terça-feira, 19 de abril de 2016

Tabula rasa


Sabe, hoje dei minhas aulas e parei pra pensar sobre alguns comentários que fiz. Acho que preciso pedir desculpas pelo ódio que destilei contra Manaus, não que o povo daqui não seja mais conservador do que o de Belém, por que é sim, mas, simplesmente por que misturei as coisas. Estou longe da minha família e amigos, as poucas pessoas legais que conheci aqui, ainda não fiz amizade além de facebook e da gente se esbarrar em manifestação. Enfim, não digo isso por auto piedade, é só que imigrar é foda. Acho que tem algo de muito errado com os gringos pra isso ser tão natural pra eles. Minhas raízes tão em Belém, apesar de não comer açaí, não dançar carimbó e nem ser um hipster, branco de classe média e barrista.
Divago... agora, cansado depois de um dia exaustivo respondendo que: sim,é pra copiar, ou mandando curumim se sentar, ou evitando que eles se quebrem na porrada. Parei pra pensar que por mais sacrificante que seja, tem sentido no que faço e eu gosto de ser professor, me recuso a me entregar ao cinismo ou ao fatalismo. Pra além disso, me dei conta de que em milhares de salas de professores do Brasil, ontem, tinha um senhorzinho defendendo um golpe de agora e a ditadura civil militar de então, algum direitista (que ainda não sabe que é direitista) falando sobre pedaladas fiscais, alguns outros direitistas rindo do circo que foi a votação do impeachment, gente que não participa da mobilização dos professores e ainda fica ressentida com quem participa. Estatisticamente e empiricamente nós sabemos que isso é verdade. Sem falar no assédio moral que é corriqueiro nas escolas, no nepotismo na SEDUC e no clientelismo na escolha dos diretoras e diretoras.
Concluindo, essa escrotidão não é privilégio de Manaus (apesar de aqui ser mais provinciano que Belém) e como alunos de História, nós, apesar de estarmos envolvidos e sofrendo com esses eventos, precisamos refletir sobre o contexto maior e sobre durações mais longas, do contrário, podemos bem ser como os leigos que ficam reféns da enxurrada de chorume de eventos produzidos pela velha mídia, que tenta reduzir o debate público de acordo com seus interesses.
Esse processo vem se desenrolando desde a Carta ao povo brasileiro e a traição que o Lula e sua corrente no PT fizeram aos trabalhadores, a todas as pessoas verdadeiramente de esquerda que construíram o partido e se orgulhavam dele.
Vamos estudar, conversar, nos mobilizar e nos manifestar, isso é mais eficaz do que nos entregar a histeria. A luta continua! Mesmo que seja simplesmente para viver ou tentar ajudar nossos semelhantes a terem uma vida mais digna e com mais direitos. Olhando as crianças pra quem dou aula, sei que isso não é inútil. Receber apoio dos meus companheiros de profissão e de luta também renova as minhas esperanças.

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