Um
fogo de artifício explodiu no céu. Minha janela se encheu de um colorido e me
lembrei que tem vida lá fora e que o mundo continua girando, tanto faz as
minhas neuras e problemas. Esse tipo de clichê.
Isso
me lembra quando a chuva passa, o contorno dos prédios, o horizonte cinzento e
misterioso, vou andando pela rua até a minha casa, passando pelas ruas que
cortam e vendo possibilidades de desviar de caminho. Isso as vezes me faz
pensar sobre a possibilidade de escolher outros caminhos e sobre outros tantos
caminhos que não tomei ou o acaso me impossibilitou de tomar. Não é bem um
devaneio ou uma vontade de fuga da opressão e do tédio da realidade e dos
limites do possível, assim como não é uma neura ou síndrome de Peter Pan. Acho
que é só um desses momentos em que a gente sente a vida e as coisas parecem
mais maleáveis, em que a gente se pergunta se realmente está onde deveria e se
está fazendo algo significativo.
Sentir
o cheiro do asfalto molhado, os carros passando rápido num borrão, as pessoas
andando ao meu redor e os meus pés caminhando um depois do outro, tudo isso
parece meio irreal as vezes.
Quando eu era criança, me lembro do igarapé Nazaré,
perto do Xingu. Pensava que o meu pai era dono dele, mas nesse estado em que
memória e fantasia se misturam. Nessas imagens em que a inocência torna tudo
mais belo e singelo, em que a gente não consegue distinguir bem a realidade do
sonho. Parecia um lugar quase mágico, me lembro do rio seguindo da nossa casa
até lá e dos pássaros voando e nadando lá. Depois voltei no igarapé, já com 12
anos , provavelmente efeito das madeireiras, mais do que o sonho que se
dissolvia, parecia um lugar tão desolado, comum e deprimente. Quase como os igarapés na
beira da estrada de Mosqueiro. Me pergunto se a vida adulta não é uma série de
momentos assim.
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