quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Fogos de artifício

Um fogo de artifício explodiu no céu. Minha janela se encheu de um colorido e me lembrei que tem vida lá fora e que o mundo continua girando, tanto faz as minhas neuras e problemas. Esse tipo de clichê.
Isso me lembra quando a chuva passa, o contorno dos prédios, o horizonte cinzento e misterioso, vou andando pela rua até a minha casa, passando pelas ruas que cortam e vendo possibilidades de desviar de caminho. Isso as vezes me faz pensar sobre a possibilidade de escolher outros caminhos e sobre outros tantos caminhos que não tomei ou o acaso me impossibilitou de tomar. Não é bem um devaneio ou uma vontade de fuga da opressão e do tédio da realidade e dos limites do possível, assim como não é uma neura ou síndrome de Peter Pan. Acho que é só um desses momentos em que a gente sente a vida e as coisas parecem mais maleáveis, em que a gente se pergunta se realmente está onde deveria e se está fazendo algo significativo.
Sentir o cheiro do asfalto molhado, os carros passando rápido num borrão, as pessoas andando ao meu redor e os meus pés caminhando um depois do outro, tudo isso parece meio irreal as vezes.
Quando eu era criança, me lembro do igarapé Nazaré, perto do Xingu. Pensava que o meu pai era dono dele, mas nesse estado em que memória e fantasia se misturam. Nessas imagens em que a inocência torna tudo mais belo e singelo, em que a gente não consegue distinguir bem a realidade do sonho. Parecia um lugar quase mágico, me lembro do rio seguindo da nossa casa até lá e dos pássaros voando e nadando lá. Depois voltei no igarapé, já com 12 anos , provavelmente efeito das madeireiras, mais do que o sonho que se dissolvia, parecia um lugar tão desolado, comum e deprimente. Quase como os igarapés na beira da estrada de Mosqueiro. Me pergunto se a vida adulta não é uma série de momentos assim. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.