onde é preciso explicar pra professor (aliás, os mesmos são defensores ardorosos da militarização/privatização da educação pública) que direito social não cai do céu (!); que deu medalha de direitos humanos pro Bolsonaro; onde alunos cristãos fundamentalistas se recusaram a fazer um trabalho sobre religiões afro, enfim, nesse contexto todo, ser professor as vezes parece mais ser uma disposição de espírito quixotesca ou niilista.
Não me entenda mal, isso não é auto piedade, ou, muito menos, um pedido pela piedade de ninguém, até porque não sei qual das duas é mais sem sentido. A questão é: como viver em um contexto tão hostil, manter a sanidade e a visão de um contexto mais amplo? Acho que é justamente incomodar a maioria à ação. Tentar trabalhar no limite do possível, tanto no sentido político, quanto no cotidiano de educador (sou rodeado por coxinhas, mas também trabalho em uma  escola que ainda não tem livros didáticos e estamos em abril! Ah, e que supostamente é bilíngue, mas só os alunos da sexta série tem aulas de japonês. Sem falar que não possui impressoras pros professores passarem atividades e provas, ou seja, temos que pagar pra trabalhar).
Por último, continuar apoiando a luta coletiva das professoras e professores que não são acomodados/submissos e fatalistas. Acho que só isso pode preservar a esperança e algum significado para esse trabalho, apesar de manter em mente que esse contexto não é algo que pode ser mudado da noite pro dia. Isso me parece melhor do que ficar reclamando de braços cruzados.

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